O tema é “45 anos e agora?”

Titiana Barroso
2 de Junho 2017 | 08:13

Tem-se assistido a diferentes casos, geridos de diversas formas, com maior ou menor sucesso. Partilhamos alguns dos principais erros e também algumas sugestões para que um processo de recondução de carreira seja construtivo e tenha um bom desfecho.

Por Filipa Leite de Castro, manager da Jason Associates

 

Hoje com 40 anos, manager na Jason Associates e com cerca de 15 anos de experiência em Executive Search, tenho-me deparado com cada vez mais pessoas entre os 40 e os 50 anos a comentar comigo: “Não sei se consigo aguentar mais 20/25 anos a fazer o mesmo, mas não sei o que posso fazer!…”

Esta questão tem sido cada vez mais recorrente e, na minha opinião, resulta de quase 20 anos de carreiras, com profissões muito desgastantes e de grande pressão e que, após todo esse tempo, se tornaram menos interessantes, menos aliciantes e, sobretudo, com menos margem de aprendizagem.

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Falo de todo o tipo de contextos: desde a banca de investimento, onde deixou de haver bónus interessantes e onde o glamour do sector desapareceu, até funções que implicam viagens constantes em estruturas altamente matriciais, onde as pessoas sentem que já pouco decidem e que pouco valor acrescentam, entre tantas outras…

Sinto que, ao chegar aos 40 anos, muitos destes profissionais (que no meu caso passam por pessoas amigas e candidatos que vou acompanhando), iniciam um processo de reflexão e um balanço sobre a sua vida, sentindo quase “claustrofobia” quando pensam que não conseguem pensar numa alternativa profissional e, neste caso, de vida!

Por outro lado, nesta idade a maioria destas pessoas já tem uma série de responsabilidades financeiras, como crédito habitação, educação dos filhos, entre outros, que lhes retira, obviamente, alguma liberdade no processo de decisão.

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Tenho, assim, assistido a diferentes casos, geridos de diversas formas, com maior ou menor sucesso. Neste sentido gostava de partilhar alguns dos principais erros e também algumas sugestões para que este processo seja conduzido de forma construtiva e com um bom desfecho.

Como principais erros destaco o facto de as pessoas quererem fazer bruscamente uma mudança de uma função para outra, descobrindo rapidamente uma profissão alternativa, que os faça felizes e que lhes permita assegurar as responsabilidades que têm.

Na verdade, o processo é bastante mais lento que isso e exige maior investimento de tempo e de dedicação. Quem opta por bruscamente tomar a decisão de se libertar para se focar apenas nesta reflexão, despedindo-se de forma impulsiva como forma de “dar um grito de Ipiranga”, pode cair num processo de frustração que o leva a ter mais tarde que regressar ao que já fazia ou optar, por necessidade, por algo que não vem trazer a motivação que procurava. Neste sentido, desaconselho vivamente este caminho.

Na minha opinião, os exemplos de maior sucesso, e bastante diferentes entre si, têm-se prendido com pessoas que, ao se colocarem esta questão, se têm exposto a outras realidades, despertando progressivamente para oportunidades e preparando-se para que estas possam tornar-se caminhos alternativos. Este caminho é feito em simultâneo com a função que desempenham actualmente, para possibilitar um amadurecimento destas alternativas, sem a pressão financeira sobre a escolha.

O que é comum à maioria dos exemplos que tenho assistido com maior sucesso é realmente a existência de um processo de amadurecimento, mas que extravasa os nossos pensamentos e que nos leva a agirmos perante ele. Com ponderação, com tempo, mas com ambição!

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Obviamente que estar atento às oportunidades de mercado e ao que podem ser as novas tendências é também importante.

Neste caso, destaco alguns exemplos:

  • Dar aulas em temas que gostamos e que podemos ter expertise: nestes contextos terão exposição a uma série de outras experiências e sectores que os podem ajudar a entender em que outras áreas podem capitalizar a sua experiência. Para além disso, permite enriquecer o network, podendo ter assim acesso a novas oportunidades.
  • Estudar novamente – em temas que reforçam o seu expertise que lhe permitem ganhar valências em áreas diferentes das suas. (exemplo: os cursos de coaching têm levado a algumas mudanças de carreira, não só porque aumentam o autoconhecimento, mas também porque alguns se têm apaixonado pela área).
  • Investimento em novos negócios – para quem possa ter a possibilidade de investir em outros negócios, esta opção pode ser interessante porque permite que existam outras fontes de rendimento, para além da sua função principal, aliviando assim a pressão para que se possa pensar em alternativas com maior liberdade.
  • Experimentar um hobby novo – obriga-os a sair da zona de conforto e coloca-os em contacto com um novo círculo de pessoas, que vão permitir uma vez mais aumentar o network e em consequência disso, expô-los a novas realidades. Esta acção por si só não traz uma alternativa, mas ajuda a consciencializar que são capazes de experimentar algo diferente e novo.

Como resultado deste processo amadurecido, tenho assistido a algumas mudanças muito interessantes e inesperadas na carreira de algumas pessoas a quem lhes voltou a brilhar os olhos!

 

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