Por Ivo Gomes, CEO da MOB Agency
Se eu contratasse assim, seria um hipócrita.
O meu percurso académico não é exactamente um caso de estudo inspirador. Estudei Economia. Odiei. Demorei oito anos a acabar — com um MBA pelo meio e não existirá muita gente que se lembra de mim dentro de uma sala de aula. Não vim do marketing. Queria muito trabalhar em marketing. Então aprendi como aprende quem não tem outra opção: tentando, falhando, e começando de novo no dia seguinte. Noitadas a ler blogs e reddit, até que comecei a encontrar os livros certos e me forcei realmente a lê-los. Conversas com pessoas que me fizessem crescer. Quase tudo o que sei foi construído fora de qualquer sala de aula, por vontade própria e pela necessidade de fazer as coisas funcionarem.
Seria, portanto, uma forma sofisticada de hipocrisia exigir a outros um caminho que eu próprio não fiz.
Há algo no recrutamento que me incomoda há anos. Quem recruta acredita genuinamente que está à procura do melhor candidato. Mas há uma motivação menos visível a operar em paralelo: o medo de errar.
Medo de ser despedido.
E esse medo, muitas vezes, é mais poderoso do que a ambição de acertar. O resultado é previsível: escolhem-se perfis de baixa variância — candidatos seguros, convencionais, parecidos com o que já funcionou antes. A vaga é preenchida, a equipa cresce, e a diversidade real fica pelo caminho.
Na única entrevista que fiz disseram-me: “Um perfil como o teu pode trazer muitas coisas boas ou muitas coisas más.” Acabei por não querer lá entrar. Na MOB não cometo esse erro.
Prefiro o perfil que tentou cinco coisas diferentes antes dos vinte e cinco anos. Que trabalhou em sítios que não tinham nada a ver com o que queria fazer. Que desenvolveu curiosidade que ninguém lhe pediu para ter e que não esperou autorização para aprender. Esse tipo de percurso não se lê num CV limpo — aparece na conversa, nas histórias, no que a pessoa fez quando ninguém estava a ver.
Contratar mais do mesmo, ainda que em versão melhorada, produz equipas que pensam de forma semelhante, atacam os problemas da mesma maneira e têm os mesmos pontos cegos. Quem percorreu o caminho menos óbvio desconforta criativamente. E é esse desconforto que faz crescer uma equipa e, por consequência, uma empresa.
É por isso que tentamos correr o mesmo risco com os nossos mobsters.
O nosso processo de recrutamento é uma mistura de experiência acumulada — escolhas certas e erradas — e de uma ideia simples que ouvi de Colin Bryar, ex-shadow do Jeff Bezos na Amazon: define os teus princípios e contrata, promove e despede com base neles. Na sua grande maioria, não sei que licenciaturas ou mestrados os nossos mobsters têm. Sei que estão alinhados aos nossos princípios e que o seu potencial nos entusiasma mais do que nos assusta.
Para quem está à procura da primeira oportunidade, talvez seja mais inteligente reduzir a percepção de risco de quem te avalia do que mostrar o quão diferente és. Mas eu não gostaria de fingir ser menos do que sou para caber num molde. E não vou pedir a outros que o façam.












































































































































































































