Contratações no sector tecnológico vão abrandar no 3.º trimestre

Conheça as conclusões do mais recente Experis Tech Talent Outlook.

Margarida Lopes
18 de Junho 2026 | 10:10
Contratações no sector tecnológico vão abrandar no 3.º trimestre
O estudo revela que 46% dos empregadores do sector de Tecnologia & Serviços de IT pretendem aumentar as suas equipas no próximo trimestre, enquanto 14% antecipam ter de reduzir a sua força de trabalho e 40% esperam manter o número actual de trabalhadores.
O sector tecnológico em Portugal continua a apresentar intenções de contratação positivas para o terceiro trimestre de 2026, embora num ritmo mais moderado, sendo o segundo sector com as perspectivas de contratação mais fortes em Portugal, apenas atrás do sector de Construção e Imobiliário.
A Projecção para a Criação Líquida de Emprego no sector tecnológico fixa-se nos +32%, reflectindo, no entanto, uma redução de 18 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Este abrandamento surge após três trimestres de crescimento nas intenções de contratação, contrariando assim a tendência de recuperação que se vinha a observar.
A expansão das organizações continua a ser a principal razão para o reforço das equipas tecnológicas em Portugal, sendo apontada por 44% dos empregadores que pretendem contratar. Ainda assim, este valor representa uma descida de oito pontos percentuais face ao trimestre anterior.
Em contrapartida, observa-se uma alteração no perfil das contratações, com a contratação para projectos específicos ou iniciativas temporárias a passar de 19% para 39% no terceiro trimestre de 2026, tornando-se o segundo principal factor de recrutamento.
Ao mesmo tempo, abranda o impacto da tecnologia como factor directamente referido pelas empresas, passando de 38% para 11%. Apesar disso, a procura de novas competências para manter a competitividade (33%) e a necessidade de preencher novas funções resultantes da transformação das competências necessárias (28%) mantêm-se elevadas e em crescimento. Este movimento sugere que a Inteligência Artificial deixou de ser encarada como um factor emergente de transformação e passou a estar integrada no funcionamento das organizações tecnológicas, influenciando a forma como estas definem necessidades de talento.
Entre as empresas tecnológicas que antecipam uma redução de colaboradores, a automação destaca-se como o principal factor, sendo referida por 45% dos empregadores. A optimização de processos para aumentar a eficiência, conduzindo à consolidação de funções, é apontada por 36% dos empregadores, enquanto 27% referem o término de projectos com e os desafios geopolíticos como motivos para a redução das equipas.
No trimestre anterior, a automação já surgia entre os principais fatcores de redução de equipas (50%), seguida da optimização de processos com impacto na reorganização das equipas e consolidação de funções (33%), o que vem confirmar a tendência de reconfiguração nas necessidades de talento, em vez de um corte generalizado.
A nível global, o sector de Tecnologia & Serviços de IT regista uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +35%, mantendo-se como o sector com as perspectivas de contratação mais sólidas.
Embora a Projecção tenha abrandado sete pontos percentuais face ao trimestre anterior e um ponto percentual na comparação anual, metade dos empregadores do sector (50%) continua a prever um aumento das contratações. Em contrapartida, 15% antecipam reduções de equipas e 33% esperam manter os actuais níveis de emprego. Globalmente, o crescimento das empresas é o principal factor referido, como motivador do crescimento nas contratações (42%), logo seguido pela necessidade de novas competências resultante dos avanços tecnológicos (36%).
O estudo da Experis entrevistou empregadores de 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Setembro e apresentará as expectativas de contratação para o quarto trimestre do ano.
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