Colaboradores a tempo parcial consideram voltar ao trabalho a tempo inteiro. Mas com uma condição

Num momento em que o crescimento económico é uma prioridade, o novo relatório da International Workplace Group (IWG) revela o potencial do trabalho híbrido para impulsionar a produtividade e atrair profissionais qualificados. Segundo os dados da IWG, 44% dos trabalhadores em regime parcial consideram regressar ao regime integral graças à flexibilidade oferecida pelo modelo híbrido.

O estudo mostra que o maior obstáculo à permanência e regresso dos trabalhadores a tempo parcial é o aumento dos custos de deslocação. Relacionado com esta informação, 40% dos actuais trabalhadores em regime parcial afirmam que abandonariam os seus trabalhos caso tivessem de se deslocar diariamente até um escritório no centro das cidades.

De acordo com dados do Trading Economics, existem em Portugal cerca de 426 mil colaboradores em regime part-time, o que representa aproximadamente 8% da força de trabalho nacional. Ainda que este valor seja inferior à média europeia, as necessidades deste grupo devem ser endereçadas pelos líderes empresariais que pretendem reter talento e potenciar o crescimento das organizações. Quase metade (49%) dos inquiridos admite que abandonaria o emprego se lhes fosse negada a possibilidade de trabalhar de forma flexível.

O impacto da falta de flexibilidade já tem resultados visíveis: 31% dos trabalhadores a tempo parcial que são obrigados a deslocar-se diariamente estão à procura de novas funções, e 55% afirmam que deixariam o emprego actual caso tivessem de percorrer longas distâncias durante a semana.

Por outro lado, os benefícios da flexibilidade são claros. Mais de metade (55%) dos inquiridos afirmou que regressaria ao mercado de trabalho se pudesse ter maior autonomia na definição dos horários e locais de trabalho. Além disso, 57% consideram que trabalhar a partir de espaços flexíveis, mais próximos da sua residência, tornaria o regresso ao escritório mais atractivo. Também é relevante salientar que 63% dos trabalhadores a tempo parcial afirmam que aumentariam o número de horas trabalhadas se tivessem acesso a maior flexibilidade.

Entre os trabalhadores mais velhos, o regime parcial é igualmente determinante: 45% referem que esta modalidade lhes permitiu adiar a reforma, mantendo-se activos e a contribuir para o mercado de trabalho.

O estudo da IWG confirma ainda que os custos de transporte são um dos principais fatores que afastam os trabalhadores a tempo parcial do mercado laboral. Quatro em cada dez (41%) antigos trabalhadores referem que o preço das deslocações os desmotivou a regressar, enquanto 44% dos actuais colaboradores nesta condição reconhecem que os custos crescentes dificultam a permanência no emprego.

Em Portugal, este impacto é ainda mais relevante. De acordo com dados do Eurostat, Gabinete de Estatísticas Europeu, a maioria dos trabalhadores em regime part-time encontra-se nesta situação de forma involuntária, seja por necessidade de um rendimento adicional ou pela ausência de oportunidades em full-time. Neste contexto, os custos associados às deslocações tornam-se um peso acrescido, reforçando a importância de soluções de trabalho flexível.

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