O valor estratégico de saber desligar

Opinião de Catarina Pereira, HR manager da Pluxee Portugal

Human Resources
3 de Agosto 2026 | 10:30
O valor estratégico de saber desligar

Por Catarina Pereira, HR manager da Pluxee Portugal

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As férias significam, ou deviam significar, muito mais do que alguns dias longe do trabalho. São uma oportunidade para recuperar energia, reencontrar o equilíbrio e dar espaço à vida pessoal, tantas vezes adiada pelo ritmo acelerado do dia-a-dia.

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Mas desligar nunca foi tão difícil. A tecnologia tornou o trabalho mais flexível e colaborativo, mas trouxe consigo uma expectativa silenciosa de disponibilidade permanente. Continuamos a responder a emails, a acompanhar mensagens e notificações ou a resolver assuntos profissionais precisamente quando deveríamos estar a recuperar.

Esta realidade convida-nos a reflectir sobre a cultura que estamos a construir nas organizações. Durante muito tempo, confundimos dedicação com disponibilidade constante. Hoje sabemos, acredito, que o verdadeiro compromisso não se mede pelo número de horas que alguém permanece ligado, mas pela qualidade do contributo que consegue dar quando está plenamente presente.

A recuperação física e mental não é um benefício acessório; é uma condição para equipas mais focadas, resilientes e preparadas para responder aos desafios. Promover uma cultura onde o descanso é respeitado não significa abdicar de produtividade. Significa investir numa produtividade mais saudável.

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Essa cultura constrói-se, acima de tudo, através do exemplo. Quando um líder protege verdadeiramente o período de férias dos seus colaboradores, transmite uma mensagem de confiança: descansar não é um privilégio, é parte integrante de uma relação saudável com o trabalho.

Nesta altura do ano, há também um gesto simples que merece ser valorizado: o reconhecimento. Um agradecimento genuíno ou uma palavra de apreço pelo trabalho realizado antes de um colaborador ir de férias pode fazer a diferença nos meses que se seguem. São sinais que reforçam o sentimento de pertença e permitem que as pessoas iniciem as férias com a certeza de que o seu contributo foi visto e valorizado.

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Num mercado onde atrair e reter talento são desafios permanentes, muitas vezes são estes detalhes que fazem a diferença. O salário e os benefícios são importantes, mas é o cuidado e o respeito que transformam um emprego num lugar onde se quer permanecer.

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Talvez seja tempo de olharmos para as férias de outra forma. Não como uma interrupção da actividade, mas como um investimento na sua continuidade. Organizações mais saudáveis constroem-se com pessoas que têm espaço para recuperar, reflectir e regressar com uma energia renovada.

Porque desligar não é falta de compromisso. É criar as condições para que as pessoas possam dar o seu melhor quando realmente importa.

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