Costuma duvidar das suas capacidades? O seu juiz interior não é seu amigo; o seu sábio é. Aprenda a ouvir o último

Human Resources
12 de Janeiro 2021 | 21:00

Já alguma vez duvidou de sua capacidade de fazer algo? Já imaginou “será que sou suficientemente bom?” Eu, por exemplo, senti alguma apreensão quando pensei em escrever um artigo para a revista Coaching World. Como eu, talvez você também tenha um juiz interior dissuasor das suas iniciativas e acções.

 

Por Carmen Acton, MBA, PCC – Professional Certified Coach da ICF pela International Coaching Federation

 

O meu juiz interior disse-me logo “nem penses, achas que és uma autora, mas olha que não és. Há pessoas muito mais inteligentes do que tu, deixa essas coisas para elas. E se houver leitores que pensam que o que escreves é um monte de banalidades, vais ficar mesmo envergonhada”.

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Como é que se lida com estes juízes interiores para que possamos ouvir o sábio, o que se baseia na nossa sabedoria? Desenvolvendo os nossos músculos de autocontrolo.

O que é que diz a Ciência?
De acordo com a neurociência cognitiva, estarmos sintonizados com os nossos sinais emocionais – assim como com as nossas sensações, pensamentos e fisiologia – é importante para desenvolvermos as nossas capacidades de autoconsciência e autocontrolo.
Se não aprendemos a assumir o controlo e a construir caminhos neurais positivos mais fortes, a nossa mente pode tender em focar-se no lado negativo das coisas. Quando o nosso juiz interno se sente ameaçado podemos sentir a “garganta apertada” e entramos em modo de luta, e fugimos ou ficamos paralisados.

Muitas vezes, temos dentro de nós um juiz superdimensionado e um sábio subdimensionado que estão em permanente discussão sobre o que devemos fazer. Para modificarmos os nossos comportamentos, precisamos de desenvolver músculos mentais que consigam modelar os nossos pensamentos, suposições, emoções e reações. A boa notícia é que podemos mudar e construir caminhos neurais positivos mais fortes: os nossos músculos mentais de autocontrole. Claro que isso requer esforço e continuidade ao longo do tempo, tal como com tudo o que aspiramos a fazer bem. A recompensa é menos “gargantas apertadas” e uma recuperação mais rápida.

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Para enfrentar o seu juiz interior, desenvolva os seus músculos mentais de autocontrole
1. Foque-se em perceber o estímulo que desencadeia pensamentos negativos. Um exemplo pode ser ver um e-mail de alguém irritado (estímulo) e pensar: “O que há de errado agora?”

2. Descubra as sensações, pensamentos ou sentimentos mais comuns que sente quando esse estímulo é accionado. As sensações corporais geralmente fornecem nossa primeira pista. Por exemplo: sua respiração fica superficial e sua frequência cardíaca aumenta; sente uma dor de cabeça ou o seu corpo fica tenso. Qual é a conversa do seu cérebro? O que diz seu juiz interno? Qual é a emoção que sente?

3. Interrompa a espiral negativa, pensando e tomando consciência da emoção que sente e dê-lhe um nome. É impaciência, raiva, medo, pavor ou tristeza? A nomeação envolve o córtex pré-frontal e ajuda a acalmar a “garganta/amígdala”, dando-lhe acesso ao seu juiz sábio e a níveis mais elevados de raciocínio.

4. Aprenda a dizer a si mesmo: “Vou manter a calma e verificar com o meu eu sábio” e faça isso mesmo. Pense nisso como se tivesse a carregar num metafórico “botão de pausa”.

5. Desenvolva uma prática sensorial consciente e consistente. Alguns exemplos incluem respirar profundamente várias vezes, lentamente, ou fazer um “abano” corporal. Faça esta prática de dois a cinco minutos, três vezes ao dia. Essa atenção concentrada e intencional ativa o seu córtex pré-frontal, dando à mente uma poderosa alavanca de autocontrolo que você pode depois accionar no momento em que for necessária.

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Exercer o autocontrole de forma contínua permite que o seu sábio interior esteja mais acessível e fácil de activar quando observar que a sua atenção se está a desfocar ou quando detectar uma conversa interna negativa.

Sintonize-se com o seu sábio interior
O meu juiz interior tem-me “protegido” da sensação de estar a ser julgada ou não ser boa o suficiente. Teve uma influência tão forte no que eu faço que na verdade estava a impedir-me de fazer as coisas com facilidade. Se este for o seu caso também, tente o seguinte.

Quando o seu juiz interno dominar, ligue para o sábio perguntando:
1. Do que tenho medo e por quê?
2. Qual é o melhor cenário?
3. O que é possível aqui?
4. O que eu arrisco se não tentar? Vou arrepender-me se não tentar?
5. Quem está no controle: o pensamento ou o pensador? (adaptado de Susan David, PhD)

Envolva activamente a sua atenção e músculos de autocontrolo para superar pensamentos e emoções que o impedem ou tornam as coisas mais difíceis do que o necessário. Use os cinco mandamentos anteriores, e irá ouvir o seu sábio interior com mais frequência do que o barulho do seu juiz interior.

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