Teresa Freitas, EY: «A equidade e a diversidade promovem a criatividade e a eficiência, e aumentam o desempenho e a produtividade»

Tânia Reis
29 de Agosto 2024 | 14:00
Teresa Freitas, EY: «A equidade e a diversidade promovem a criatividade e a eficiência, e aumentam o desempenho e a produtividade»

Ser um “Great Place to Work for Exceptional and Diverse People” é a base na qual assenta a estratégia de Pessoas da EY. A diversidade interna melhora a atracção e retenção de talento, gerando um clima organizacional positivo, contribui para um melhor desempenho e maior produtividade, e resulta em decisões mais equilibradas e maior competitividade global, garante Teresa Freitas, Talent director da EY.

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 Por Tânia Reis

 

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Dos 1700 profissionais alocados nos escritórios de Lisboa e Porto, oriundos de mais de 20 nacionalidades, 53% são mulheres e a média de idades ronda os 31 anos. A diversidade, equidade e inclusão é estratégica para a organização e abrange todos os momentos da experiência do colaborador.

Em que pilares assenta a estratégia de Pessoas da EY?

A nossa visão consiste em sermos um Great Place to Work for Exceptional and Diverse People. Para atingir esta visão temos quatro pilares: (1) recrutar pessoas excepcionais e com um perfil diversificado, de forma ágil e rápida; (2) fazer crescer estas pessoas através de investimento em formação e uma carreira acelerada; (3) mantermos um elevado nível de engagement e compromisso, através de uma estratégia de reward competitiva; e, por fim, (4) termos uma cultura de equipas de alto desempenho baseada em feedback constante. Estes quatro pilares assentam na excelência operacional que consiste na fundação da nossa estratégia.

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Quais os principais desafios que enfrentam actualmente? 

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Actualmente, o nosso principal desafio consiste na escassez de talento, particularmente em áreas tecnológicas. Cada vez é mais observável uma fuga de talento para países estrangeiros e, mais do que nunca, é importante que os nossos governos criem políticas que incentivem os nossos jovens a ficarem em Portugal.

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De momento, quantos colaboradores trabalham na EY?

A EY Portugal é composta por uma equipa robusta e diversificada de 1700 profissionais, que estão alocados nos nossos escritórios de Lisboa e Porto. No que toca à distribuição de género, esforçamo-nos por manter um equilíbrio, contando actualmente com 47% de colaboradores do sexo masculino e 53% do sexo feminino.

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A média de idade ronda os 31 anos, com a maior parte, ou seja, 62%, a situar-se entre os 25 e os 34 anos. É interessante notar que temos também uma representação significativa nas outras faixas etárias, com 17% dos nossos colaboradores entre os 35 e os 44 anos, 10% com menos de 25 anos e 11% com mais de 45 anos.

Quanto à formação académica, 98% têm formação superior, sendo que a maioria, 66%, é formada em áreas como Economia, Gestão, Finanças e Contabilidade. Temos também 22% dos colaboradores com formação em Engenharia, Tecnologia e Ciências e 12% em outras áreas, incluindo Direito, Comunicação, Marketing e Recursos Humanos, o que nos permite ter uma abordagem multidisciplinar nos serviços que prestamos.

No que se refere à diversidade cultural, a EY Portugal é enriquecida pela presença de colaboradores de mais de 20 nacionalidades, com uma predominância de 95% de colaboradores de nacionalidade portuguesa, seguida por 3% de brasileiros e um conjunto de outras nacionalidades que compõem os restantes 2%.

Por fim, é importante referir que fazemos parte do Cluster Portugal, Angola e Moçambique tornando a nossa diversidade muito mais enriquecida.

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Porquê este foco na Diversidade, Equidade e Inclusão?

Num mundo da consultoria e auditoria tipicamente dominado pelo género masculino, não é de admirar que, desde muito cedo, os primeiros esforços da EY em DE&I tenham sido a diversidade de género.

Hoje, é com muito orgulho que os nossos esforços resultaram em 53% de mulheres na nossa empresa, tornando a EY Portugal num best in class comparativamente às nossas congéneres europeias.

