Católica Porto Business School: «Uma licenciatura é uma licença para continuar a estudar»

A Católica Porto Business School é uma referência no que diz respeito à formação de executivos.

 

Na óptica de Ana Côrte-Real, associate dean da Católica Porto Business School, estudar é um processo que se estende ao longo de toda a vida. Com uma oferta diversificada e actualizada, não restam dúvidas que a Católica Porto Business School tem opções suficientes para isso.  Fomos saber quais os principais cursos e metodologias desta escola de negócios.

Que balanço faz do ano corrente?

Num contexto tão dinâmico como é o actual, a formação executiva tem necessariamente que adaptar-se, mudar, inovar e antecipar as necessidades das empresas. Neste sentido, temos acções e programas de continuidade, e novos programas, novos formatos e novas iniciativas. Para tal foi determinante sentirmos uma procura crescente de formação por parte das empresas desde o final de 2018, e que tem vindo a reforçar-se ao longo deste ano.

Como se caracteriza a oferta da Católica Porto Business School?

Actualmente, na denominada formação aberta, a Católica Porto Business School tem diversos cursos executivos em cinco áreas: Capital Humano e Liderança, Finanças e Fiscalidade, Gestão (onde se incluem os muito procurados Curso Geral de Gestão, Programa Intensivo de Gestão e Controlo de Gestão), Gestão de Projectos e Marketing. O aluno poderá frequentar um ou vários Cursos Executivos, dando-lhe toda a flexibilidade de em três anos poder completar uma pós-graduação ao obter um mínimo de 40 ECTS (European Credits Tranfer System). Temos, ainda, pós-graduações sectoriais, nomeadamente Gestão na Saúde, Gestão Hoteleira e Contabilidade e Finanças para Juristas. Finalmente, disponibilizamos dois MBA: o MBA Executivo, um programa reformulado no ano passado e que teve uma excelente receptividade pelo mercado, e o MBA Atlântico (full-time).

Este ano apresentamos, também, algumas novidades em outras áreas. Criámos, em parceria com a PwC, o Curso Executivo Mergers & Acquisitions, que nasce da necessidade emergente dos gestores estarem preparados, não só para o processo de negociação de uma transacção, mas também para gerir e coordenar as questões complexas de natureza financeira, legal e fiscal. Reestruturamos a área de Gestão de Projectos, disponibilizando agora três cursos executivos que em conjunto permitem a obtenção de uma pós-graduação. Estes novos cursos proporcionam uma abordagem integradora de conceitos, métodos e técnicas destinadas à iniciação, planeamento, monitorização e controlo e encerramento das diferentes fases de um processo complexo, num percurso que se pretende de inovação permanente.

Finalmente, criámos a pós-graduação em Contabilidade e Finanças para Juristas, um curso que responde à necessidade sentida por inúmeros profissionais, reconhecida que é a complementaridade entre o Direito e a Gestão.

O que está a mudar ao nível das metodologias de ensino?

Na Católica Porto Business School procuramos afirmar a nossa diferenciação no que entendemos que é potenciar uma intensa experiência de aprendizagem, estimulando uma participação activa dos nossos formandos, assente num método de trabalho que os prepare para aumentar o potencial de cada um como embaixador de mudança na sua empresa. É nossa prioridade a transferência de conhecimento e a aplicação da formação à actividade empresarial. O retorno do investimento da formação é um dos nossos focos no desenho de qualquer tipo de programa.

Existem hoje empresas que criam as suas próprias academias para formar as suas pessoas. Como vêm esta realidade? A oferta disponível não dá resposta a estas necessidades?

No início, o aparecimento das academias corporativas foi visto como uma ameaça às escolas de negócio, no sentido que lhes iriam retirar mercado. A Católica Porto Business School tem outra perspectiva. Na nossa opinião há um interessante espaço de cooperação entre as academias corporativas e as escolas de negócio, e um enorme potencial de desenvolvimento de programas conjuntos com mais-valias para ambas as partes. A complementaridade do saber académico com um saber com maior foco estratégico, fruto da experiência das empresas, resulta em programas de maior impacto junto dos colaboradores das organizações. Os outcomes da formação conjunta, se bem desenhada, farão um maior fit com as necessidades dos executivos que frequentam as academias corporativas.

O desfasamento entre a formação e o mundo corporativo ainda é umas das principais lacunas que se aponta ao ensino. Como asseguram que a vossa formação dá, de facto, resposta às necessidades do mercado?

