Dos salários de topo à desigualdade de género. O retrato da tecnologia em Portugal

2019 tem reflectido a tendência dos últimos três anos: a área das Tecnologias da Informação (TI) continua a brilhar em Portugal, mas a necessidade de encontrar talento cresce na mesma proporção. Quem o diz é a consultora de recrutamento e selecção especializada Robert Walters.

 

Segundo a consultora, além do próprio sector de TI, os sectores das Telecomunicações, Software, Banca, Serviços Financeiros, Seguros, Cybersecurity e Desenvolvimento apresentam uma procura «extremamente elevada» por perfis tecnológicos.

Por outro lado, a indústria eléctrica e electrónica, program development, management consulting, market research, companhias aéreas e aviação, energias renováveis e ambiente, computer software, produção alimentar, indústria farmacêutica, Internet e serviços financeiros foram os sectores nos quais a oferta de emprego para estes profissionais mais cresceu em 2019.

De acordo com a Robert Walters, «os profissionais de TI são os mais difíceis de contratar, tendo na sua maioria mais do que uma oferta de emprego por onde escolher, devido à sua escassez e elevada procura pelo mercado». Assim, «as empresas que quiserem manter os melhores profissionais, para além de terem de oferecer um excelente pacote salarial, terão de se preocupar com muitos outros benefícios para atrair e manter talento, principalmente flexibilidade, possibilidade de trabalho remoto, e medidas que assegurem o work-life balance», recomenda.

Embora muitos profissionais de TI em Portugal saiam do país com ofertas de emprego em países como Espanha, Holanda, Brasil ou Estados Unidos, destaca que cada vez mais profissionais se deslocam para Lisboa e Porto ou até mesmo Braga e Coimbra. Por outro lado, cidades como Aveiro, Leiria e Ponta Delgada têm visto os seus profissionais migrar para a capital ou mesmo para fora do país.

 

Quais as funções mais procuradas?
Além das tradicionais Java e tecnologias Microsoft (C# e .Net), a consultora faz notar «um aumento bastante significativo» das necessidades de programadores Python. «Esta linguagem, pela versatilidade, robustez e acessibilidade, é cada vez mais utilizada em sistemas complexos como Data Science, Machine Learning e Inteligência Artificial que, por sua vez, são outras áreas com grande procura de profissionais no mercado», reforça.

Com a crescente internacionalização das empresas e a necessidade cada vez maior de agilizar os seus processos, há também uma elevada procura de profissionais para implantação de sistemas integrados de gestão empresarial como SAP nas suas diversas especializações para aproximar as empresas em Portugal de outras filiais em diversos países. No que diz respeito à velocidade e agilidade, perfis em Outsystems (plataforma portuguesa low-cost que simplifica o desenvolvimento de diversos sistemas) estão muito em voga. Sistemas complexos, como Data Science, Machine Learning e Inteligência Artificial, são outras áreas com grande procura de profissionais no mercado.

Programadores mobile e especialistas em segurança da informação continuam a ser bastante requisitados. «Poucas empresas hoje podem preterir de disponibilizar os seus serviços em telemóveis e menos ainda as que podem arriscar-se (até legalmente, visto as normas de RGPD) a ter dados confidenciais expostos», recorda.

Para a Robert Walters, o cenário será semelhante em 2020, com uma ampliação da necessidade de profissionais de Devops (responsáveis pela conexão entre as operações e o desenvolvimento de software) e outros especializados em Infrastructure as a Code, que são responsáveis pela nova tendência de gerir e provisionar os centros de processamento de dados, usando arquivos de configuração em vez de configurações físicas de hardware, estando intrinsecamente ligados à Cloud Computing.

 

Salários de topo
As remunerações para profissionais de IT são as que mais têm subido nos últimos anos, sendo das áreas mais bem pagas em Portugal actualmente, destaca. A área de Data & Analytics é, de acordo com a consultora, é onde existem aumentos mais elevados face aos anos anteriores.

Exemplificando: um big Data specialist com dois a cinco anos de experiência em 2019 podia ganhar entre 45 e 55 mil euros brutos anuais, sendo que em 2020 estima-se que possa ganhar até 65 mil euros, por ano. Da mesma forma, um data scientist que ganha entre 50 e 60 mil euros em 2019 pode ganhar até 70 mil euros no próximo ano.

Os dados da Robert Walters também vem contribuir para a tese de que ainda há muitos muros por derrubar na área, uma das mais desiguais em todo o mundo. De acordo com a empresa, há actualmente 21% de mulheres a trabalhar em tecnologia, contra 79% de homens.

A larga maioria (75%) tem mestrado, subindo para 76% no caso dos profissionais recém-graduados.

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