
Estas tendências tecnológicas vão marcar o sector empresarial este ano. Está preparado?
A Colt Technology Services (Colt), empresa de infraestruturas digitais, anuncia as principais tendências tecnológicas e de mercado que prevê virem a dominar a agenda dos Chief Information Officer (CIO) este ano.
São elas:
Maturidade da IA
1. Novas formas de gerar ROI com a IA
As empresas continuam a realizar grandes investimentos em IA, mas o retorno financeiro (ROI), a criação de valor e a monetização constituem desafios difíceis de superar. O estudo da Colt mostra que uma em cada cinco empresas em todo o mundo investe já 750 mil dólares anuais em IA, enquanto, segundo um estudo recente do MIT, 95% dos inquiridos afirmaram não ver qualquer retorno dos seus investimentos.
Esta discrepância entre investimento e retorno mensurável deverá diminuir em 2026, à medida que os projectos de IA amadurecem, começando a gerar ROI e permitindo às empresas encontrarem novas formas de criar valor com a IA. Prevê-se igualmente que mais fornecedores venham a integrar avaliações de maturidade e modelos estruturados de ROI para ajudar as empresas a definir, monitorizar e quantificar o valor gerado pelas suas ferramentas de IA.
2. Inferência de IA e Agentic AI
No ano de 2026 veremos a inferência de IA atingir um novo nível de maturidade, passando da fase da experimentação para a da integração no ambiente de TI das empresas, extraindo informações, fazendo descobertas e previsões, permitindo assim a tomada de decisões mais inteligentes e contextualizadas em tempo real. A McKinsey prevê que a inferência de IA venha a representar a maioria das cargas de trabalho de IA até 2030.
Este será um fenómeno que não ficará circunscrito ao mundo empresarial, visto que a Agentic AI, estimulada pela inferência, será a grande impulsionadora da automação e da digitalização das tarefas quotidianas dos consumidores, desde a gestão da privacidade e cuidados de saúde, até ao agendamento e gestão de tarefas domésticas, de acordo com um estudo da IEEE.
3. IA e Redes de Longa Distância (WAN)
Muitas das conversas da Colt com os clientes focam-se na capacidade da infraestrutura digital para gerir e optimizar o desempenho, a latência e a segurança exigidos pelas cargas de trabalho em IA. A WAN IA destaca-se no âmbito das redes de SD-WAN de longa distância, especificamente concebidas para cargas de trabalho de IA, capazes de ajustarem o tráfego de forma dinâmica e de garantirem elevados níveis de desempenho e de segurança dos dados críticos nas aplicações.
4. Inovação em tecnologias de rede mais sustentáveis impulsionada por alterações no tráfego
As cargas de IA transmitidas pelos cabos transatlânticos aumentarão em 2026 e estima-se que cresçam dos actuais 8% de capacidade total para 30% até 2035, aumentando a pressão nas rotas mundiais. Testes de tecnologias inovadoras e parcerias internacionais já estão a abrir caminho para novas soluções, capazes de aumentarem os níveis de desempenho sem elevarem o consumo de energia ou agravarem as emissões de carbono.
5. IA Soberana
Com o crescimento do investimento em IA e a implementação de novos quadros regulamentares nas principais economias, o conceito de IA Soberana ganha cada vez mais relevância. Em 2026, tornar-se-á uma prioridade para os CIO, à medida que países e organizações procuram desenvolver e operar os seus próprios sistemas de IA, sustentados pelos seus próprios dados, infraestruturas, equipas e regras.
Modelos As-a-Service
1. NaaS 2.0
O mercado NaaS continua a crescer, impulsionado por fatores como a IA, o edge computing, a adoção da cloud e a necessidade de as empresas se tornarem mais flexíveis e ágeis no contexto de um mercado global cada vez mais volátil. O estudo da Colt revela que 58% dos 1500 CIO inquiridos para este estudo estão já a aumentar a utilização de funcionalidades de NaaS devido às crescentes exigências da IA.