Na Católica Porto Business School o nosso ponto de excelência é a proximidade e a relação com as empresas. E podemos dar um exemplo recente no âmbito do MBA Executivo. Na verdade, nós vemos as escolas de gestão como “aceleradores” de conhecimento por via da sua capacidade para sistematizar e estudar práticas e experiências empresariais. Neste sentido, idealizamos o Clube de Empresas como uma interface universidade-empresa, uma plataforma de residência de vários projectos que partilham em comum o envolvimento das empresas no processo de formação e desenvolvimento dos gestores, tendo em vista profissionais mais bem preparados para as empresas. O Clube de Empresas é composto por 17 empresas que asseguram as visitas
de estudo, sessões de contacto com os CEO, participação no Conselho Consultivo do MBA, participação em seminários e fornecimento de casos de estudo que suportarão os projectos de parte dos módulos lectivos. Este exemplo aplica-se noutro tipo de dinâmicas em todos os programas. E esta proximidade faz-nos perceber, e antecipar, as necessidades das empresas. Apostamos em diversos formatos de contacto com o mundo empresarial como o career day, o connecting with business, os programas de mentores e as permanentes visitas a empresas. Se me perguntar se ainda há caminho a fazer, eu sou obrigada a dizer que sim. Mas de ambos os lados. Precisa- mos igualmente que as empresas estejam abertas às universidades, uma vez que para materializar as nossas iniciativas precisamos da disponibilidade  das organizações.

Quais os factores distintivos da oferta da Católica Porto Business School?

A Católica Porto Business School é uma marca cuja promessa assenta em três eixos estratégicos: 1) internacionalização – seja pelos currícula dos nossos programas, pelos docentes convidados, pelos alunos internacionais ou mesmo pelas experiências em semanas internacionais, o nosso foco é a preparação de profissionais para um mundo cada vez mais global; 2) inter-relação empresarial – através de uma estreita ligação ao tecido empresarial, procuramos perceber e antecipar as suas necessidades e criar as respostas que contribuem para a melhoria da qualidade da gestão; 3) inovação – estamos em constante interacção com as empresas, os alumni, os alunos e as melhores práticas internacionais para oferecermos soluções inovadoras que, em cada momento, sejam a resposta ao que o mercado necessita.

Qual a importância dos programas customizados para empresas?

A formação customizada é fundamental para que a escola trabalhe e conheça a realidade das empresas, desenvolvendo programas em parceria e que correspondam às necessidades e cumprindo, assim, a nossa missão de melhorar a qualidade da gestão das empresas portuguesas. Por outro lado, a aposta da formação in-company permite às empresas anteciparem-se às exigências dos mercados, procurando a formação certa para os seus recursos humanos. A nossa escola tem conseguido fidelizar os clientes in-com- pany e não temos dúvidas de que o conseguimos por força da dedicação das equipas a cada projecto e do nosso foco nas necessidades das empresas e dos seus colaboradores.

Por que é que as empresas procuram este tipo de formação?

As empresas procuram dotar os seus colaboradores de competências que lhes permitam estar mais preparados para os actuais desafios da gestão: procura da diferenciação, definição do posicionamento e do valor da marca, gestão de uma comunicação totalmente fragmentada e digital, processos de internacionalização, pressão da inovação nos produtos, gestão das equipas e das equipas multiculturais, pressão nas estratégias de preço e gestão de pessoas.

Concorda que no mundo de hoje a lógica de abandonar os estudos ao fim de uma licenciatura é obsoleta?

Eu sou ainda mais radical na resposta a essa questão. Se hoje não adoptar- mos uma atitude de aprender constantemente – até o final da vida – todas as formações serão obsoletas.

Os estudos nunca poderão ser abandonados… Temos de ver os percursos, as etapas, e as experiências entre cada fase de aprendizagem. Terminar os estudos na licenciatura é algo obsoleto? Terminar os estudos no mestrado é obsoleto? Terminar os estudos com uma pós-graduação é insuficiente? Terminar os estudos com um MBA é errado? Na verdade, parar de aprender, de estudar, de evoluir será sempre obsoleto. Uma licenciatura é uma licença para aceder ao mercado de trabalho e para continuar a estudar ao longo da vida.

Existem planos para a criação de novos programas para o próximo ano?

Para o ano de 2019/2020 vamos lançar um Curso Avançado em Gestão Comercial tendo como director o professor Carlos Jordana, da ESADE Barcelona; vamos lançar, também, uma pós-graduação em Marketing com especial foco no digital, e-commerce e no retail marketing; e pretendemos relançar a pós-graduação em Gestão para juristas, com um novo director e uma actualização dos conteúdos.

 

Este artigo foi publicado na edição de Junho da Human Resources, no Caderno Especial sobre Formação.

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