Trabalho em plataformas online pode melhorar igualdade de género, mas estudo alerta para o perigo de reforçar o sexismo e a discriminação

Human Resources com Lusa
31 de Janeiro 2022 | 14:00
Trabalho em plataformas online pode melhorar igualdade de género, mas estudo alerta para o perigo de reforçar o sexismo e a discriminação

A inteligência artificial e o trabalho através de plataformas online têm potencial para melhorar a igualdade de género na economia, mas o Instituto Europeu para a Igualdade de Género alerta para o risco de aumento do sexismo e discriminação.

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Um estudo do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês) divulgado hoje destaca que homens e mulheres enfrentam riscos diferentes na economia do futuro, onde se inclui o trabalho desenvolvido através de plataformas online ou aplicações nos telemóveis e inteligência artificial.

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«Novas informações mostram que a inteligência artificial e o trabalho em plataforma online têm o potencial de melhorar a igualdade de género na economia. Contudo, há também o perigo de reforçarem o sexismo e a discriminação, ao mesmo tempo que enraízam o trabalho inseguro e a falta de protecção social», alerta o EIGE.

Em comunicado sobre o estudo, o EIGE revela ter entrevistado quase cinco mil trabalhadores de plataformas online para compreender quem são, por que razão fazem este tipo de trabalho e que desafios enfrentam e concluiu que para muitas mulheres esta é uma forma de melhor combinar trabalho com as tarefas domésticas e compromissos familiares, uma realidade assumida por 36% das mulheres, contra 28% dos homens.

«No entanto, esta flexibilidade é uma prática limitada, com muitas mulheres a trabalhar à noite, ao fim de semana, e a horas que não podem escolher», alerta o EIGE.

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Por outro lado, segundo o EIGE, estes trabalhadores podem ser controlados através de software de monitorização do tempo, que deduz o «tempo de baixa produtividade» do salário.

Ferramentas como esta podem «representar uma ameaça particular para aqueles que cuidam de crianças pequenas», salienta o instituto europeu.

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No entanto, «no trabalho em plataforma, há uma maior percentagem de homens que fazem trabalhos tradicionalmente feitos por mulheres do que no mercado de trabalho tradicional».

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Isto inclui trabalho doméstico (mulheres: 54%, homens: 46%), cuidados infantis (mulheres: 61%, homens: 39%) e introdução de dados (mulheres: 47%, homens: 53%).

Na análise do EIGE, «embora isto possa ajudar a desafiar os estereótipos sobre o tipo de trabalho realizado por mulheres e homens, o inquérito mostra que as mulheres com elevado nível de instrução têm mais probabilidades de realizar trabalhos que não correspondem ao seu nível de instrução, o que as coloca em maior risco de perderem as suas competências».

No que diz respeito à inteligência artificial, o EIGE defende que são necessárias mais mulheres, dando como exemplo que na União Europeia e no Reino Unido apenas 16% das pessoas que trabalham em inteligência artificial (AI) são mulheres.

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Esta percentagem ainda diminui mais à medida que há uma progressão na carreira, já que as mulheres com mais de 10 anos de carreira constituem apenas 12% dos profissionais no sector, algo que para o EIGE pode ser justificado com os «ambientes dominados pelos homens e a falta de acesso ao financiamento», que levam a que as mulheres abandonem a indústria.

«Os algoritmos também podem replicar preconceitos e discriminação do mundo real. Um exemplo é a formação de algoritmos com dados tendenciosos para perpetuar as práticas discriminatórias de contratação. Isto pode levar a que os currículos das mulheres sejam automaticamente descartados porque o seu perfil não se encaixa no de pessoas que foram contratadas antes – um problema numa organização composta principalmente por homens», alerta o EIGE.

No entanto, admite que a AI pode ajudar a resolver problemas como a violência baseada no género e dá como exemplo o reconhecimento facial que deteta fotografias de vítimas de tráfico humano em anúncios de serviços sexuais.

Para o EIGE, para garantir que esta ferramenta funciona tanto para homens como mulheres, a União Europeia e os diferentes estados-membro deveriam fazer avaliações de impacto das novas tecnologias no género, exigir que os projectos financiados por dinheiros públicos tenham números equilibrados de homens e mulheres e formem engenheiros e cientistas informáticos sobre como evitar preconceitos.

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Para o EIGE, a UE «está particularmente empenhada» em garantir que as suas políticas protejam mulheres e homens, dando como exemplo o facto de o EIGE ter desenvolvido uma série de ferramentas para ajudar os decisores políticos a alcançar esse objectivo.

Citada no comunicado, a directora do EIGE, Carlien Scheele, que hoje irá falar na conferência ministerial da presidência francesa da UE, sobre a capacitação económica das mulheres, defendeu que a AI e o trabalho em plataformas online, apesar de fazerem parte da economia do futuro, têm de ser concebidos e regulados de maneira a proteger os trabalhadores.

«Esta é a nossa oportunidade de editar os estereótipos seculares, sexismo e discriminação do mercado de trabalho, e de criar uma realidade moderna que sirva tanto as necessidades das mulheres como dos homens», sublinhou.

Segundo o EIGE, mais de 28 milhões de pessoas na UE trabalham actualmente através de plataformas de trabalho digitais. Em 2025, espera-se que o seu número atinja 43 milhões de pessoas. Entre 2016 e 2020, as receitas na economia das plataformas online quase quintuplicaram de um valor estimado em três mil milhões de euros para cerca de 14 mil milhões de euros.

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