Em 2026, veremos o NaaS evoluir para satisfazer as exigências da era da IA, ultrapassando o seu papel tradicional de suporte às experiências digitais. A próxima geração das NaaS será inteligente, automatizada e orientada ao desempenho, concebida para oferecer resultados em tempo real, maior capacidade de adaptação e de autonomia para as empresas que utilizam a IA nas suas operações diárias.
Segurança Quântica
1. Aumento do investimento à medida que o “Q Day” se aproxima
Os CIO são pressionados para proteger os dados e as infraestruturas das suas empresas dos riscos emergentes. Com os governos e as empresas a compreenderem melhor todo o potencial inerente à computação quântica, as atenções e os investimentos viram-se agora para a segurança quântica.
A Forrester no seu 2026 Technology and Security Predictions report prevê que os investimentos em segurança quântica venham a ultrapassar 5% do orçamento total das empresas para as TI em 2026. Por seu turno, a The Quantum Insider estima que o mercado da segurança quântica atingirá os 10 mil milhões de dólares, crescendo mais de 50% ao ano até 2030.
Os métodos tradicionais de criptografia de dados estão em risco de ser quebrados por computadores quânticos. Este é um momento conhecido como Q Day, que se prevê venha a ocorrer já em 2030. Tecnologias como a criptografia pós-quântica (PQC) e a distribuição quântica de chaves (QKD) protegem o tráfego contra este risco. Em 2026 prevemos novos avanços, testes e muitas inovações na protecção dos dados contra os riscos quânticos.
2. Tecnologias LEO e computação quântica
O ano de 2026 será de viragem para os satélites em órbita terrestre baixa (LEO). Estão previstos lançamentos de novas infraestruturas e serviços essenciais para disponibilizar a conectividade nas zonas rurais ou remotas e para reforçar a resiliência das comunicações e das infraestruturas digitais das empresas.
A Colt planeia testar em 2026 a distribuição de chaves quânticas através das ligações dos satélites em órbita terrestre baixa. Desta forma será possível efectuar a troca segura de chaves de encriptação simétricas através da utilização de tecnologia quântica e ultrapassar as limitações das ligações terrestres que advém da distância. Além disso, em 2026, a Colt e os seus parceiros irão experimentar novas tecnologias e modelos, tanto no fundo do mar como no espaço, que contribuirão para aumentar os níveis de segurança quântica nas redes globais.
Modelos de Cloud Híbrida
1. Multicloud, Cloud híbrida e edge
Em 2026 os modelos multicloud irão tornar-se o novo normal, com as empresas a procurarem cada vez mais flexibilidade e resiliência. As APIs e as interligações seguras entre fornecedores e hyperscalers estão a tornar-se mais simples, competitivas e acessíveis em termos de preço e através dos agregadores.
O edge computing continuará a crescer em 2026 e nos anos vindouros, impulsionado pela expansão da inferência de IA, pela análise em tempo real e pelas exigências da soberania dos dados. Os fornecedores de cloud de nova geração estão a dar prioridade à implementação da infraestrutura no edge computing, processando os dados mais perto do ponto onde são gerados, enquanto os hyperscalers se concentram na escala e na capacidade de computação em locais centralizados. Ambas as estratégias são necessárias e complementares: o edge computing exige uma infraestrutura altamente distribuída e localizada, que complementa a cloud centralizada utilizada para a computação intensiva e para o armazenamento alargado.
Quadros regulatórios mais exigentes e rigorosos
O ano de 2026 será igualmente marcado pela emergência de um conjunto de novas obrigações de reporte, de mais regulamentações e normas que afectarão os CIO, especialmente no que diz respeito à IA e à cibersegurança.
A maioria das obrigações constantes do AI Act da UE serão aplicadas a partir de 2 de Agosto de 2026, enquanto a implementação de certos requisitos para os sistemas de IA de alto risco poderá vir a ser adiada. A partir de Setembro de 2026 deverão entrar em vigor as obrigações de reporte do Cyber Resilience Act da UE. As obrigações faseadas deverão continuar depois de Setembro de 2026 ao abrigo da Data Act da UE.