Profissionais estão preocupados com o impacto da Inteligência Artificial? Depende do país e do cargo. Quem serão os mais optimistas (e pessimistas)?

Margarida Lopes
27 de Setembro 2023 | 09:40
Profissionais estão preocupados com o impacto da Inteligência Artificial? Depende do país e do cargo. Quem serão os mais optimistas (e pessimistas)?

A nova vaga de soluções de inteligência artificial (IA) generativa está a transformar as empresas a um ritmo acelerado. 36% das pessoas acredita que esta tecnologia vai eliminar os seus empregos, de acordo com o relatório “AI at Work: What People Are Saying”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG).

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O estudo baseia-se num inquérito realizado a 12.800 inquiridos, desde colaboradores a líderes, em 18 países em todo o mundo para compreender de que forma a evolução da IA teve impacto no seu trabalho.

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As opiniões sobre o impacto da IA no local de trabalho variam consoante a região geográfica. Os inquiridos mais optimistas são provenientes do Brasil (71%), Índia (60%) e Médio Oriente (58%), em oposição aos Estados Unidos (46%), Países Baixos (44%) e Japão (40%), que apresentam os valores mais baixos. As regiões mais preocupadas com a tecnologia são os Países Baixos (42%), a França (41%) e o Japão (38%), enquanto no outro extremo estão o Médio Oriente (25%), o Brasil (19%) e a Índia (14%).

A nível global, mais de metade dos inquiridos (52%) classificaram o optimismo como um dos seus dois principais sentimentos, um salto de 17 pontos em relação a 2018, quando este inquérito foi realizado pela última vez. A preocupação registou o declínio mais acentuado, caindo de 40% para 30%.Dentro das organizações, enquanto 62% dos líderes estão optimistas em relação à IA, esse valor baixa para 42% entre os colaboradores. A maioria (62%) dos utilizadores regulares de IA generativa estão optimistas em relação à mesma, em comparação com 36% dos não utilizadores.

Oito em cada dez líderes refere que utiliza regularmente ferramentas de IA generativa, em comparação com apenas 20% dos colaboradores, que constituíam a maior percentagem de não utilizadores (60%) de ferramentas de IA generativa em geral.Mais de um terço dos inquiridos pensa que é provável que o seu emprego seja eliminado pela IA. Para se prepararem para os efeitos desta tecnologia no trabalho, 86% acredita que irá precisar de formação para aperfeiçoar as suas competências. No entanto, apenas 14% dos colaboradores afirma ter recebido formação de actualização de competências, em comparação com 44% dos líderes.

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Apesar das suas preocupações, 71% dos inquiridos acredita que as recompensas da IA generativa superam os riscos. No entanto, também querem que os riscos sejam geridos, 79% acredita que são necessários regulamentos específicos para a IA.

Em vez de esperar que a regulamentação governamental seja promulgada, muitas empresas estão a desenvolver e a implementar as suas próprias estruturas de IA responsável para gerir esta tecnologia emergente de uma forma que se alinhe com o objectivo organizacional e os valores éticos.

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As opiniões dos trabalhadores sobre a eficácia desses programas variam muito: enquanto 68% dos líderes se sentem confiantes sobre o uso responsável da IA pela sua organização, apenas 29% dos colaboradores acredita que as suas empresas implementaram medidas adequadas para garantir que a IA seja usada de forma responsável.

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Os colaboradores estão prontos para aceitar a IA no local de trabalho, mas apenas se estiverem confiantes de que o seu empregador está a utilizar a IA de forma ética e responsável.

O estudo partilha, por isso, três recomendações chave para os líderes:

  • garantir a existência de espaços para a experimentação responsável da IA;
  • investir na actualização regular de competências para ajudar os colaboradores a prepararem-se para as mudanças no seu trabalho e para que tenham sucesso nas suas funções em evolução;
  • priorizar a criação de um programa de IA responsável.
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