COVID-19. A maior parte das startups não despediu e pensa até contratar

A maioria das startups (90,2%) ainda não efectuou despedimentos. Já 8,2% despediu 1% a 20% da equipa e 1,6% que despediu 21% a 40% da equipa. A conclusão é do segundo estudo “O Ecossistema de Empreendedorismo Português e a COVID-19 – Análise do Impacto”, promovido pela Aliados Consulting, em parceria com a FES Agency.

 

O estudo indica ainda que dos despedimentos efectuados, a maior parte dos perfis (30%) relacionava-se com Marketing e Vendas.

A grande maioria dos fundadores/CEO’s também não realizou cortes nos salários (82%) nem planeia fazer despedimentos nos próximos três meses (91,8%). Uma boa parte (44,3%) pretende até contratar, principalmente pessoas com perfil tecnológico (67,9%).

No que diz respeito a redução de custos, 67,2% das startups teve de tomar esta opção, sendo que 85,4% realizou cortes em serviços contratados e 48,8% cortou no orçamento de marketing. De destacar ainda que 34,1% optou por suspensão de pagamento de rendas e 24,4% efectuou cortes em regalias para os colaboradores.

O mesmo estudo revela ainda que mais de metade das startups (59%) assumir estar a ser impactada negativamente pela pandemia, sendo que 32,4% está a sofrer perdas nas vendas superiores a 60%. A preocupação com o possível encerramento da sua startup em consequência da pandemia aplica-se a 36,1% e, para 41%, o valor da startup está a ser impactado negativamente.

No entanto, o cenário é mais positivo do que o encontrado há pouco menos de dois meses, em que 73,1% das startups afirmava estar a sofrer um impacto negativo e 43,9% se encontrava com perdas nas vendas superiores a 60%. Na altura, 44,9% mostrava receio em relação ao possível encerramento da startup e 62,8% considerava que o valor da sua startup estava a ser afectado. Agora, há mais startups que dizem estar a ser impactadas positivamente (13,1%) e que são das áreas da saúde ou da educação.

De recordar que, na análise anterior, apenas 6,4% das startups afirmava que o impacto desta situação de saúde pública estava a ser positivo nas vendas.

O optimismo está também patente noutros resultados do inquérito promovido pelas duas

entidades, 52,46% das startups espera que a situação relativamente a vendas evolua de forma positiva nas próximas semanas, em contraste com os 60,3% que acreditava, em Março, que a situação ainda iria piorar.

No entanto, 49,2% destas empresas tem apenas até seis meses de capital disponível, o que significa que o prolongamento desta situação pode ameaçar seriamente a sua sobrevivência. Da amostra, 60,7% não está a levantar capital de risco e a grande fatia (72,13%) encontra-se à procura de soluções alternativas para financiar a empresa, seja através de projectos como Portugal 2020 ou sector bancário.

 

Medidas de apoio anunciadas pelo governo não reúnem consenso
No capítulo das medidas excepcionais e temporárias de apoio às PMEs e microempresas anunciadas pelo governo, de destacar que 59% das startups não usufruiu destas. Entre os restantes, a medida mais “popular” é o lay-off simplificado, com 11,5% das startups a ter optado por usufruir deste apoio.

De sublinhar ainda que pouco mais de metade da amostra (55,7%) pretende usufruir das medidas específicas para startups anunciadas pelo governo (“StartupRH Covid19”, “Startup Voucher”, “Vale de Incubação”, “’Mezzanine’ funding for Startups” e “Covid-19– Portugal Ventures”), sendo a medida “StartupRH Covid19” a que conta com mais popularidade.

Questionados sobre o que pensam destas medidas no que diz respeito à sua relevância, a medida “StartupRH Covid19” é a que reúne mais simpatia, com 36,06% da amostra a considerá-la relevante ou muito relevante. A medida “’Mezzanine funding for Startups” é, para 32,78%, relevante ou muito relevante. Para 31,2%, a medida “Covid-19 – Portugal Ventures” é também relevante ou muito relevante. No entanto, parece não haver consenso: a fatia que considera estas medidas irrelevantes ou pouco relevantes é ainda mais significativa – 40,99% em relação à medida “StartupRH Covid19”, 36,07% em relação à medida “’Mezzanine’ funding for Startups” e 39,3% em relação à medida “Covid-19 – Portugal Ventures”.

Ainda pior classificadas estão as medidas “Startup Voucher” (60,64% considera-a irrelevante ou pouco relevante) e “Vale de Incubação” (com 54,1% a considerarem-na irrelevante ou pouco relevante).

O estudo “O Ecossistema de Empreendedorismo Português e a COVID-19 – Análise do Impacto” foi realizado entre 27 de Abril e 6 de Maio, a 61 CEOs e fundadores de startups com escritórios em Portugal. Das startups inquiridas, 67,2% são do Porto, 16,4% de Lisboa, 14,8% de Braga e 1,6% de Coimbra, sendo que a maior parte conta com 1 a 10 colaboradores (65,6%) e não tem investimento de capital de risco (63,9%).

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