A deficiência como impulsionadora de inovação nas empresas

Existem muitos desafios na forma como a sociedade vê as pessoas com deficiência e um dos mais fundamentais prende-se com a postura adoptada no contexto de trabalho, em que a pessoa com deficiência deve ser acima de tudo auxiliada. Mas a verdade é que as pessoas com deficiência estão historicamente na vanguarda, encontrando soluções para eles e para qualquer desafio – que, muitas vezes, acabam até por se aplicar ao resto da empresa. É por isso imperativo que comecemos a encará-los como uma comunidade de inovadores.

Por Fabio Rodriguez, Region Manager de Portugal e Espanha da OrCam Technologies

 

Há medida que a natureza do trabalho se tem mutado, estamos a assistir a uma mudança geracional no que as pessoas esperam dos seus empregadores. Neste contexto, por exemplo, a deficiência tem tido um papel fundamental na adoção da inovação. As pessoas com deficiência foram as primeiras a procurar novas formas de se integrarem nas organizações, encontrando alternativas que vão ao encontro das suas necessidades, aumentando a sua produtividade – através de modalidades de trabalho mais flexíveis, como o teletrabalho ou horas de trabalho menos rígidas.

Assim, as pessoas com deficiência trazem capacidades e talentos únicos para a mesa que impulsionam criatividade e inovação nas organizações onde se integram. Ao serem, por exemplo, promotores da acessibilidade de toda a tecnologia internamente implementada, impulsionam também a inovação tecnológica, expandem bases de clientes e até impulsionam outros grupos sub-representados a reforçar a sua própria advocacia e diversidade.

Recentemente, as empresas têm tornado os seus recrutamentos e contratações mais inclusivas para pessoas com deficiências, encontrando formas de incluir as perspetivas deste grupo para apresentar melhores soluções para solucionar problemas. Mas neste contexto, é preciso que recrutadores e empresas analisem, como oferecer a cada colaborador com deficiência uma experiência consistente e acesso a desenvolvimento e oportunidades de crescimento num local de trabalho imparcial.

A deficiência é apesar de tudo uma diferença, e como com qualquer diferença, pode ser algo que pode criar desconforto em quem desconhece como se comportar. Por isso, a tendência da inovação levada a cabo por pessoas sem experiência pessoal neste campo é errar. Portanto antes de se implementar qualquer ideia, é útil identificar os passos para tornar este tipo de inovação bem-sucedida:

  1. Especificar o factor diferenciador: Se a ideia é reinventar a roda, é importante que se saiba porque é que a roda necessita de ser reinventada. Como é que o produto, projeto melhorará a vida de pessoas com deficiência?
  2. Ouvir o público-alvo: Só porque temos um tipo de deficiência ou conhecemos alguém próximo com uma deficiência, não quer dizer que saibamos o que o público-alvo da nossa solução necessita. Nunca se pode satisfazer toda a gente, mas para qualquer inovação, é importante reunir um grande e diverso grupo de pessoas deficientes, e ouvir atentamente as opiniões de cada um.
  3. Se não é útil, esteja preparado para desistir: Às vezes, desistir do plano é a mais produtiva e inovadora tarefa a desempenhar. Se a ideia não é desejada ou interessante para as pessoas com deficiência, mais vale apoiar outros líderes e criativos no campo, para tornar as suas ideias numa realidade.

Com os novos desafios chegam também novas formas de ver o potencial do mundo futuro. Ver a deficiência como uma narrativa baseada em força e inovação, definindo-a como o novo normal no contexto empresarial vai levar tempo. No entanto aqueles que primeiramente derem este salto e embarcarem em novas oportunidades para crescimento estarão destinados à grandeza, já que a diversidade gera melhores ideias de negócio e produz serviço de maior qualidade.

 

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