Quando falha a luz, acende-se a liderança

Human Resources
5 de Maio 2025 | 21:00
Quando falha a luz, acende-se a liderança

Por Valter Alcoforado Barreira, especialista em Competências de Business Networking, Negociação e Liderança

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Gosto particularmente da seguinte definição de liderança, pela sua simplicidade, abrangência e utilidade prática: “A liderança consiste em ajudar qualquer grupo de duas ou mais pessoas a atingir os seus objectivos comuns.” Nas duas pessoas já se inclui o líder e a frase é do autor Les McKeown, no livro “Para Liderar Não Basta Mandar”. Esta visão democratiza a liderança: torna-a acessível a qualquer pessoa, em qualquer contexto.

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Na passada segunda-feira, 28 de Abril, por volta das 11h30, Portugal Continental viveu um raro apagão de electricidade e comunicações. Pararam os semáforos, os pagamentos electrónicos, os serviços digitais e até os telemóveis. No meio da escuridão e do silêncio tecnológico, emergiram pequenas grandes acções — actos de liderança quotidiana — que fazem toda a diferença. Aqui partilho sete exemplos reais:

  1. Um restaurante serviu refeições a clientes, mesmo sem poder cobrar, confiando que regressariam para pagar quando os sistemas estivessem operacionais.
  2. Uma condutora parou numa via e cruzamento movimentado para deixar passar peões, já que os semáforos estavam desligados. O seu gesto contagiou outros condutores, que seguiram o exemplo.
  3. Um casal de avós foi buscar o neto à escola, sabendo que os seus pais estavam fora, acolhendo-o e cuidando dele até ao fim do dia.
  4. Moradores de um prédio deixaram a porta principal encostada para que vizinhos e visitas pudessem aceder aos apartamentos, apesar da noite já ter caído, pois as campainhas não funcionavam.
  5. Uma colega de trabalho convidou outro, que vive sozinho, para jantar em sua casa e partilhar a companhia da sua família.
  6. Uma adolescente, apesar da pouca bateria no seu tablet, emprestou o seu power bank ao colega do pai, garantindo que este poderia aceder ao seu telemóvel.
  7. Um pai saiu de casa para ir buscar a filha, profissional de saúde, ao hospital, assegurando-lhe transporte seguro para casa.

Não se trata de liderança heróica. Estes gestos não surgem em palcos, nem envolvem discursos ou decisões grandiosas. São formas reais e discretas de liderança — liderança quotidiana, aquela que se revela nos pequenos gestos que ajudam pessoas a superarem desafios juntos.

São estas expressões silenciosas de cuidado, responsabilidade e sentido comunitário que nos mostram que todos podemos ser líderes. Não é preciso cargo, nem autoridade formal. Apenas a vontade de ajudar, de contribuir para um bem comum.

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Todos os dias, em qualquer contexto, podemos escolher brilhar — mesmo no escuro.

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