José Luís Carvalho, CUF: No trust… ou trust more?

Human Resources
18 de Novembro 2025 | 12:20

Fala-se muito na necessidade de proteger as respectivas empresas de abusos dos colaboradores. Mas e na necessidade de confiar? Qual o risco, para as empresas, de não confiar nas pessoas? 

 

Por José Luís Carvalho, director de Gestão de Pessoas da CUF

 

Escrevo estas linhas depois de ter assistido, numa conferência, à partilha do CEO de uma empresa de cibersegurança. Nessa partilha, ele referiu que os produtos que desenvolve têm uma matriz, um conceito por detrás que é “no trust”. Por defeito, desconfiam de todos, mesmo todos, os que tentam aceder às ferramentas e aos programas informáticos.

Continue a ler após a publicidade

Neste contexto, da segurança informática, com todos os ataques e impactos de que ouvimos falar, percebi bem a ideia, mas lembrei-me de fazer uma viagem até à Gestão de Pessoas e ao conceito de “no trust”.

Não é raro ouvirmos profissionais de Recursos Humanos (RH) falarem sobre a necessidade de proteger as respectivas empresas, sobre abusos dos colaboradores, sobre a necessidade de controlo total ou até sobre a necessidade de formalizar tudo e mais alguma coisa para o caso de…

E se mudássemos esta mentalidade de “no trust” para “trust more”? Segundo os últimos dados, Portugal está em pleno emprego e há uma grande escassez de talento, tanto em quantidade como em qualidade, com a necessidade de requalificação e o advento da inteligência artificial (IA).

Continue a ler após a publicidade

Estamos, na minha opinião, no contexto ideal para realmente confiarmos nas nossas pessoas e evoluirmos de um conceito de no trust ou trust mínimo para uma lógica de parceria, com crescimento e desenvolvimento das organizações e das suas pessoas.

A minha experiência, ao longo desta jornada como responsável de RH, mostra-me que os riscos são incomparavelmente inferiores aos riscos de segurança informática.

Como em tudo na gestão, temos de encontrar o equilíbrio e temos de pensar que, ao implementarmos os processos de controlo para encontrarmos um prevaricador, provavelmente estamos a complicar e a burocratizar a vida a muitos colaboradores. Chama-se “gerir trade-offs”, e esta é a principal missão das lideranças e dos Recursos Humanos.

Alguns exemplos deste controlo prendem-se com riscos de compliance, de permanência de situações onde queremos flexibilidade ou até de receios em relação ao futuro do negócio.

Tudo compreensível, mas que nos leva a este sentimento de desconfiança e que, o que considero poder ter um impacto muito negativo, pode levar a um efeito boomerang, isto é, pode levar a que as pessoas também desconfiem das lideranças ou dos Recursos Humanos.

Continue a ler após a publicidade

Como nunca estamos numa folha em branco, mas sim num comboio em alta velocidade, esta transformação pode ser mais faseada, onde será crucial trabalhar com as lideranças e reforçar o tema da autonomia, mas onde a visão do futuro entre uma empresa e as suas pessoas terá de ser de total confiança.

Como ouvi o professor Miguel Pina e Cunha dizer, todos temos três “lugares”: o primeiro “lugar” da família, o segundo “lugar” do nosso trabalho e um terceiro “lugar” onde devemos ter o nosso momento de reflexão e paragem.

Este segundo “lugar” tem de ser, tal como o primeiro, um lugar de desenvolvimento, de crescimento e de alinhamento, que só se consegue com confiança entre todos.

Este é um grande desafio para as direcções de Recursos Humanos e que envolverá mudança de mentalidades e de cultura.

Vamos a isso?

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Outubro (nº. 178) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

Partilhar


Mais Notícias