Randstad: «O sucesso depende da qualidade dos talentos»

Mais de um ano depois de declarada a pandemia de COVID-19, muito mudou no mundo do trabalho e na forma como as pessoas são recrutadas para os mais variados cargos.

O processo de recrutamento e selecção é um aspecto com cada vez mais relevância, pois é através dele que as organizações podem identificar os melhores talentos. Celso Santos, associate director, professionals, da Randstad Portugal, considera que processos de recrutamento e selecção bem estruturados dão às organizações equipas fortes e coesas. Por outro lado, se pensarmos nas contratações falhadas, estas acarretam «custos e prejuízos elevados como a perda de tempo ou o aumento do turnover».

 

Tendo em conta toda a importância que tem, de que forma está a evoluir o Recrutamento e Selecção na Randstad?
O recrutamento e selecção da Randstad tem vindo a evoluir seguindo as principais tendências de mercado, garantindo a digitalização do processo, onde a intervenção do consultor não é relevante, e aumentando o impacto do consultor na experiência e relação com o candidato. A jornada do candidato é, na verdade, o nosso foco, garantindo essa proximidade e continuidade de forma a encontrar oportunidades para os candidatos ainda antes deles as procurarem e medindo a experiência de forma a garantirmos o “delight” dos nossos candidatos.

 

Mais de um ano depois do início da pandemia, que balanço podemos fazer dos impactos por ela causados no Recrutamento e Selecção?
O grande impacto que a pandemia trouxe para os processos de recrutamento e selecção foi a necessidade que estes tiveram de se tornar mais digitais ou totalmente digitais. E nem todas as empresas estavam preparadas ou munidas das melhores ferramentas para desenvolverem processos completamente digitais. Sentimos que um ano depois, as empresas fizeram esse investimento e adaptação para tornarem o processo igualmente robusto e fiável.

 

É hoje ainda mais fundamental encontrar o talento certo para construir uma empresa de destaque no mercado?
Sem dúvida. Encontrar o talento certo ou o talento mais adequado para a organização é fundamental, pois será este o talento responsável por a empresa atingir os seus objectivos e se destacar no mercado, ou seja, o sucesso ou o fracasso organizacional depende da qualidade dos talentos da empresa.

 

Quais é que são as melhores estratégias para consegui-lo?
Construir uma boa política de employer brand é fundamental para conseguir atrair os melhores talentos. Uma estratégia que permite melhorar o employer brand é o “candidate experience”, pois a forma como os candidatos são tratados no processo de recrutamento e selecção impacta directamente na reputação da marca e na consequente atracção dos talentos. Posto isto, é importante criar processos de R&S inovadores, com feedback relevante, diminuição do tempo de resposta e acima de tudo uma comunicação mais humanizada.

 

Com a pandemia, praticamente tudo passou para o universo virtual. Quais são as melhores ferramentas de Recrutamento e Selecção?
É preciso distinguir o que passou a virtual mas que continua muito humano e o que passou a virtual porque foi digitalizado. Na Randstad temos ferramentas que nos permitem a proximidade com o candidato com um modelo de entrevista virtual que protege os dados pessoais do candidato, facilita o agendamento e permite a realização de provas, incluindo a gravação de vídeos. Temos uma solução de verificação de referências completamente digital, um processo que antes era feito pelo consultor e que hoje é mais eficaz e apresenta mais garantias. Estes são apenas alguns exemplos de soluções que já tínhamos e que hoje, face ao contexto, passaram a ser utilizadas de forma transversal.

 

Que dificuldades identificaram ao longo do último ano no Recrutamento e Selecção? Por exemplo, qual é a melhor entrevista de emprego: presencial ou online?
A entrevista online, com toda a certeza, veio facilitar a comunicação entre clientes e candidatos (minimizando custos e tempo). Permitiu, ainda, acelerar o processo de recrutamento e, consequentemente, a tomada de decisão. Não obstante, há quem acredite que se desvirtuou o momento da entrevista e a seriedade com que os candidatos se envolvem nos processos; com o acesso mais facilitado e com a possibilidade de gestão de agenda mais flexível, são mais os candidatos que se envolvem nos processos de recrutamento, da mesma forma que os clientes estão mais flexíveis para agendar as entrevistas. Contudo, não defendemos que este seja o modelo ideal, mas sim o possível num mundo em movimento e com tendência para a globalização.

 

A diversidade e inclusão no Recrutamento e Selecção são aspectos cada vez mais valorizados pelas empresas ou ainda há caminho a percorrer? Acho que a diversidade e inclusão tem sido uma preocupação constante das empresas que estão comprometidas com o desenvolvimento dos seus talentos e dos seus mercados, pois sabem que pessoas com características distintas promovem a inovação, motivação, aumento da produtividade e isso torna-se num factor competitivo para as organizações.

 

Que sectores se mostraram mais activos ao nível do recrutamento nestes últimos 12 meses?
Podemos começar por destacar o sector das Tecnologias de informação (TI), que não sofreu alterações desde o primeiro confinamento. A Indústria, apesar de ter sido fortemente afectada pela pandemia e de, por isso, ter implementado medidas como o lay-off e até mesmo o despedimento de mão-de-obra directa, em meados de Junho de 2020 já estava a recuperar. As empresas voltaram a recrutar novamente os trabalhadores dispensados, ao ponto de voltarem a ter falta de mão-de-obra disponível.

