Na 29.ª Conferência Executive Digest subordinada ao tema “As reformas necessárias e os entraves | As barreiras a derrubar”, que decorreu no dia 4 de Novembro, na Culturgest, Raul Neto, CEO da Randstad Portugal deixou um alerta a um dos maiores riscos para a nossa economia, a escassez de talento, e traçou os caminhos para se combater esta realidade.
Por André Manuel Mendes
Durante a sua apresentação “Optimizar a força de trabalho: Enfrentar a escassez e promover o crescimento económico”, Raul Neto admitiu que temos um problema de escassez de talento. «Porque é que isto é um problema? Está identificado como um dos maiores riscos para o crescimento da nossa economia», sublinhou.
OPORTUNIDADES
No que respeita à emigração, em 2023 a população estrangeira residente ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de pessoas, o que tem também ajudado no rejuvenescimento da população activa em Portugal. Para além disso, estes emigrantes são potencialmente aproveitados em tarefas que não requerem grande qualificação, destacou.
Mas esta imigração não se faz sem risco, para os quais são necessárias reformas. Traz desafios de integração cultural, de adequação às necessidades do mercado, com alguns destes emigrantes a serem sobrequalificados para os cargos que são necessários ocupar, e ainda um desafio de integração sócio-económica, com risco de pobreza, exclusão social e exploração laboral.
Raul Neto destacou ainda que é necessário potenciar o talento jovem existente, desenvolvendo o mercado de trabalho em sectores que melhor potenciem a qualificação disponível e diminuindo o desemprego jovem. Para além disso, é necessário alimentar a atractividade e retenção, através da resposta aos aspectos que são mais apreciados pelas gerações mais jovens como o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, ou ainda aproximando os níveis de remuneração e benefícios à média europeia, via aumento da competitividade das empresas.
Outra dimensão que deve e pode ser potenciado está relacionado com o trabalho sénior. «Continua a não ser potenciado na sua totalidade.» A taxa de desemprego sénior tem vidno a aumentar, mas é importante que consigamos criar estratégias para reter e potenciar este talento, altamente capacitado de conhecimento e experiência que podem ser transferidos para as novas gerações.
No que respeita a legislação laboral, as novas gerações exigem maior flexibilidade. Como? Actuando como facilitador para o crescimento económico, salvaguardando os direitos e os deveres, mas indo de encontro às tendências socio-económicas e às preferências das novas gerações, como por exemplo questões de flexibilidade nos contratos ou o teletrabalho.
Fonte: Executive Digest














