“Querido, mudei o escritório”. Ou nem assim os colaboradores querem voltar?

Human Resources
12 de Outubro 2022 | 21:00

O escritório nos últimos dois anos tem sido reinventado e desafiado de uma maneira constante. E hoje a pergunta que ainda paira no ar é: Qual o melhor modelo de trabalho – híbrido, presencial ou remoto? Será que os meus colaboradores querem voltar ao escritório?

Por Patrícia Santos, consultora sénior Michael Page Sales & Marketing

 

A verdade é que nas entrevistas que fiz em 2019 ninguém me perguntou sobre a possibilidade de fazer teletrabalho; já as que fiz em 2022 todos me perguntaram qual o modelo. Muitas das vezes, informação solicitada antes da questão salarial para a potencial função.

A pandemia forçou-nos a agilizar aquilo que chamamos agora, com conhecimento de causa, o teletrabalho e a verdade é que conseguimos ter uma boa performance ou produzir nos mesmos níveis, ou até melhores do que os anteriores. No entanto, qual o papel do escritório no meio disto?

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É nesta fase que entra um dos mais actuais desafios das empresas – perceber que modalidade é a mais indicada e que trará maior engagement para os seus colaboradores. Dependendo da área funcional, senioridade e localização residencial dos colaboradores, a maneira de pensar muda. De forma geral, o perfil/situação das pessoas influencia significativamente – umas adaptam-se melhor do que outras a trabalhar mais em casa, outras sentem falta do escritório. A única verdade, para muitos, é que o teletrabalho é mais um elemento da proposta de valor aquando na selecção de um novo desafio profissional.

O trabalho remoto foi-nos imposto e os portugueses gostaram da flexibilidade que isso trouxe às nossas vidas. De destacar, para além da flexibilidade, as horas poupadas em deslocações diárias e o combustível inerente às mesmas, entre outras vantagens. Será que agora há espaço para voltar? As empresas crêem que sim. Os colaboradores nem todos.

Num estudo realizado pela Savills, é partilhado que, em Portugal, 87% dos inquiridos considera necessária a manutenção do espaço físico de escritório da empresa para o bom funcionamento da organização. Em traços gerais, as organizações preocuparam-se em adaptar e actualizar o espaço de trabalho físico nas empresas – umas já fizeram, outras estão em processos de o fazer e outras ainda vão a tempo de o fazer.

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Todos nós já ouvimos falar em conceitos como hot desk (renovação do espaço de trabalho cuja principal característica é que o funcionário não tem mais uma mesa fixa), clean desk (envolve a remoção de todas as informações comerciais confidenciais de cada mesa diariamente), open space, focus areas/silent rooms, phone booths ou até mesmo collaboration rooms.

Estes “novos” espaços estão idealizados para promover ligações e fomentar sinergias entre equipas, algo que o teletrabalho não consegue oferecer com facilidade. Todas as iniciativas propostas devem ser acompanhadas por uma comunicação alinhada à nova gestão de mudança da empresa, uma vez que, sem qualquer antevisão destas ideias, os colaboradores podem focar-se nas desvantagens e não entender o verdadeiro propósito das iniciativas.

Podemos ter colaboradores que sintam que o novo modelo / layout do escritório está menos acolhedor dado que já não têm espaço próprio e a rotatividade dos colegas à sua volta; pode ainda sentir falta de vínculo de motivação ao trabalhado fruto do constante factor novidade.

Em resumo, devemos passar a mensagem de que haverá espaço para as duas modalidades – teletrabalho e escritório. É vital relembrarmos que a falta de interacção social com os colegas era uma das principais causas de ansiedade e solidão entre os profissionais em home office, trazendo diversos desafios para a saúde mental e a criatividade – quem nunca teve aquela ideia genial durante uma conversa na copa da empresa?

Para que isto já não seja uma realidade, muitas das organizações tornam os seus espaços mais disruptivos e digitais, passaremos a contar com salas de reuniões renovadas, igualmente adaptáveis, e com a tecnologia necessária para realizar reuniões híbridas, para além de uma, ou até várias zonas de lazer/descanso. Estas últimas também recebem papel de destaque nos “novos escritórios”, falamos de zonas de lounges/coffee breaks spaces, espaços verdes e terraço/varandas onde os colaboradores poderão usufruir de momentos informais e descontraídos com as diferentes equipas.

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Os colaboradores começaram a exigir locais de trabalho mais amplos, arejados, saudáveis e com mais luz natural. A procura por zonas verdes dentro e fora do edifício são uma realidade.

O aumento do número de pequenas salas, espaços de trabalho individuais, espaços para chamadas/reuniões individuais (ex. phone booths), também vieram para ficar. Acrescento que cada vez mais, não só o espaço, mas também o material que a organização faculta tem relevância na produtividade dos colaboradores, falemos de uns simples headphones com tecnologia de cancelamento de ruído para que se possa ter uma reunião remota em qualquer parte do edifício, sem ser incomodado por qualquer ruído alheio à conversa.

No final do dia, cada organização devia introspectivamente olhar para a sua visão e cultura e adaptar o espaço físico de escritório de modo a melhorar a eficiência e agilidade dos colaboradores. Com isto, tornar-se-ão indiscutivelmente mais flexíveis, eficientes e competitivas.

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