Os portugueses estão pessimistas quanto à situação económica do país, com mais de metade dos inquiridos (52,1%) num estudo do Observatório da Sociedade Portuguesa da Católica-Lisbon a avaliar as condições da economia como «fracas a muito fracas».
De acordo com o «Estudo da sociedade portuguesa: Felicidade, satisfação, rendimento, poupança e confiança económica» – que contou com 998 participantes e foi realizado entre 27 de Julho e 10 de Agosto – 34,7% dos inquiridos avalia as condições económicas em Portugal como «moderadas» e 23,2% como «boas a excelentes».
No que se refere às expectativas em relação ao futuro das condições económicas no país, quase metade dos inquiridos (48,6%) acredita que vão piorar e apenas 27,6% admite que vão melhorar, considerando 23,8% que vão manter-se inalteradas.
«Os resultados indicam que os participantes têm, em geral, uma visão mais negativa do que positiva das condições económicas em Portugal. Ainda assim, quando comparado ao início da pandemia, o Índice de Confiança Económica aumentou 144,1%, demonstrando um acordar da confiança dos portugueses e destacando o impacto negativo que a pandemia COVID-19 teve na confiança económica», refere a Católica-Lisbon em comunicado.
Em relação ao interesse em poupar, o estudo conclui que «os participantes continuam a mostrar-se cautelosos e inclinados para tal»: 59,3% dos participantes indica ter «muito interesse» em fazê-lo, enquanto 30,4% demonstra ter «algum interesse», 1,7% indica não ter «nenhum interesse» em poupar e 2,4% refere ter «pouco interesse».
Apesar de a maioria dos participantes demonstrar ter «muito interesse» em poupar, o observatório da Católica diz verificar-se «uma diminuição do número de participantes, em cerca de oito pontos percentuais, que assim se posiciona, perante períodos anteriores».
No que concerne aos rendimentos, 49,0% dos participantes indica que «dá para viver» com o rendimento atual, 20,2% considera que é «um pouco difícil», 12,5% declara «viver confortavelmente» com o seu rendimento e 5,1% dos respondentes admite que é «muito difícil viver».
Segundo nota a Católica-Lisbon, a percentagem de participantes que vive confortavelmente com o seu rendimento «aumentou ligeiramente» (1,2 pontos percentuais) face ao período homólogo e subiu 0,3 pontos percentuais face ao início da pandemia (Março 2020).
Analisando os resultados relativos ao bem-estar pessoal, com foco nas dimensões de satisfação com o nível de vida, a segurança e a segurança no futuro, verifica-se que «há uma ligeira subida no número de portugueses insatisfeitos com o seu nível de vida comparativamente a Março de 2020».
«Em Julho de 2021, 2,2% dos inquiridos demonstram-se muito insatisfeitos com o seu nível de vida, o que corresponde a uma subida de 47,0% comparativamente a março de 2020. Já a taxa de participantes que se declarou insatisfeito diminuiu 22,1% comparativamente ao período inicial da pandemia», refere.
Por outro lado, relativamente a março de 2020 observa-se «alguma recuperação» no que diz respeito aos sentimentos de segurança no geral, com uma subida de 18,6% de participantes que reporta estar satisfeito com a sua segurança e um aumento de 57,8% de inquiridos que se revelam muito satisfeitos quanto à segurança no seu futuro.
Um ano e quatro meses após o início da pandemia em Portugal, 69,7% dos inquiridos referiu sentir-se «satisfeito» e 66,1% assumiu sentir-se «feliz» com a sua vida em geral, o que evidencia uma recuperação para níveis semelhantes ao período pré-pandémico, em que estes indicadores registavam (em Novembro de 2019) valores de 69,3% e 68,2%, respectivamente.
«No entanto – destacam os autores do estudo – a percentagem de participantes que se demonstrou muito feliz com a sua vida diminuiu 19,8% quando comparada com o período homólogo, apontando para algum sinal de descontentamento».
O estudo da Católica-Lisbon tem uma amostra constituída por 998 participantes do painel de estudos online daquela universidade, dos quais 542 do sexo feminino e 456 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos.
De acordo com a ficha técnica do estudo, 10,7% dos participantes possui entre 18 e 24 anos de idade, 75,5% possui entre 25 e 54 anos de idade e 13,8% dos participantes possui 55 anos ou mais.
Em comparação com proporções nacionais recolhidas no Censos 2011, o estudo obteve uma proporção superior de jovens e adultos até aos 54 anos de idade e uma proporção inferior de adultos com 55 ou mais anos.