Contudo, desde há muito que a diversidade não é só a paridade de género e, nesse sentido, o nosso foco foi alargado para outras áreas da diversidade, nomeadamente background socioeconómico e cultural, LGBTQAI+ e incapacidade.

 

E como se materializa?

Todos os anos realizamos eventos de Women in Leadership, Disability, LGBTQAI+ e Social Background. A EY é membro do ICF – International Community Forum – com a Univerdade Nova de Lisboa, especificamente focado no recrutamento inclusivo. A EY também assinou a carta para a diversidade da União Europeia, em parceira com a APPDI – Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão – através da qual realiza um conjunto de iniciativas para promover a diversidade e inclusão no local de trabalho.

 

De que forma se aplica na política de recrutamento?

Na EY existem oportunidades de recrutamento e carreira para todos, independentemente do género, orientação sexual, background social ou incapacidade. A EY tem KPI de género no recrutamento dos quais resultam a contratação de 53% de mulheres. Existem também KPI de promoção de mulheres a partner.

Todos os anos a EY recruta 200 jovens recém-licenciados das áreas de Gestão, Economia, Ciências, Matemática, Engenharia e Direito, o que promove diversidade de pensamento e background. A EY tem tolerância zero à intolerância e à discriminação e a política de recrutamento é um excelente exemplo disso mesmo.

 

E no onboarding?

O processo de onboarding é desenhado à medida desta diversidade de perfis, tendo também em conta cada área do negócio. Um exemplo muito concreto é termos um intérprete de língua gestual para o onboarding de colaboradores com incapacidade auditiva.

 

Que benefícios tem aportado à empresa?

A equidade e a diversidade estão no centro do recrutamento da EY porque acreditamos que promovem a criatividade e a eficiência, e, por sua vez, aumentam o desempenho e a produtividade. Assumimos o compromisso de implementar e desenvolver políticas e práticas internas de promoção da diversidade e, com a adesão a estas iniciativas, a EY pretende fazer parte activa do processo de inclusão e promover uma comunidade mais inclusiva para pessoas com incapacidade, assumindo um papel activo na cocriação de soluções.

Uma equipa diversa reúne uma vasta gama de experiências, conhecimentos e perspectivas. Isto estimula o pensamento criativo e a geração de ideias inovadoras, uma vez que diferentes abordagens e soluções são consideradas, levando a produtos e serviços mais criativos e competitivos. As equipas diversificadas são também melhores na resolução de problemas complexos. A variedade de pontos de vista permite que as equipas reconheçam potenciais falhas e encontrem soluções mais eficazes e duradouras.

 

E como tem contribuído para o employee engagement e para a atractividade da empresa?

O nosso clima organizacional é medido três vezes por ano através do EY People Pulse e, consistentemente, uma das nossas áreas mais fortes é o sentimento de pertença e envolvimento das nossas pessoas com as pessoas das equipas com quem trabalham. Esta diversidade interna garante uma representatividade da sociedade em geral, melhorando a atracção e retenção de talento e gerando um clima organizacional positivo, pois estimula a criatividade e a inovação, contribui para um melhor desempenho e maior produtividade e resultando em decisões mais equilibradas e maior competitividade global.

 

Que modelos de trabalho têm implementado?

A EY tem um modelo de trabalho híbrido e que assenta no principio Work from the right place at the right time for the right reason. Isto significa que o escritório privilegia o trabalho colaborativo e o remoto privilegia o trabalho individual ou tarefas que exigem maior concentração. Embora não exista a obrigatoriedade de um número de dias fixo no escritório, as equipas encontram-se organizadas por forma a garantir que trabalham colaborativamente no escritório, uma vez que favorece a rápida aprendizagem e melhores resultados.

 

O novo escritório foi desenhado à medida de uma equipa diversa. Que pressupostos estiveram na base do modelo escolhido e como funciona?

