No meu tempo…

Opinião de Gonçalo Prata Roque, Executive director, agap2IT

Human Resources
25 de Maio 2026 | 11:00

Por Gonçalo Prata Roque, Executive director, agap2IT

 

O título é uma ironia sobre todos aqueles que por desconforto, receio de mudança ou comodismo se habituaram a não evoluir, valorizando o passado sem se aperceberem que vivem num tempo que consideram já não ser o deles. A expressão é fundamentalmente sobre adaptação, pertença e a necessidade humana de não ficar para trás enquanto tudo à volta evolui.

Num mundo empresarial composto por profissionais de várias gerações, as pessoas e organizações que melhor se adaptarem a este verdadeiro ‘mix’ estarão sempre na liderança do seu tempo. Diariamente consigo observar: o pragmatismo e a comunicação directa da Geração X; o propósito e a abertura a novas experiências dos Millennials, verdadeiros filhos da globalização; e a irreverência da Geração Z, a primeira inteiramente digital, com consciência social, autodidacta e ávida por um consumo rápido de informação.

No mercado de IT é curioso ver como as diferentes gerações partilham o mesmo espaço, mas com perspectivas moldadas por contextos distintos. A verdade é que ainda se ouve com alguma frequência a expressão “no meu tempo”, dita por quem começou quando tudo era mais manual, menos automatizado e, talvez, mais previsível. Para uns, essa frase carrega experiência e resiliência, para outros soa quase como uma relíquia de um mundo que já não acompanha o ritmo actual. No meio disto, surgem profissionais que cresceram com a tecnologia nas mãos, habituados a mudanças constantes e a aprender quase em tempo real.

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Esta convivência cria um ambiente que tanto pode gerar atrito como inovação. Enquanto uns profissionais valorizam processos sólidos e estabilidade, outros impulsionam experimentação e rapidez. A verdade é que o mercado de IT acaba por ser uma espécie de ponte entre o “no meu tempo” e o “e agora?”, onde o passado oferece bases e o presente desafia limites. Quando essas diferenças deixam de ser barreiras e passam a ser complementares, o resultado não é apenas diversidade: é evolução.

Abra-se então portas ao convívio geracional que é tão válido quando aparece quem diga “no meu tempo resolvíamos tudo com documentação e pesquisa”, enquanto outro responde com naturalidade ao uso de ferramentas como o ChatGPT, GitHub Copilot, Claude ou Gemini para acelerar soluções em segundos.

Tudo isto é IT. Tudo isto é agora. No nosso tempo.

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