A Leadership Debt: Em busca da emocionalidade perdida

Human Resources
1 de Setembro 2025 | 10:10
A Leadership Debt: Em busca da emocionalidade perdida

Nas organizações, continuamos a acumular dívidas, que começam no básico e chegam ao essencial. Faltam-nos muitas coisas, sobretudo na liderança.

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Por Ricardo Caldeira, autor dos livros “Liderança Emocional”, Cisnes Negros da Liderança” e “Ao Coração da Liderança” 

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Muito tenho escrito e falado, nos últimos tempos, sobre o básico. Sobre coisas básicas. Lamento-me sempre de ter de o estar a fazer, e dou por mim bastas vezes a pensar que desse lado muitos de vós estarão a pensar “mas isso é básico”. No entanto, e esta é que é a realidade, chego sempre à mesma conclusão – a de que (ainda) é mesmo necessário (continuar a) fazê-lo.

Se repararem, e existe aqui muito de cultural, debatemos sobre tudo e mais alguma coisa, mas fazemo-lo quase sempre numa lógica estratosférica, atiramo-nos logo para fora de pé, um extenso cardápio de ideias inovadoras e disruptivas, quando ainda nem sequer sabemos – e ainda nem sequer fazemos – o básico. É como se quiséssemos avançar no jogo sem passar pela casa de partida.

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No caso concreto da liderança, imaginamos logo modelos fora da caixa, soluções milagrosas, antecipamos de imediato mil e um retornos fantásticos… Mas, lá está, esquecemo-nos de dar o primeiro passo. Esquecemo-nos do básico. Esquecemo-nos do bom dia, do precisas de ajuda, do obrigado, do bom trabalho, do continua, do acredito em ti, do parabéns…

Esta, e já vão perceber onde quero chegar e o que pretendo dizer, é uma enorme dívida que temos. Isto entronca numa outra questão, a que também muito me tenho dedicado ultimamente – e novamente, sobretudo no caso concreto da liderança: os temas não discutidos, os temas pouco discutidos e os temas mal discutidos. Quando se fala em liderança, e continua a falar-se muito, na minha óptica ou não se fala do que se deve falar, ou fala-se pouco, ou fala-se mal (mal, aqui, no sentido da priorização e do foco da discussão).

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As pessoas, o centro nevrálgico das organizações, bem como as relações organizacionais, são um exemplo paradigmático disto mesmo. Fala-se muito de e sobre pessoas, mas muito pouco para ou com as pessoas. Fala-se muito de e sobre pessoas, mas a verdade é que os seus “reais problemas” continuam por discutir – e resolver (precisamente porque não se discutem, ou discutem pouco, ou discutem mal). Esta é uma segunda dívida, e que ainda por cima, ao contrário do que seria desejável, continua a acumular-se e a crescer.

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Nesta ordem de ideias, acrescento outro ponto deveras relevante, mais um a que também me tenho referido com bastante frequência. Numa época em que a aposta é grande, e cada vez maior, naquilo a que chamo “humanização dos robôs”, não paramos para pensar – e nem nos apercebemos – que aquilo que, para já, estamos a conseguir é a, também grande e também cada vez maior, “robotização dos humanos”.

Não parece um contra-senso, e, sobretudo, contraproducente? Cá está o tal lirismo, o tal platonismo, o tal passo maior do que a perna, mas tudo sempre sem acautelar, antes de qualquer outra coisa, o básico. E o básico aqui é cuidar primeiro das pessoas, colocá-las no centro, chamá-las à participação, , envolvê-las, ouvi-las, motivá-las e potenciá-las. Se não conseguimos ser humanos com os humanos, como vamos querer humanizar os robôs? Mais dívida…

 

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Lideranças que curam
Relembrei, recentemente, enquanto revia um filme antigo, uma frase que também se aplica na perfeição aos temas da liderança, que liga com o que acabo de introduzir e para cuja reflexão gostaria de vos convidar.

“A grandiosidade de uma pessoa reside na capacidade de curar, porque magoar é fácil e está ao alcance de todos.”

Efectivamente, magoar é fácil e está ao alcance de qualquer um, é o que lamentavelmente mais se vai vendo por aí. O papel de um líder é, também, e desenganem-se todos quantos não acreditam nisto, o de curador. Deve ser um verdadeiro alquimista organizacional, uma espécie de “Midas da Liderança”. Este é porventura um dos pináculos da humanização da liderança.

Precisamos de lideranças que curem, não daquelas que vamos vendo, destruidoras, dizimadoras, rudes e indiferentes.  O papel do líder não diminui nem desmerece se for, e por ser, humano – que, neste caso, é como quem diz curador e cuidador.

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A diferença está, e faz-se, na capacidade de curar, com tudo aquilo que implica e está associado a este acto de curar: ouvir, sentir, participar, ajudar… só cura quem sente, e só sente quem é emocional, logo, esta tarefa está reservada apenas ao alcance dos “Cisnes Negros da Liderança”. Pode parecer complicado, ou “desnecessário”, mas para mim este é outro dos básicos – até porque há muito quem precise de “cura”, mas muito poucos curadores. E eles próprios, na generalidade dos casos, são os primeiros a necessitar dessa mesma cura.

Continuamos a amontoar dívida… Contudo, atenção, ninguém disse que era fácil. Agora, que não subsistam dúvidas, não só é possível como é desejável – e eu acrescentaria que é inevitável. Mas vai ser precisa coragem. Vai ser preciso não ter medo:

Não ter medo da felicidade, nem de pessoas felizes a seu lado;

Não ter medo de novos líderes e até contribuir para a sua formação;

Não ter medo da comunicação (mas sim, e bastante, do silêncio);

Não ter medo das emoções;

Não ter medo da vulnerabilidade (nem confundi-la com fraqueza);

Não ter medo do respeito (e respeitá-lo);

Não ter medo de ser humano (e ser humano);

Não ter medo, nem vergonha, de dizer parabéns, bom trabalho, ou precisas de ajuda.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Agosto (nº. 176) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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