Na Quinta da Comporta, a geografia é o principal desafio no recrutamento. Mas há o reverso da medalha

Human Resources
19 de Março 2025 | 12:20

A distância dos grandes centros urbanos é o maior obstáculo ao recrutamento, porém é no desenvolvimento da zona e da concorrência que reside a grande janela de oportunidade para a Quinta da Comporta. Por enquanto, para mitigar esse desafio, participa pela primeira vez nas Feiras de Emprego do Turismo da Bolsa de Empregabilidade.

 

Por Tânia Reis

 

Integrada no município de Alcácer do Sal, a Quinta da Comporta materializa o encontro entre o design e a natureza. Com pouco mais de 130 trabalhadores, este ano participa pela primeira vez nas cinco Feiras de Emprego do Turismo, promovidas pela Bolsa de Empregabilidade. O objectivo é «ter a oportunidade de contactar com escolas e profissionais da área que estão à procura de um novo desafio na sua carreira», destaca Patrícia Barbosa, responsável de Recursos Humanos da Quinta da Comporta, acrescentando que, «pela sua dimensão e capacidade agregadora», constitui igualmente uma «manifesta vantagem competitiva», e uma boa montra para mostrar o hotel e chegar aos perfis mais apelativos e potenciais talentos. «Serão milhares de pessoas que nos poderão conhecer, trocar impressões e, até, pensar num plano de cariz profissional com a Quinta da Comporta. E isso entusiasma-nos.»

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Considerando que a área da hotelaria inclui Alojamento, Food and Beverage, Spa, Bem-Estar, Saúde, entre outros, procuram perfis generalistas. «Acima de tudo, procuramos perfis especializados, bem como novos talentos com formação na área, que estejam a formar-se e a investir, no sentido de depois crescerem connosco e desenvolverem a sua carreira na Quinta da Comporta.»

Para a responsável de Recursos Humanos, motivação, humildade e vontade de aprender são as competências mais procuradas e valorizadas, «aspectos mais importantes do que a formação técnica», assegura. «Temos as melhores ferramentas para ensinar e dar formação, inclusivamente, on-the-job, no sentido de se desenvolverem e trabalharem connosco. O nosso perfil, as nossas competências pessoais, emocionais e relacionais são bem mais relevantes nos dias de hoje.»

Actualmente, contam com 136 colaboradores, 65% dos quais do género masculino e 52% não são de nacionalidade portuguesa, mas o perfil que procuram não dá preferência por qualquer género ou nacionalidade, salienta Patrícia Barbosa. «O que se verifica é que, no decorrer dos processos que temos promovido, deparamo-nos com a conversão nestes dados.»

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Na Quinta da Comporta, o grande desafio passa por encontrar soluções face à localização, garante. A participação nestas feiras da Bolsa de Empregabilidade serve precisamente para mitigar o facto de estarem localizados numa zona com algumas limitações em termos de recrutamento. «Geograficamente, temos algumas dificuldades. Por nos encontramos numa região mais afastada, não temos uma grande cidade que alimente os nossos processos de recrutamento. O que temos mais perto é Setúbal, e não há assim tanta mão-de-obra qualificada na cidade.»

O recrutamento, de norte a sul do País, leva a que muitos profissionais, maioritariamente jovens, se encontrem deslocados das suas casas, das suas famílias e vida social. «E tal é desafiante, pois é fulcral mantê-los connosco ao longo do ano», numa zona com limitações a nível de comércio ou actividades de lazer. «Para a nossa organização, esse é o grande desafio na contratação e na gestão dos recursos humanos», admite. Ainda assim, há o reverso da medalha. «Este é um sector em franco desenvolvimento. E Grândola está a evoluir e a criar um crescente impacto em toda a envolvente», o que faz com que mais pessoas se desloquem e procurem a região. «A nossa grande janela de oportunidade está exactamente no desenvolvimento da região, ao nível da criação de novas unidades hoteleiras. Parece um paradoxo, mas a maior concorrência abrirá espaço para chegarmos a mais recursos humanos.»

 

Aposta nas infra-estruturas
A política de Gestão de Pessoas da Quinta da Comporta assenta em duas grandes traves-mestras, a gestão de carreira e a progressão interna, e as suas estruturas contam com vários colaboradores que começaram por estagiar no hotel e que foram integrados nos quadros da empresa e na equipa, algo simultaneamente «aliciante e gratificante», realça a responsável. «E isso continua a verificar-se, é um padrão no hotel. Ou seja, apostamos muito naquilo que é a formação e a progressão. Cientes de que quem entra deseja subir, crescer e desenvolver-se.»

Para promover a fidelização e o engagement dos colaboradores (e ultrapassar os “desafios geográficos”), fizeram um forte investimento no alojamento, uma valência cuja resposta ganha maior e melhor qualidade, assegura.

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Outro aspecto estratégico e que concentra os máximos esforços no curto prazo é o da cadeia de transportes públicos, envolvendo obviamente interacção com o município. «Temos connosco muitos jovens, que não têm carta ou entraram há muito pouco tempo no mercado de trabalho, pelo que não tiveram possibilidade de adquirir um veículo.»

Pretendem também investir em áreas de lazer e de bem-estar, como um ginásio, para que os colaboradores possam fazer algum exercício físico e descarregar as energias ao final do dia.

Personalizar os alojamentos disponíveis também é outro projecto, refere. «Actualmente, temos um segundo hotel que funciona como alojamento de staff. Contudo, gostávamos de lhes proporcionar uma maior intimidade, onde possam descansar e relaxar dentro das suas próprias condições.»

 

Bolsa de Empregabilidade
Ainda que feiras de emprego como as da Bolsa de Empregabilidade permitam às empresas apresentar as suas oportunidades de carreira e dar a conhecer aos alunos que estão prestes a terminar os seus cursos oportunidades dentro de portas para que não saiam do País, Patrícia Barbosa está convicta de que que o factor que tornaria o sector mais atractivo é a questão salarial. «O nosso mercado tem de ser um pouco mais competitivo, sempre, e não apenas em períodos de época alta ou em zonas reconhecidas por maior oferta quanto a lazer e consequente afluência.»

O Turismo em Portugal vai continuar a crescer e a desenvolver-se, acredita, até porque o País oferece qualidade, seja nas características endógenas, seja na capacidade de saber receber. «Não acredito que não continuemos a ser uma referência. Agora, se queremos continuar a ser aliciantes, temos de desenvolver e dar emprego aos jovens talentos que querem investir na área», defende.

 

Este artigo foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 170) da Human Resources, nas bancas.

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