Ao celebrar 100 anos, a Recordati reforça uma convicção que continua a orientar a sua estratégia: investir no desenvolvimento das pessoas é a melhor forma de preparar o futuro.
A aprendizagem ocupa um lugar central na forma como a Recordati desenvolve talento e prepara o crescimento da organização. Num sector onde o conhecimento científico evolui rapidamente e as exigências regulatórias são cada vez maiores, a formação é encarada como muito mais do que uma necessidade operacional. Como explica Sónia Gonçalves, Human Resources director, trata-se de um investimento contínuo nas pessoas e na sustentabilidade do negócio.
No ano em que assinala o seu centenário, o Grupo Recordati não olha para a formação apenas como resposta às necessidades imediatas do negócio. A aposta no desenvolvimento contínuo das pessoas integra uma visão de longo prazo, assente na convicção de que a sustentabilidade da organização depende da capacidade de antecipar competências, preparar líderes e criar condições para uma aprendizagem permanente. Mais do que acompanhar a evolução do sector, o objectivo passa por construir futuro através das pessoas.
«Celebrar 100 anos é, também, reconhecer que o sucesso se constrói através das pessoas e que investir no seu desenvolvimento é garantir o futuro», sublinha a responsável. Mais do que um princípio, esta abordagem traduz-se numa ideia clara: na Recordati, aprender é o que sustenta a forma como se lidera, se decide e se cresce. A organização tem vindo a reforçar uma lógica de aprendizagem ao longo da vida, combinando conhecimento científico com o desenvolvimento de competências comportamentais, digitais e de liderança. O objectivo passa por preparar as equipas para responder aos desafios actuais e futuros, mantendo sempre o foco no impacto gerado nas pessoas e no negócio.
Se a componente técnico-científica continua a ser essencial, as prioridades alargaram-se nos últimos anos. Hoje, a empresa atribui igual importância ao desenvolvimento de soft skills, à capacitação digital, à ética e compliance, bem como à promoção da inovação e do pensamento crítico. Para Sónia Gonçalves, esta evolução reflecte «uma visão mais holística do talento», em que o potencial de crescimento se torna tão relevante como o conhecimento técnico.
Essa filosofia está presente em todo o percurso dos colaboradores. A Recordati combina programas estruturados de onboarding, planos de desenvolvimento individual, experiências on-the-job, mentoring e acesso a um ecossistema global de aprendizagem. O princípio orientador é simples: cada pessoa deve assumir um papel activo no seu desenvolvimento.
É neste contexto que surge o MyImpact, framework que estrutura a forma como cada colaborador reflecte sobre o seu desempenho, define objectivos de desenvolvimento e acompanha a sua evolução. Mais do que um processo formal, trata-se de um dos pilares do modelo de desenvolvimento da Recordati: «uma conversa contínua» que reforça uma ideia central – cada pessoa é responsável pelo seu próprio impacto.
Essa responsabilidade individual estende-se a toda a organização, com cada colaborador a assumir um papel activo no impacto que gera. Mais do que uma estrutura hierárquica rígida, a Recordati defende uma lógica de liderança distribuída, em que cada pessoa é chamada a ser «líder da sua própria evolução», contribuindo de forma directa para os resultados colectivos.
No dia-a-dia, a aprendizagem contínua é sustentada por uma combinação de actualização permanente dos conteúdos formativos, plataformas digitais, parcerias com universidades e entidades do sector e uma forte aposta na partilha de conhecimento interno. Como resume Sónia Gonçalves, o objectivo é que aprender deixe de ser um acontecimento isolado para passar a fazer parte da rotina da organização.
Desenvolver líderes catalisadores
O desenvolvimento da liderança ocupa actualmente um lugar central na estratégia de formação da Recordati – mas com uma nuance clara: mais do que formar gestores, a empresa quer desenvolver líderes catalisadores. A Recordati está actualmente a formar globalmente os seus gestores, com um programa da Global que fomenta e desenvolve esta visão.
Um dos pilares de formação da Recordati é a Leaders Academy, programa global lançado em 2022 que reúne líderes de diferentes funções e geografias. Constitui um dos pilares do ecossistema global de desenvolvimento de talento da Recordati e está directamente ligado ao percurso de carreira dos seus líderes. Através de uma abordagem híbrida, que combina sessões presenciais, módulos digitais e masterclasses, trabalha competências como self-management, comunicação, influência e tomada de decisão.
