Para quem trabalha em Recursos Humanos há mais de quatro anos, é notória a diferença que se tem sentido nas várias medidas de recrutamento e retenção de talento. A diferença chega a ser abismal quando comparamos o pré, durante e pós-COVID19.
Por Luís Pires, HR Team leader da team.it
Passámos de uma cultura de experiências únicas em contexto de escritório presencial para uma cultura que valoriza o trabalho remoto em que as medidas implementadas pelas empresas são inúmeras e, em alguns casos, muito imaginativas. No entanto, são muitos os dados que corroboram que, nos dias de hoje, é preciso ir muito para além da implementação destas medidas.
Segundo dados recolhidos pela Eurostat, em Portugal mais de 61% das empresas do sector da tecnologia registam dificuldades no recrutamento de talento e, por isso, estar um passo à frente da concorrência é muito importante. Para tal, as empresas apostam em culturas diferenciadoras, tendem a seguir tendências criadas pelos debates actuais e tendências implementadas por empresas de outros países e investem milhares de euros em ferramentas de procura de candidatos. Para que o investimento seja bem dirigido e eficaz, tem-se feito uma aposta grande na análise de dados, que permita prever as necessidades de recrutamento e atracção de talento.
No entanto, não basta fazer uma boa análise preditiva e implementar medidas diferenciadoras, a comunicação da empresa tornou-se extremamente fundamental.
Actualmente, cada empresa tem culturas muito distintas, com estratégias humanísticas também muito diversas, pelo que a forma como são comunicadas estas estratégias para os candidatos e a forma como os próprios colaboradores fazem o “passa-a-palavra” aos seus conhecidos tomou uma dimensão imensa na importância do recrutamento nas empresas.
Assim, a experiência do candidato ou do colaborador, seja num processo de recrutamento seja na sua carreira na empresa, tomou dimensões tão grandes, que quando comparadas a outros factores, como por exemplo o salarial, em muitos casos os candidatos decidem o futuro, tendo em conta essa experiência.
Mas como pode ser feita esta comunicação, de forma eficaz, por parte da empresa?
Muito simples: aliando os Recursos Humanos e o Marketing, para que os dois funcionem numa sinergia perfeita. Ambos os departamentos encarregam-se de apostar em estratégias diferenciadoras e de comunicar estas de forma eficaz, clara e objectiva.
Desta forma, retira-se o melhor de dois mundos: o Marketing cria conteúdos, campanhas de marketing e estratégias de comunicação com as medidas criadas pelos RH, para atrair e reter candidatos e os Recursos Humanos conseguem ter um maior número de candidatos, com um maior grau de enquadramento que lhes permite recrutar pessoas que para além de fazerem o fit ideal com a função, estão também motivadas para pertencerem à empresa.
Por isso, actualmente, fazer bem já não é suficiente, é preciso fazer o extraordinário e juntar departamentos que individualmente fazem bem o seu trabalho, mas que juntos conseguem fazê-lo ainda melhor.














