A maioria das empresas não fez (nem vai fazer) cortes salariais este ano

Margarida Lopes
10 de Setembro 2020 | 00:01
A maioria das empresas não fez (nem vai fazer) cortes salariais este ano

A grande maioria das empresas (cerca de 80%) não implementou nem considera implementar reduções salariais. Nas empresas onde esta redução foi implementada, 100% afirma ser uma redução salarial temporária. Os dados são do estudo Total Compensation Portugal 2020 realizado pela Mercer.

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Já os incrementos salariais situam-se, em média, entre 2,47% e 2,39%, variando ligeiramente em função dos níveis de responsabilidade. Comparando o observado em 2020 com o previsto para 2021 verifica-se uma ligeira diminuição percentual para alguns dos grupos funcionais (direcção geral/administração; directores de primeira linha; chefias intermédias; e quadros superiores).

De acordo com a pesquisa realizada para o Special Edition do Total Compensation da Mercer, um capítulo especial desenvolvido com foco na COVID-19, com dados recolhidos em Julho, cerca de metade das empresas participantes (45%) indica que a pandemia teve impacto ao nível dos incrementos salariais previstos para 2020, tendo a maioria sido adiada e os restantes sido revistos ou até mesmo congelados.

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Tiago Borges, Career Business Leader, destaca que as tendências evidenciadas no estudo focam as acções tomadas pelas empresas em Portugal, na sua necessidade de responder a uma situação sem precedentes», sendo o congelamento de «salários e contratações exemplos das medidas mais duras, mas, numa perspetiva positiva, a grande maioria das empresas não prevê diminuir o seu headcount nem prevê recorrer a reduções salariais».

O estudo mostra que em Abril/Maio, 11% das empresas nacionais consideravam o congelamento salarial, sendo que, de acordo com a Special Edition do Total Compensation a percentagem de empresas portuguesas que manifesta esta intenção evoluiu para 17%.

Por outro lado, a quase totalidade das empresas nacionais (92%) pagou aos colaboradores os montantes relativos ao desempenho em 2019, de acordo com o previsto. Das empresas que não pagaram os bónus/incentivos de curto prazo, 50% refere que o mesmo foi adiado e 25% admite ter cancelado.

Quanto a 2020, 44% das empresas considera que ainda é cedo para prever se o pagamento será superior ou inferior ao realizado relativamente ao desempenho de 2019, no entanto, cerca de 23% das empresas antecipa que a expectativa é de que esse valor seja inferior.

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Já 19% das empresas indicaram ter atribuído bónus especiais relacionados com o COVID-19 para colaboradores considerados como críticos para atingir ou manter os actuais objectivos de negócio da organização, sendo os “técnicos operacionais” o maior grupo elegível para a atribuição deste bónus (100%).

 

Intenções de contratação

Relativamente às intenções de contratação, o Total Compensation 2020 apurou que cerca de 36% das organizações pretende aumentar o número de colaboradores em 2020, e cerca de 39% em 2021.

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No entanto, e no capítulo Special Edition, mais de metade das empresas nacionais (53,8%) referiu que estas mesmas intenções de contratação foram alteradas, com 72,5% destas organizações a afirmar que optou por congelar as contratações.

Estes números revelam assim que 39% do total das empresas participantes na Special Edition indica ter optado pelo congelamento das contratações em 2020 e cerca de 13,5% indica ter optado por diminuir o número de contratações previstas. De destacar também que para cerca de 46% das empresas as intenções de contratação não foram alteradas.

Marta Dias Gonçalves, Surveys leader da Mercer, faz notar que, «o nível dos salários per si, não se observam quaisquer alterações – conforme seria de esperar, uma vez que este tipo de variações requerem um ciclo mais longo – nem mesmo relativamente a bónus, uma vez que a quase totalidade das empresas optou por pagar a remuneração variável relativa ao desempenho de 2019. No entanto, os dados conduzem-nos à previsão de que em 2021 o cenário poderá ser um pouco diferente, em particular no que diz respeito à remuneração variável», acrescenta.

 

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O trabalho remoto

Sem surpresas, o estudo destaca ainda que, como consequência da pandemia de COVID-19, a quase totalidade das empresas participantes adoptou o trabalho remoto. Esta modalidade é tendencialmente aplicada de forma transversal nas organizações em funções não relacionadas com a produção, a percentagem média da força de trabalho a trabalhar remotamente ronda os 90%.

Cerca de 49% das empresas inquiridas refere que irá manter o trabalho remoto por tempo indeterminado e 39% até que a situação melhore significativamente.

Já 77% das empresas optou também pela implementação ou reforço de políticas de trabalho flexível, que tendem a ser implementadas de forma transversal nas organizações em funções não relacionadas com a produção. As práticas mais frequentemente adopção de horários de trabalho flexíveis, ou pela possibilidade de escolher trabalhar a partir de casa ou do escritório.

A maioria das empresas antecipa que após a situação de pandemia ser ultrapassada, existirá um recurso mais frequente por parte dos colaboradores a modalidades de trabalho flexíveis.

 

O estudo analisou 140 mil postos de trabalho em 466 empresas presentes no mercado português. A amostra do estudo Total Compensation 2020 é constituída maioritariamente por empresas multinacionais (51%) com a localização da Casa Mãe, em cerca de 20% dos casos, nos Estados Unidos.

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