80% das empresas do sector da Energia registam ganhos de eficiência com a utilização de IA

Aproximadamente 80% das empresas do sector da energia registam ganhos claros de eficiência com a utilização de Inteligência Artificial (IA), enquanto 60% afirmam obter um retorno sobre o investimento superior a 10% com projectos já em produção baseados nesta tecnologia. Esta é uma das várias conclusões do estudo da KPMG “Intelligent Energy – A blueprint for creating value through AI-driven transformation”.

Segundo o estudo, que se baseia em entrevistas realizadas a 163 executivos seniores de oito países, representando empresas do sector energético com diferentes graus de maturidade digital, 92% das empresas acreditam que a adopção de IA será determinante para garantirem uma vantagem competitiva no sector.

E 96% já estão mesmo a investir em projectos de futuro baseados em IA. As empresas que conseguirem integrar a Inteligência Artificial de forma estratégica e transversal estarão mais bem posicionadas para liderar o sector energético nos próximos anos.

No entanto, o estudo mostra que ainda existem desafios significativos na adopção plena da IA no sector energético. Entre os obstáculos mais referidos pelos líderes entrevistados estão as preocupações com a segurança e a privacidade, a falta de competências especializadas, e a resistência interna à mudança, factores que continuam a limitar a transição de projectos piloto para projectos em larga escala.

O relatório destaca também que a qualidade dos dados continua a ser um dos principais obstáculos à maturidade digital do sector. Cerca de 58% das empresas enfrentam problemas de inconsistência, fragmentação e ausência de normalização dos dados, o que compromete directamente o desempenho dos modelos de IA e a capacidade de automatizar processos complexos ao longo da operação.

Outro desafio salientado é a adopção lenta da IA por parte das equipas. Além da reconhecida escassez de talento com competências tecnológicas e um conhecimento aprofundado do sector energético, muitas organizações enfrentam receios por parte das suas pessoas, uma baixa literacia digital e dificuldades em integrar a IA no trabalho diário. A KPMG reforça que a preparação da força de trabalho será um dos factores decisivos para acelerar esta transformação.

O estudo revela, entre outros, que a IA está a ter um impacto significativo na operação de activos críticos, como redes, centrais e infraestruturas de distribuição. Através de modelos preditivos e da análise avançada de dados as empresas conseguem antecipar falhas, optimizar planos de manutenção e reduzir paragens não planeadas. Deste modo, é possível, reduzir custos operacionais, aumentar a disponibilidade dos activos, prolongar a sua vida útil e minimizar investimentos não planeados. Segundo a KPMG, é precisamente nesta capacidade de operar melhor com os mesmos activos que a IA se afirma como uma alavanca decisiva para proteger e melhorar margens deste sector.

Para além da eficiência interna, a Inteligência Artificial está, também, a transformar a relação das empresas com os clientes. O estudo mostra que esta ferramenta digital possibilita uma compreensão muito mais apurada dos padrões de consumo, abrindo, assim, o caminho para a definição de serviços mais personalizados e uma experiência significativamente melhorada.

Com o apoio de IA, as empresas conseguem antecipar as necessidades de consumo, propor soluções de eficiência energética ajustadas, melhorar a comunicação e o apoio ao cliente, reduzindo custos associados a reclamações e atendimento reactivo. Esta evolução contribui para maior fidelização, criando espaço para o desenvolvimento de serviços de maior valor acrescentado, para além da simples venda de energia.

O estudo da KPMG realça, também, a importância da agentic IA, uma nova geração de sistemas capazes de agir de forma autónoma, que monitorizam operações, tomam decisões em tempo real e executam acções sem necessidade da intervenção humana constante. No sector da energia, esta tecnologia poderá permitir a existência de redes mais autónomas e resilientes, uma gestão mais eficiente de energias renováveis intermitentes, respostas mais rápidas à volatilidade da procura e dos preços e, por último, uma maior eficiência na gestão de activos distribuídos.

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