Angelo Tonin, FCamara Europe: «O trabalho remoto deixou de ser uma tendência, para passar a ser uma necessidade estratégica»

Tânia Reis
9 de Dezembro 2024 | 10:40

A rápida evolução do sector tecnológico faz com que a procura por profissionais qualificados seja superior à oferta e muitas competências ainda não estão disponíveis no mercado. Quando as há são rapidamente absorvidas, garante Angelo Tonin, General manager da tecnológica FCamara Europe. Por isso, apostam na combinação entre procurar talentos externamente,  desenvolver os colaboradores e formar talento no início de carreira.

Por Tânia Reis

 

Até ao final de 2025, pretendem contratar 200 colaboradores, 50 em regime remoto para contrariar a falta de talento, até porque o talento não tem geografia. O compromisso assumido passa por «criar um ambiente onde as pessoas sintam que podem ser protagonistas das suas próprias histórias». Quanto aos profissionais portugueses, impressionam pelo compromisso, resiliência e trabalho de alta qualidade e destacam-se pelo espírito de equipa.

Lançaram uma campanha de recrutamento de 200 colaboradores até ao final de 2025. Que áreas e níveis de experiência abrangem?

Continue a ler após a publicidade

Nesta fase, estamos com foco em profissionais com especialização em plataformas de negócios como SAP S/4HANA, Salesforce CRM e Microsoft 365, com perfil mais sénior. Para breve, pretendemos abrir também posições para profissionais em início de carreira, assim como para outras disciplinas, como desenvolvimento de software, infraestrutura cloud e cibersegurança.

 

A escassez de talento é real?

Continue a ler após a publicidade

Sem dúvida. O sector tecnológico está em constante ebulição e a procura por profissionais qualificados cresce mais rápido do que a oferta. Profissionais com alta qualificação e proficiência em inglês, oriundos de países emergentes, como o Brasil, Argentina e Colômbia, têm sido desafiados para projectos em outros países, muitas vezes implicando uma mudança de país.

Na FCamara criámos a Comunidade Orange Juice com o objectivo de ajudar a mitigar este problema. Este ecossistema tecnológico apoia tanto iniciantes quanto profissionais experientes na área de tecnologia. Com mais de 22 mil membros, a comunidade promove mentorias, palestras com CTOs e desenvolvimento de planos de carreira. Além disso, a Orange Juice facilita a transição de carreira para o sector de tecnologia.

 

E como vê o cenário no sector tecnológico?

Neste momento, o sector tecnológico está cada vez mais dinâmico, impulsionado por áreas como a inteligência artificial e cibersegurança. Enquanto a inovação avança, as empresas enfrentam uma luta para acompanhar a curva de aprendizagem tecnológica.

Continue a ler após a publicidade

O papel da FCamara é ajudar as empresas a lidar com esta constante mudança oferecendo competências complementares, mas também um repertório alargado de experiências que permita às chefias com responsabilidade executiva, tomar decisões mais assertivas em relação aos projectos de tecnologia.

No nosso caso particular, acreditamos que a união da prática de inovação, tecnologia digital e conhecimento de indústria criam uma combinação única para ajudar as lideranças a transformar ideias em realizações e resultados concretos, de forma mais rápida e eficaz.

 

Por que acredita que há dificuldades em encontrar talento?

O sector evolui tão rapidamente que muitas competências ainda não estão disponíveis no mercado. Quando há são rapidamente absorvidas. Podemos dizer que a arena competitiva para profissionais de alta qualificação é global, e a competição por estas pessoas é feroz. Por isso, apostamos fortemente na combinação entre procurar talentos externamente, desenvolver as pessoas que já estão connosco e também formar e desenvolver talento externo no início de carreira.

 

A operação da FCamara na Europa já conta com colaboradores em Portugal, Países Baixos, Bélgica. Vê diferenças nesses países entre a forma de trabalhar, profissionais e competências?

Claro, cada país tem a sua essência! Os portugueses são conhecidos pela sua adaptabilidade e compromisso. Nos Países Baixos, a cultura é mais pragmática e orientada para processos. Já na Bélgica, a multiculturalidade enriquece o trabalho em equipa.

 

Destas vagas, 50 estão disponíveis em regime remoto. Porquê essa distinção?

A distinção para vagas remotas serve um pouco para contrariar a falta de talento. O trabalho remoto deixou de ser uma tendência, para passar a ser uma necessidade estratégica. Reconhecemos que o talento não tem geografia e oferecemos estas vagas para atrair profissionais em qualquer parte do mundo.

 

Que importância assume o tema da conciliação vida pessoal e profissional nos profissionais de hoje?

Os profissionais precisam de equilíbrio. Acreditamos que um modelo híbrido permite que o colaborador tenha o melhor dos dois mundos: conexão humana no escritório e flexibilidade para gerir a sua vida pessoal.

Como empresa, estamos comprometidos em criar um ambiente onde as pessoas sintam que podem ser protagonistas das suas próprias histórias, ao mesmo tempo que podem experimentar e praticar diferentes possibilidades de desenvolvimento profissional. A nossa visão é que esta combinação é poderosa e viabiliza a entrega de um elevado padrão de serviço ao cliente, associado à fidelização do profissional para com a FCamara. Na FCamara, preferimos falar do conceito de fidelização de talentos, não de retenção. Para nós, os talentos não precisam de ser “retidos”, mas sim envolvidos e inspirados. Queremos que tenham orgulho de trabalhar connosco e percebam o valor de uma parceria baseada em confiança, crescimento mútuo e objectivos partilhados.

 

Algumas vagas são em Portugal. Que principais características destaca nos profissionais portugueses (em termos de hard e soft skills)?

Os profissionais portugueses impressionam pelo compromisso, resiliência e trabalho de alta qualidade. São fluentes em inglês, o que facilita os projectos internacionais, e possuem hard skills robustas em áreas como desenvolvimento de software e infraestrutura tecnológica. Em termos de soft skills, destacam-se pelo espírito de equipa.

 

Em Portugal, além do modelo híbrido, que outros benefícios disponibilizam aos candidatos/ futuros colaboradores?

Além do modelo híbrido e do apoio à realocação, a FCamara tem o apoio de uma comunidade envolvida e colaborativa. Aqui, cada profissional tem a oportunidade de contribuir e aprender num ambiente que promove a troca constante de informações e conhecimentos, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento pessoal e profissional. Esta rede de apoio cria um ambiente propício para a evolução pessoal, onde cada interacção impulsiona o crescimento.

 

Enquanto empresa tecnológica, como vê os impactos da IA no futuro do trabalho?

Estamos atentos à influência desta tecnologia e recentemente criámos um Centro de Investigação e Desenvolvimento de Aplicações com Inteligência Artificial. A automação de tarefas e o uso de IA para decisões mais assertivas vão transformar a forma como as empresas operam, criando uma nova dinâmica de trabalho e inovação. Haverá um aumento na eficiência, na personalização de produtos e serviços e na utilização de dados em tempo real. No entanto, também exige um upskilling constante para acompanhar a evolução e maximizar os benefícios desta tecnologia.

Partilhar


Mais Notícias