Que mercado do trabalho vamos ter em 2021? A Hays responde

Sandra M. Pinto
5 de Fevereiro 2021 | 09:40

A Hays apresentou o Guia do Mercado Laboral no qual revelou, de acordo com a perspectiva dos empregadores,  o que foi o ano de 2020 e quais as expectativas para 2021.

Por Sandra M. Pinto

 

Num evento que decorreu de forma digital devido à pandemia covid-19, a Hays Portugal apresentou os resultados Guia do Mercado Laboral para 2021, o qual complementou com a revelação dos resultados alcançados com o estudo “O mercado de trabalho na era do Covid-19”.

Carlos Maia, Regional Director na Hays Portugal, começou por referir que a palavra mais escolhida de forma espontânea pelos 612 empregadores inquiridos no Guia do Mercado laboral , para descrever a sua experiência em 2020, foi desafiante. «Esta palavra não surge por acaso», refere Carlos Maia, «pois, de facto, 2020 foi um ano muito exigente para as empresas a vários níveis, fosse nos Recursos Humanos, nas infraestruturas, e, claro, ao nível do teletrabalho».

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Houve um impacto grande naquilo que foram os resultados, sendo que 52% das empresas referem que os resultados financeiros estiveram aquém do esperado. Somente 12% conseguiram resultados acima das expectativas, e quando questionadas qual a expectativa para 2021 referem que o cenário se mantém igualmente turvo, sendo que 51% das empresas prevê que o cenário económico piore face  2020. Contudo existem 25% das empresas com expectativas mais optimistas de que o cenário possa a ser melhor em termos de resultados.

«Ao nível dos  Recursos Humanos tentámos perceber o que aconteceu e qual o impacto que a pandemia teve nas empresas durante o ano de 2020», refere Carlos Maia. Olhando para os resultados verifica-se que 50% das empresas  referem que as contratações estiveram em linha com o previsto, contudo, cerca de um terço referem que as contratações estiveram aquém  do expectável e 19% acima do previsto. «Isto resultou num cenário face a 2019 de diminuição do número de contratações», revela Carlos Mais, com 77% das empresas a contratar. Relativamente aos despedimentos «assistimos, curiosamente a um ligeiro recuo», afirma o Regional Director na Hays Portugal, «com 40% das empresas a despedir colaboradores».

Analisando os aumentos salariais, assistiu-se a uma grande redução, «passou-se de 54% para somente 45% das empresas a darem aumentos salariais durante todo o ano de 2020». No que diz respeito ao congelamento salarial houve também um aumento, de 18%, «obviamente relacionado com a performance económica das empresas e o mesmo em termos de promoções, com uma redução quase para metade,  de 52 para 29% das empresas a efectuarem promoções em 2020».  Em termos de benefícios houve também uma diminuição.

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«Relativamente aos motivos de despedimento os principais motivos associados são também facilmente compreensíveis», afirma Carlos Maia,  em primeiro lugar surge a quebra do volume de negócio perante o contexto de pandemia (40%), seguido da restruturação que as empresa tiveram que efectuar para fazer face a este cenário de crise (38%) e em terceiro lugar surge a performance dos colaboradores que não esteve em linha com aquilo que era expectável (37%). Outros motivos foram a redução de headcount (23%), e o fim de projectos de caráter temporário (22%).

 

O mercado de recrutamento e suas tendências 

«Desde 2011 que tentamos perceber como está o equilíbrio do mercado perante a oferta e a procura», refere Carlos Maia, «quantas empresas pretendem recrutar e a percentagem de profissionais que pretendem mudar de emprego». O responsável revela que há 5 anos que «não tínhamos um cenário de ter mais profissionais à procura de novas oportunidades do que empresas a recrutar. Seria preciso recuar a 2016 data em que tivemos um valor muito semelhante». Assim, analisando os dados verificamos que nos últimos 5 anos, houve uma maior procura por parte das empresa do que por parte dos profissionais, sendo que neste momento o cenário inverteu-se, com 79% dos profissionais a procurarem novos projectos e 75% das empresas a procurarem contratar.

