Portugal é o país europeu com maior percentagem de mulheres entre inventores

Human Resources com Lusa
4 de Março 2026 | 10:40
Portugal é o país europeu com maior percentagem de mulheres entre inventores

Portugal é o país europeu com maior percentagem de mulheres nas equipas de inventores, segundo um estudo internacional que alerta, no entanto, para a “fuga de talentos” femininos e consequente sub-representação nas descobertas patenteadas e startups.

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O relatório publicado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) mostra que há cada vez mais mulheres inventoras com pedidos de patentes, mas continuam a ser uma minoria: Em Portugal, em cada 100 inventores, apenas 30 são mulheres (29,3%). Na Europa, a média desce para 13,8%.

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Portugal surge em primeiro lugar, seguido pela Espanha, numa lista de 22 países, em que a Alemanha, a Hungria e a Áustria aparecem nos últimos lugares, com taxas a rondar os 10%, segundo o relatório “Promovendo as mulheres nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) – Uma avaliação baseada em dados sobre a disparidade de género no ecossistema de inovação europeu”.

Nas últimas décadas, a presença feminina nas equipas inventivas tem crescido, mas “muito lentamente”, defende Cristina Margarido, examinadora de patentes da OEP.

O estudo alerta para uma “fuga de talentos”, já que há cada vez mais mulheres em licenciaturas das áreas STEM que vão desaparecendo à medida que se avança na carreira. Entre as doutoradas, são poucas as investigadoras que registam patentes ou criam empresas tecnológicas (startups).

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«Este padrão sugere que as mulheres enfrentam barreiras cada vez mais pronunciadas ao avançarem em carreiras ligadas às STEM e impulsionadas pela tecnologia», sublinha o presidente da OEP, António Campinos.

Para António Campinos, «a Europa não pode dar-se ao luxo de deixar o talento à margem», até porque existe um potencial de inovação que fica por explorar.

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A ideia é corroborada por Cristina Margarido, que ficou surpreendida com a elevada percentagem de startups exclusivamente masculinas: «Temos muitos grupos mistos a fazer investigação e desenvolvimento, mas depois os fundadores de empresas tecnológicas são quase todos homens».

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O estudo diz que apenas um em cada dez fundadores é do sexo feminino. Também aqui Portugal e Espanha se destacam pela positiva: Em Espanha, 19,2% das startups têm mulheres entre os fundadores e em Portugal são 15,7%.

Na Europa, apenas 13,5% das startups com patentes contam com, pelo menos, uma mulher fundadora. Todas as outras – mais de 85% – são compostas apenas por homens.

Cristina Margarido diz que o potencial inventivo das mulheres é comparável ao dos homens, mas as suas patentes têm muito menos reivindicações e menos citações.

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Cientistas premiadas e entrevistadas para o estudo admitiram que «à medida que vão subindo, não têm quem as incentive nem quem as promova», contou.

O relatório aponta também para barreiras no momento de abrir uma empresa. A equipa que realizou o relatório ouviu histórias de mulheres que contaram que, quando andavam à procura de financiamento, eram “muitas vezes a única mulher na sala”.

«Será mais provável aos nove homens que ali estão darem apoio financeiro a uma startup representada por homens com quem têm mais em comum», explicou Cristina Margarido.

Além disso, em algumas áreas, como a biomedicina, as mulheres desenvolvem estudos com maior propensão a resolver problemas ligados às mulheres, enquanto as patentes de homens tendem a focar-se em problemas masculinos.

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Por isso, lembrou a porta-voz da OEP, uma equipa só de homens pode desenvolver um produto com um viés de género porque há problemas que lhes são invisíveis e por isso não os resolvem, porque para eles não existem.

Um caso que se tornou carismático foi o dos bonecos usados para os testes de carros. No início, usavam-se apenas modelos masculinos até se perceber que as mulheres tinham muito mais problemas nos acidentes de automóvel porque não tinham sido feitos testes com modelos femininos.

Os números mostram que a realidade europeia tem vindo a mudar, havendo cada vez mais mulheres entre os cientistas e fundadores de startups.

A cientista portuguesa Elvira Fortunato disse à Lusa notar essa evolução nos corredores das universidades e nos laboratórios, uma mudança agora esplanada em números no relatório.

«A percentagem de pedidos de patentes europeias que nomeiam pelo menos uma mulher como inventora aumentou de menos de 4% por volta de 1980, para 21,6% em 2019 e 24,1% em 2022».

Actualmente, as mulheres estão muito mais presentes na investigação das áreas da indústria farmacêutica (34,9%), biotecnologia (34,2%) e química alimentar (32,3%).

Por outro lado, nas áreas das máquinas-ferramenta (5,7%), processos básicos de comunicação (5,5%) e elementos mecânicos (4,9%) a sua presença continua a ser quase residual, segundo o estudo.

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