A pandemia veio, indubitavelmente, provar que o trabalho remoto é efectivamente possível, clarificando que o trabalho é uma actividade, e não um “espaço” ou “local”, e que os níveis de produtividade não estão diretamente associados às horas passadas no escritório.
Por Marta Alves, Project Manager de Design & Build da Cushman & Wakefield Portugal
A pandemia veio, indubitavelmente, provar que o trabalho remoto é efectivamente possível, clarificando que o trabalho é uma actividade, e não um “espaço” ou “local”, e que os níveis de produtividade não estão directamente associados às horas passadas no escritório.
O fenómeno pandémico proporcionou algum tempo para pensar, ou repensar, prioridades, assim como trouxe um maior conhecimento sobre as (novas) formas de trabalhar, ainda pouco conhecidas por muitos, o que permitiu ver as coisas de outra perspectiva.
Com acesso a esta nova informação, a flexibilidade, possibilidade de escolha e autonomia começaram a ganhar mais importância no quotidiano. O tema da saúde mental, o bem-estar, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ganharam maior relevância, e os benefícios proporcionados pela flexibilidade do trabalho híbrido tornaram-se algo muito valorizado, e do qual as pessoas não querem abrir mão. A vontade de ter um maior controlo sobre onde, como e com quem passamos o nosso tempo é uma realidade, e de acordo com vários estudos, os colaboradores com possibilidade de escolha e controlo sobre onde trabalham, têm um melhor desempenho. Estas novas circunstâncias devem ser alvo de reflexão e análise por parte das organizações, quando planeiam as suas políticas futuras de trabalho.
Assistimos também, em alguns casos, ao fenómeno da resistência no regresso ao escritório. A pandemia e os confinamentos conduziram-nos involuntariamente a uma vida mais isolada, e com o passar do tempo, o hábito ou a rotina de sociabilizar pode ter ficado adormecido(a). No entanto, é importante referir que a socialização é uma necessidade do ser humano, que nos integra num contexto, que garante referências e feedback em relação ao que nos rodeia, e que viabiliza também a aprendizagem. A nossa conexão com os outros melhora a nossa sensação de bem-estar, autoestima e dá-nos um sentimento de propósito. Segundo estudos realizados podemos observar que a saúde mental e o bem-estar são potenciados em colaboradores que vão ao escritório com frequência. Assim, e uma vez que as pessoas têm todas tempos diferentes de adaptação, é importante que sejam acompanhadas no processo de reintegração, para que se sintam seguras e apoiadas nesse percurso.
Desta forma, os colaboradores procuram agora o escritório como um suporte à aprendizagem, ligação à cultura e identidade da organização, e conexão com os colegas. Com base neste pressuposto, o escritório deverá então ser um espaço que promove a interação social, colaboração, bem-estar físico e emocional, proporcionando assim momentos de valor.
Perante toda esta conjuntura de cenários, é importante que as expectativas da liderança e dos colaboradores estejam alinhadas relativamente à visão do futuro, ao significado do escritório, e ao modelo de trabalho híbrido a adoptar. Encontrar uma plataforma de entendimento comum será um princípio base para evitar algumas lacunas que possam ter impacto na performance da organização.
Resumindo, não existe uma fórmula certa, ou mágica, para todas as empresas. Cada organização deverá procurar construir o seu próprio modelo híbrido, reconhecendo que estamos em modo
“test, learn and adapt” e que poderá ser necessário fazer ajustes no futuro e, por isso, é importante que exista essa margem.
Este caminho pode ter início, por exemplo, na reflexão sobre duas questões:
1ª Qual a nossa situação presente?
2ª Qual a nossa visão para o futuro da nossa organização?
A partir daí criam-se as condições para explorar os vários caminhos até ao objectivo.