Em termos das principais tendências de recrutamento durante 2021, em primeiro lugar as empresas vão estar à procura de perfis comerciais (27%), seguidos de profissionais de tecnologias da informação (26%), engenheiros (25%), profissionais de marketing e comunicação (14%), administrativos e suporte (12%) e logística/supply (12%).

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Entre os empregadores que pretendem recrutar engenheiros (tirando os engenheiros informáticos), e dado a grande variedade de especialidades dentro da área, os tipos de engenharia mais procurados em 2021 são engenharia mecânica (44%), engenharia e gestão industrial (38%), engenharia eletrónica (34%), engenharia civil (24%) e engenharia industrial e de qualidade (18%).

Ao nível de tendências regionais, se olharmos para a região Norte, verificamos que está alinhada com o resultado nacional sendo que assistimos a um aumento de profissionais a procurar novos projectos, cerca de 80% versus 74% de empresas que pretendem contratar. As intenções de recrutamento assentam na procura por engenheiros (53%), comerciais (26%), logística/ Supply Chain (21%), marketing e comunicação (16%), tecnologias da informação (13%) e administrativos/suporte (11%).

A região Centro é aquela onde os números parecem mais equilibrados, com 83% dos profissionais a pretenderem mudar de emprego versus 80% das empresas que pretendem contratar. No top de recrutamento nesta região surgem os engenheiros (53%), os comerciais (26%), logística/supply chain (21%), marketing e comunicação (16%), tecnologias da informação (13%) e administrativos/suporte (11%).

Se olharmos para a região Sul verificamos que o equilíbrio mantém-se, com 78% dos profissionais a quererem mudar de emprego versus 74% das empresas que demonstram a intenção de contratar. nesta região as inteções de contratar repartem-se pela tecnologias da informação (30%), comerciais (27%), engenheiros (18%), marketing e comunicação (14%), financeiros (12%) e administrativos/suporte (11%).

 

O mercado de trabalho na era do Covid-19

«Em 2020 além do estudo que serviu de suporte ao Guia do Mercado Laboral para 2021, levámos a efeito um estudo sobre o mercado de trabalho na perspectiva dos empregadores em tempos de covid-19, “O mercado de trabalho na era do Covid-19”», refere o Regional Director na Hays Portugal. Relativamente à retoma de actividade  «temos mais de metade das empresas a prever uma retoma de actividade a demorar mais de seis meses, 29% aponta para uma retoma entre sete meses a um ano e 25% a mais de um ano». De notar que 19% das empresas não verificaram qualquer alteração no ritmo e na dinâmica de negócio durante 2020, «e que se mantiveram particularmente resilientes», assinala Calos Maia.

Neste mesmo estudo a Hays percebeu que o recrutamento remoto é uma tendência que veio para ficar. «Tivemos 90% das empresas a entrevistar candidatos através de videochamada e 69% a contratar candidatos que conheceu através de videochamada», refere Carlos Maia, «as empresas tiveram de se adaptar rapidamente a um confinamento e fizeram-no de uma forma positiva e direta».

No que diz respeito aos resultados com o trabalho remoto, ao nível da produtividade dos colaboradores, 8% diz que piorou, 69% afirma que se manteve e 23% que melhorou. Já no que diz respeito à comunicação entre colaboradores 30% refere que essa piorou, 45% que se manteve e 25% declara ter sentido melhorias. Relativamente à motivação dos colaboradores, 23% das empresas afirmam que piorou, 51% que se manteve e 27% afirmam ter assistido a uma maior motivação por parte dos seus colaboradores. Ao olharmos para o work-life balance dos colaboradores verifica-se que 19% das empresas referem que o mesmo piorou, enquanto 25% afirmam que se manteve e 56% que melhorou.

No estudo “O mercado de trabalho na era do Covid-19”, a Hays também tentou perceber qual é a tendência em termos de teletrabalho, e chegou à conclusão que 55% das empresas não têm politicas de trabalho remoto definidas e que o vão implementar de acordo com as necessidades. «Mas verificamos que 5% das empresas  vão implementar o trabalho remoto um dia por semana, enquanto 9% o vão fazer dois dias, 7% três dias, 2% quatro dias e 12% cinco dias por semana», refere Carlos Maia, reforçando que «ainda temos um longo caminho a percorrer na adopção de politicas de teletrabalho».

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