O edifício ALLO, que acolhe agora a nova sede da firma em Portugal, é um espaço diverso e inclusivo, em que os espaços colaborativos permitem criar pontes entre todas as equipas e áreas de serviço.

O novo escritório da EY está totalmente preparado para pessoas com mobilidade reduzida, existindo também casas de banho sem género, uma sala para oração, uma sala de jogos com Playstation e matraquilhos e ainda uma galeria de arte.

 

Que outras medidas ou iniciativas implementaram para cuidar das vossas Pessoas?

As pessoas estão no centro da estratégia da EY e, como tal, o well-being é um tema central na estratégia de Pessoas. Todos os colaboradores na EY podem ter até 10 dias adicionais de Excused Leave, como forma de reconhecimento directo do extra-mile realizado. Adicionalmente, a EY dá o dia dos anos, assim como um dia pelo Natal, outro pelo Fim-de-Ano e a tarde de Quinta-feira Santa.

A saúde das nossas pessoas e respectivas famílias são também uma prioridade, pelo que a EY atribui um seguro de saúde para o colaborador, cônjuge e descendentes, 100% suportado pela EY. Paralelamente, existem programas adicionais em Psicologia, Gestão de Stress e Bem-Estar, Dormir Melhor, Põe-te em Forma, Orientação Nutricional e Cessação Tabágica.

 

Acredita que a preocupação das empresas nos temas de DEI tem vindo a aumentar? Porquê?

Efectivamente, a preocupação das empresas com o DE&I tem vindo a aumentar nos últimos anos e penso que um dos factores que para tal tem contribuído foi a publicação da Lei n.º 4/2019, que estabelece o sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%. As empresas dispuseram de um período transitório para dar cumprimento a estas quotas de emprego.

Hoje existe uma maior consciencialização e preocupação em contratar estas pessoas, mas também em adaptar os processos de onboarding, o próprio posto de trabalho e formar as equipas e lideranças que acolhem e integram pessoas com incapacidade.

As próprias empresas de recrutamento têm criado divisões especializadas em recrutamento inclusivo, o que se revelou uma evolução muito positiva, pois somente com um trabalho em equipa entre empresas e parceiros, é possível atingir estes resultados e contribuir activamente para a inclusão de pessoas com incapacidade.

 

Ainda que Portugal ocupe o terceiro lugar do Índice DEI Europeu da EY, há um longo caminho a percorrer. Como analisa a legislação em vigor? É suficiente? De que forma pode ser melhorada?

Genericamente, as quotas são um tema controverso pois se, por um lado, as empresas deveriam ter o equilíbrio certo sem precisarem de quotas, por outro, na realidade tal raramente acontece e, por isso, as quotas são importantes para garantir uma representatividade justa.

A Lei n.º 4/2019 é importante e, apesar dos desafios da sua implementação, penso que as empresas têm feito todos os esforços neste sentido. Contudo, acredito que a legislação poderá ser melhorada a montante da contratação pelas empresas, nomeadamente no acesso ao ensino e, particularmente, ao ensino superior, assim como nas acessibilidades dentro e fora das cidades.

As pessoas com incapacidade física encontram ainda demasiadas barreiras físicas nos acessos aos transportes públicos e que representam verdadeiros obstáculos à integração na sociedade e na vida activa.

 

Que tendências internacionais poderiam ser implementadas ao contexto português?

Claramente uma maior representatividade de mulheres nos boards das empresas. A diversidade de género está correlacionada tanto com o lucro, como com a criação de valor das empresas.

Um estudo da McKinsey de 2017 demonstrou uma correlação positiva entre a diversidade de género nas Comissões Executivas e a performance financeira da empresa: em todo o mundo, empresas do quartil superior em diversidade de género no board têm uma probabilidade 21% maior de terem margem EBIT superior à dos seus pares do quartil inferior; por outro lado, têm uma probabilidade 27% maior de criar valor de longo prazo do que os seus pares do quartil inferior, medido pela margem de lucro económico.

A par da diversidade de género nos boards, também a diversidade étnica e cultural deve permanecer um foco de atenção para todos.

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