O Governo português poderá recorrer a «medidas estruturais para aliviar o esforço das empresas e das famílias» caso o conflito no Médio Oriente se arraste, uma «situação muito preocupante», disse o chefe da diplomacia portuguesa.
«Se houver uma solução para o conflito bastante rápida, penso que podemos acomodar facilmente o impacto negativo destas semanas e regressar a uma espécie de normalização. Se esse não for o caso, naturalmente teremos de tomar algumas medidas estruturais mais concretas para aliviar o esforço das empresas e das famílias», afirmou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, numa conferência de imprensa em Lisboa com a homóloga islandesa, Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir.
O objectivo será, adiantou, procurar que «especialmente o crescimento e o investimento não sejam tão afetados como seria o caso sem qualquer intervenção governamental».
Respondendo a uma pergunta sobre o impacto do conflito no Médio Oriente, que se agravou com os ataques dos Estados Unidos e Israel contra Irão, desde 28 de Fevereiro, e a retaliação iraniana contra vários países da região, Rangel descreveu a realidade na região como “muito preocupante” e afirmou que o Governo está a analisar «a situação com muito, muito cuidado diariamente, por vezes duas vezes por dia, para perceber quais são as melhores políticas para mitigar a situação».
O ministro apontou as consequências do conflito a nível económico, com o aumento dos preços do petróleo a ter «um enorme impacto não só no transporte, mas em toda a cadeia de produção e distribuição», e também na agricultura, uma vez que muito dos fertilizantes produzidos passam no Estreito de Ormuz, actualmente bloqueado pelo Irão.
Rangel recordou que, à semelhança de outros países, Portugal está «a implementar muitos pacotes de medidas de mitigação que tentam aliviar o impacto imediato desta inflação nos preços das últimas duas semanas».
Quanto à Islândia, a chefe da diplomacia, que realiza hoje uma visita a Lisboa, recordou que a ilha é sustentável em termos energéticos, graças à energia hidroelétrica e a energia geotérmica, mas tem uma economia sensível, “com a moeda mais pequena do mundo”, e está a notar “algum impacto na inflação”.
A governante sublinhou que o Governo islandês «tem criticado muito fortemente o regime iraniano, um regime terrorista que tem prejudicado os seus cidadãos e violado também os seus direitos à vida e os direitos humanos».
«Mas, por outro lado, a Islândia é também um país que sublinha a importância da ordem baseada em regras e do direito internacional», salientou.














