Ana Cardeira, Quinta do Lago. Flexibilidade laboral: o futuro do trabalho em Portugal

Human Resources
17 de Novembro 2025 | 13:20

No seu comentário à LXI edição do Barómetro Human Resources, Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago, salienta que «a flexibilidade surge, assim, como um eixo central para garantir que empresas e trabalhadores possam adaptar-se com agilidade às novas dinâmicas económicas, tecnológicas e sociais».

«O anteprojecto “Trabalho XXI” representa uma resposta necessária às profundas transformações que o mercado de trabalho tem vindo a sofrer. De acordo com o Barómetro Human Resources: 71% dos profissionais concordam com a maioria das medidas (Q1) e 69% consideram que o projecto contribui de forma importante para a modernização do mercado laboral (Q10). A flexibilidade surge, assim, como um eixo central para garantir que empresas e trabalhadores possam adaptar-se com agilidade às novas dinâmicas económicas, tecnológicas e sociais.

É essencial distinguir flexibilidade de precariedade. A flexibilização da lei laboral não deve significar a erosão dos direitos dos trabalhadores, mas sim a criação de condições que permitam ajustar contratos, horários e modelos de trabalho às necessidades reais de cada contexto.

As empresas enfrentam hoje desafios complexos: escassez de talento, pressão competitiva, necessidade de inovação e exigência de maior produtividade. Para responder a estes desafios, precisam de modelos de gestão mais dinâmicos, que lhes permitam contratar, formar e reorganizar equipas com rapidez. A legislação laboral deve ser uma aliada neste processo. Medidas como a revisão dos contratos a termo, a eliminação do alargamento do período experimental para jovens e desempregados de longa duração, ou a flexibilização da formação contínua para microempresas, são exemplos de como a lei pode apoiar a agilidade empresarial sem comprometer a justiça social.

A modernização do trabalho não se faz apenas ao nível das empresas. Os trabalhadores também beneficiam de uma legislação mais flexível, que lhes permita negociar condições, escolher modelos híbridos e desenvolver competências em ambientes mais adaptáveis.

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A percepção de que o anteprojecto contribui para a modernização (Q10) reflecte uma valorização crescente da autonomia e da participação dos trabalhadores na definição das suas condições laborais. A flexibilidade, neste sentido, é uma ferramenta para promover o bem-estar, a motivação e a retenção de talento.

Estas medidas procuram responder a uma realidade em que o trabalho é cada vez mais fluído, interconectado e orientado por resultados. A legislação deve acompanhar esta evolução, promovendo modelos que valorizem a produtividade, a inovação e a inclusão.»

 

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Este testemunho foi publicado na edição de de Outubro (nº. 178) da Human Resources, no âmbito do seu LXI Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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