Não costuma dizer olá aos colegas? Cuidado, neste país isso já é infringir a lei laboral

Human Resources
16 de Outubro 2024 | 21:00
Não costuma dizer olá aos colegas? Cuidado, neste país isso já é infringir a lei laboral

Segundo um tribunal de Inglaterra, não dizer olá a um colega pode violar as leis laborais, relata o The Telegraph. 

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A decisão vem no seguimento de um processo de despedimento sem justa causa de uma gestora de recrutamento, após se ter queixado de que o seu director-geral se recusou a cumprimentá-la.

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Em Setembro de 2023, por três vezes Nadine Hanson cumprimentou o chefe Andrew Gilchrist quando chegou ao trabalho mas foi deliberadamente ignorada de todas as vezes, contou ao tribunal de trabalho em Leeds. Aparentemente, Gilchrist estava aborrecido com a colaboradora porque pensou que ela estava atrasada, quando, na verdade, estava numa consulta médica.

Nadine Hanson ganhou a acção e a juíza do trabalho Sarah Davies concluiu que o comportamento do superior foi “irracional”. «Esta conduta por parte do director do novo empregador é calculada ou pode minar a confiança. Embora possa não ser, por si só, uma violação fundamental do contrato, foi capaz de contribuir para tal violação.»

Andrew Gilchrist tinha acabado de assumir o cargo de director-geral da Interaction Recruitment que, na altura, contava com 30 escritórios em Inglaterra. A empresa adquiriu outra empresa de recrutamento, não citada no processo, onde Nadine Hanson era gestora de Operações Regionais do Norte.

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Gilchrist viajou para Scunthorpe, no condado de Lincolnshire, para se reunir com Nadine Hanson e dois colaboradores. O tribunal, em Leeds, concluiu que, após uma reunião de apresentação que durou menos de uma hora, o chefe fez um “julgamento instantâneo” injustificado da colaboradora de que ela não estava a fazer a sua parte.

Dias depois, fez uma visita inesperada aos escritórios da empresa e chegou antes de Nadine Hanson, que estava numa consulta médica.

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«Foi um dia agitado porque conseguiram que vários candidatos viessem e fossem entrevistados. Havia cerca de oito candidatos a preencher formulários quando [ela] chegou. A evidência [da Sra. Hanson] é que ela disse bom dia ao Sr. Gilchrist três vezes, mas ele ignorou-a», referiu a decisão do tribunal.

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Gilchrist alegou em tribunal que “não se conseguia lembrar” se disse olá porque estava ocupado, mas disse acreditar ter dito “olá a todos”. O tribunal considerou as suas provas “pouco convincentes”.

Andrew Gilchrist disse então a Hanson para ir para uma sala de reuniões, tendo empurrado o telefone dela enquanto tentava mostrar-lhe o comprovativo da consulta. «Ele disse: “Se não quiser ficar aqui, sugiro que vá embora”». Ao que «Ela respondeu que “depois de 20 anos a trabalhar para a empresa, a única forma de sair é se me despedir”», lê-se no relatório do tribunal.

Segundo o tribunal, uma hora após essa reunião, Andrew Gilchrist enviou um e-mail aos dois subordinados directos de Nadine Hanson dando-lhes um aumento salarial.

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A gestora disse que sentiu-se “humilhada” porque não foi informada. Em Outubro de 2023, entregou o seu aviso prévio de oito semanas, dizendo que se sentia “desvalorizada”. Devido à forma como foi tratada pela chefia durante esse período, obteve uma baixa médica por ansiedade, porém Andrew Gilchrist reteve o subsídio de doença porque considerou que ela estava a fingir.

A juíza Davies decidiu a favor das alegações de despedimento sem justa causa e dedução não autorizada do salário. E alegou que era “implausível” que o Sr. Gilchrist não tenha ouvido a saudação da Sra. Hanson e que a tenha ignorado “deliberadamente” antes de a “criticar directamente”.

«Quando ela lhe disse que a única forma de avançar seria se fosse despedida, ele concluiu que ela não tinha futuro no negócio», revelou a juíza. «Por isso ofereceu aumentos salariais aos seus colaboradores no espaço de uma hora e sem discutir o assunto com ela.»

«A situação não era assim tão urgente… Ele simplesmente não queria mais [a Sra. Hanson] ali», rematou. Nadine Hanson receberá uma indemnização da Interaction Recruitment, com valor a ser determinado posteriormente.

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