Mas a ambição da empresa vai além da formação tradicional. No contexto do centenário, a Recordati em Portugal lançou o programa «Dos 100 aos 200», apresentado durante o retiro estratégico da direcção em Portugal. O conceito traduz a ambição de preparar líderes capazes de gerar impacto sustentável ao longo dos próximos 100 anos.
Para Sónia Gonçalves, o desafio actual consiste em «liderar em velocidade, sem perder alinhamento ou propósito». É precisamente aqui que ganha relevância a figura do líder catalisador, conceito que assume um papel central na visão de liderança da organização.
Para a responsável, um líder catalisador actua em três dimensões essenciais. Primeiro, cria clareza: ajuda as equipas a concentrarem-se no que realmente cria valor, reduzindo ruído e clarificando prioridades. Depois, gera confiança: num contexto de elevada velocidade, o maior risco nem sempre é a falta de trabalho, mas a dispersão – e a função do líder passa por criar foco e segurança para decidir. Por fim, garante execução: mais do que controlar, desbloqueia, alinha e transforma intenção em acção.
«Ser um líder catalisador não é apenas liderar equipas ou garantir resultados. É acelerar o potencial dos outros e da organização sem aumentar a complexidade », afirma Sónia Gonçalves.
Mais importante ainda, esta visão não se limita aos cargos de chefia. A Recordati defende uma lógica de liderança distribuída, em que cada colaborador assume responsabilidade pelas suas decisões, pela sua evolução e pelo impacto que gera à sua volta. A liderança deixa, assim, de ser apenas um papel formal para se tornar uma responsabilidade individual.
Neste contexto, as soft skills assumem uma importância crescente. Competências como comunicação, empatia, adaptabilidade e colaboração são consideradas «absolutamente críticas» para responder a ambientes de trabalho cada vez mais transversais e colaborativos. Mais do que conhecimento técnico isolado, a organização procura pessoas com curiosidade, pensamento crítico, agilidade digital e sentido de propósito.
A formação desempenha igualmente um papel determinante na identificação e preparação de futuros líderes. Através de programas estruturados, mentoring e exposição a desafios estratégicos, a organização procura criar percursos de evolução consistentes e alinhados com os seus valores.
Uma cultura para os próximos 100 anos
Na Recordati, a formação é também uma alavanca de cultura organizacional. Para além de desenvolver competências, contribui para reforçar o alinhamento entre equipas, consolidar valores e promover experiências partilhadas.
«A formação é um instrumento poderoso de cultura», afirma Sónia Gonçalves. Ao integrar conteúdos relacionados com colaboração, pertença e propósito, a organização procura reforçar o engagement e criar uma cultura onde aprender e liderar fazem parte da experiência quotidiana de cada colaborador.
O impacto da formação é acompanhado através de diferentes indicadores, incluindo feedback dos participantes, aplicação prática no posto de trabalho, evolução de competências críticas e contributo para resultados de negócio. Cada vez mais, o objectivo passa por estabelecer uma ligação directa entre aprendizagem e desempenho.
Olhando para o futuro, a Human Resources director antecipa uma formação cada vez mais digital, personalizada e orientada por dados. A integração de inteligência artificial e de agentes digitais deverá permitir apoiar decisões em tempo real, personalizar percursos de aprendizagem, reforçar mecanismos de feedback contínuo e acelerar a execução em ambientes cada vez mais complexos.
Ainda assim, a tecnologia é encarada como um facilitador e não como um fim em si mesma. A capacidade de criar clareza, gerar confiança e transformar potencial em resultados continuará a ser o principal factor distintivo das organizações. «A tecnologia será um acelerador, mas o verdadeiro diferencial continuará a ser humano», defende Sónia Gonçalves.
Ao celebrar um século de história, a Recordati procura construir as bases dos próximos 100 anos. E esse futuro depende da capacidade de cada pessoa assumir um papel activo no seu desenvolvimento e actuar como catalisador de evolução, impacto e mudança – porque preparar os próximos 100 anos não passa por mais formação, mas por formar melhor quem decide, lidera e faz acontecer.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Formação”, publicado na edição de Junho (n.º 186) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