A Construção Civil é um sector que nunca parou, apesar da diminuição de actividade. Essa diminuição, à semelhança do que aconteceu na indústria, causou posteriormente uma acumulação de trabalho. Isto levou a uma sobreposição de projectos e a uma ainda maior dificuldade em ter recursos humanos ajustados às necessidades. Sendo este um sector que, tipicamente, usa muito o networking e as referências para colmatar as suas necessidades de recrutamento, foi notória a maior procura por suporte externo.

Os Shared Services Centers também se destacam nesta matéria. Portugal já era um país em voga neste sector nos últimos anos, mas depois do aparecimento da pandemia e com alguns grupos multinacionais a fazer cortes nas estruturas centrais, uma parte desses serviços foram deslocalizados para o nosso país, aumentando e reforçando as estruturas de SSC já existentes em Portugal.

O sector de Transportes e Logística, tradicionalmente estável, foi muito activo em 2020, pela importância ainda maior que teve no transporte de bens que passaram, em fase de confinamento, a ser comprados apenas online, e que mesmo depois se mantiveram assim.

 

Qual é a maior preocupação revelada pelas empresas?
Diria que há preocupações várias, mas destacaria a preocupação relativa ao momento certo para contratar; se por um lado as equipas estão em esforço porque houve perda de HC em muitas estruturas, por outro lado há a preocupação de incrementar esse HC numa fase de clara indefinição de mercado. Destacaria também a célebre e eterna preocupação pela atracção e retenção dos melhores talentos numa fase tão competitiva como a que estamos a vivenciar.

 

Que soluções inovadoras apresentou a Randstad ao mercado?
A Randstad esteve muito activa apresentando diferentes soluções para responder ao contexto. Na primeira fase da pandemia lançámos o nosso kit digital em que permitimos às empresas aceder às nossas ferramentas tecnológicas para garantir os seus processos de recrutamento e de gestão de pessoas. Depois do lockdown lançamos a solução +continuar+ que permitiu às empresas identificar os perfis críticos ainda antes de ser necessário. O objectivo foi garantir que o negócio não parava por motivo de doença ou assistência à família dos colaboradores. Em paralelo também lançámos um serviço gratuito de scan aos protocolos de segurança de forma a garantir esse mesmo regresso em segurança às empresas. Estas foram algumas das novidades da Randstad.

 

Apresentar soluções de recrutamento adaptadas às necessidades da empresa: é aí que reside o sucesso da Randstad?
O sucesso da Randstad reside na proximidade e na experiência de mercado, nas melhores pessoas e na nossa promessa human forward focada em clientes e em candidatos, centrada na experiência e no cumprimento da nossa missão de moldar o mundo do trabalho.

 

Só o conhecimento aprofundado dos sectores de actividade permite reconhecer especificidades e identificar o talento certo para cada função?
O recrutamento e selecção, sendo um processo basilar de recursos humanos, deve ser o mais adaptado possível ao sector da empresa, às especificidades da mesma e dentro do sector e da empresa, aos perfis a recrutar. Por exemplo, o recrutamento e selecção de um Software Developer para uma empresa de indústria não pode ser exatamente igual se esta necessidade for para uma startup ou para uma software house. Mesmo dentro da indústria, será diferente recrutar este perfil para uma multinacional ou para uma empresa nacional de pequena dimensão. Cada sector é tão distinto dos demais, que arrisco dizer que o conhecimento aprofundado das especificidades de cada um é o segredo de um recrutamento e selecção de sucesso. Caso contrário, estaremos a preencher vagas a prazo. Inicialmente poderá parecer que houve um bom enquadramento vaga-candidato, mas rapidamente as expectativas se irão desalinhar de ambas as partes.

 

Quais as maiores tendências que identifica no Recrutamento e Selecção?
As tendências seguem o ritmo das transformações vividas nos últimos anos no sector empresarial. Em especial desde 2020 com a chegada da COVID-19, que potenciou os vários aspectos que compõem o conceito de RH estratégico e da transformação digital gerando grandes oportunidades para trabalhar remotamente e redefinindo o novo conceito de trabalho, em que o local onde se está não vai ser determinante no processo de recrutamento, mas sim as competências críticas para a função.

 

Que grandes desafios identificam em relação ao sector do Recrutamento e Selecção?
O recrutamento online cresceu exponencialmente desde 2020 por conta das medidas de distanciamento social. No entanto, mesmo antes da pandemia, as empresas já tinham percebido que os processos de recrutamento e selecção virtuais traziam uma redução de custos, tempo e optimização dos processos. Para isso existe já um forte investimento em Inteligência Artificial, Machine Learning e People Analytics. Porém, o grande desafio do sector do recrutamento e selecção será tornar o processo virtual o mais humanizado possível.

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Recrutamento e Selecção”, publicado na edição de Maio (n.º 125) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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