Europass: Valorizar competências

O mercado de trabalho valoriza cada vez mais as competências transversais. Esta realidade deve ser promovida junto dos jovens. Daí a importância do Europass.

 

O Europass abrange todos os cidadãos, jovens e adultos que pretendam ver as suas qualificações e competências registadas nos documentos europeus. Os principais utilizadores em Portugal são, normalmente, os jovens à procura do primeiro emprego e o pessoal educativo, como explica em entrevista Catarina Oliveira, coordenadora do Centro Nacional Europass.

Em que consiste hoje o Europass e como evoluiu ao longo do tempo?

O Centro Nacional Europass (CNE) é a entidade responsável pelo Europass em Portugal. O CNE tem como principais funções promover e gerir o Europass, garantir o uso eficaz dos documentos Europass e ajudar os cidadãos a preencher os documentos Europass. Desde a criação do Europass, em 2005, até ao momento, 28 335 885 Europass CV foram emitidos em Portugal, o que nos permitiu ficar no primeiro lugar do ranking europeu na utilização do Europass. Só no primeiro semestre deste ano, já foram emitidos 1 091 670 documentos Europass CV e 7121 Europass Passaporte de Línguas, em Portugal. Relativamen- te ao documento Europass Mobilidade, nos últimos dois anos aumentamos em 50% a emissão deste documento – 4500 documentos emitidos só em 2019.

Quais é que são os objectivos do Centro Nacional Europass?

O CNE pretende focar-se nas empresas portuguesas. É importante sensibilizar os empregadores/recrutadores para a vantagem de receberem os CV em formato europeu. A uniformização deste documento permite ao empregador/ recrutador captar os conhecimentos e competências de uma forma mais facilitada e mais rápida, visto já saber onde se encontra a informação que procura. O que acontece em formatos livres é que nem sempre os CV vão ao encontro das necessidades dos empregadores.

O Europass desenvolveu uma ferramenta que permite armazenar e extrair, de um modo eficaz, informações a partir de uma base de dados para os Recursos Humanos, facilitando a análise dos CV pelos empregadores/recrutadores (interop.europass.cedefop.europa.eu/).

Por outro lado, o Europass preocupa-se em dar aos jovens, em especial os jovens nem-nem, ou seja, os jovens que não trabalham nem estudam, a possibilidade de utilizarem o CV Europass como uma ferramenta para a sua empregabilidade, demonstrando as suas competências técnicas e sociais. De forma a poder alcançar este público, o Europass trabalha em parceria com diversas entidades, nomeadamente a nível nacional com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a nível europeu com a rede Eures.

Além do mais conhecido, o CV, o Europass inclui mais quatro documentos. Quais as mais-valias de cada um deles?

O Europass Curriculum Vitae é o documento que regista informação sobre educação e formação, percurso no mercado de trabalho, competências linguísticas, capacidades e competências pessoais e informação adicional. Já o Europass Passaporte de Línguas regista os conhecimentos em línguas estrangeiras, as experiências e competências culturais. No que diz respeito ao Europass Mobilidade, este documento regista, num modelo comum, o percurso de aprendizagem, estágio, formação profissional ou estudos na Europa. Relativamente ao Europass Suplemento ao Diploma verificamos o registo de conhecimentos e competências adquiridas durante o período académico, facilitando a compreensão por terceiros do significado do diploma. De referir que a sua emissão é da responsabilidade das instituições de ensino superior. Por fim, o Europass Suplemento ao Certificado, a descrição geral do curso e dos créditos do certificado de formação profissional. Neste caso a emissão é da responsabilidade das instituições de formação profissional.

De que forma o Europass ajuda os cidadãos europeus a apresentar as suas competências e qualificações de forma clara e facilmente compreensível na Europa?

O CNE facilita a integração de cidadãos no mercado de trabalho através da construção de um portefólio de documentos, com toda a informação pertinente do utilizador, facilitando a leitura/selecção por parte dos empregadores. Cada documento Europass tem uma função específica, tendo como objectivo final facilitar, ao seu utilizador, a entrada no mercado de trabalho nacional ou europeu.

Qual a intervenção do Europass no processo de um cidadão que deseja fazer formação noutro país europeu?

A este nível, o CNE pode emitir o documento Europass Mobilidade a qualquer cidadão português, desde que beneficie de um período de aprendizagem/formação no estrangeiro, quer seja através do Programa Erasmus ou de outra iniciativa. Este documento visa registar todos os conhecimentos e competências adquiridos durante essa formação, substanciando a informação que deve constar no CV do próprio beneficiário. A novidade é que este documento europeu já pode ser emitido para períodos de formação realizados em Portugal. Para ambas as situações, o documento deve ser solicitado através da plataforma online, em www.europass.pt.

Qual a intervenção do Europass no processo de um cidadão que deseja trabalhar noutro país europeu?

Sendo o CNE a entidade reguladora da iniciativa Europass, para além de promover os documentos Europass, o CNE presta apoio aos cidadãos no desenvolvimento de instrumentos de transparência das suas qualificações, para integração no mercado de trabalho. A grande intervenção presta-se com o apoio na elaboração de um CV competitivo para o mercado de trabalho nacional e europeu. Para tal, fazemos divulgações em instituições de ensino secundário, profissional e superior, cobrindo todo o território nacional; fazemos análises de CV presencial e online; e participamos em feiras de formação e emprego.

E no que diz respeito aos empregadores, de que forma o Europass lhes é útil?

O elevado número de CV emitidos em Portugal também se deve ao facto da grande maioria dos empregadores portugueses valorizarem o Europass CV. Este modelo estandardizado permite ao empregador analisar, comparar e seleccionar facilmente todos os CV recebidos uma vez que sabem onde se localiza a informação que pretendem obter do candidato. A pen- sar nestes empregadores, a Comissão Europeia e os CNE desenvolveram uma plataforma que permite ao emprega- dor enviar todos os CV Europass recebidos. A própria plataforma converte toda a informação contida nos CV para uma base de dados Excel, facilitando assim o empregador analisar a informação recebida (interop.europass. cedefop.europa.eu).

Que outras novidades poderão surgir no futuro relacionadas com o Europass e quais os desafios a que ainda querem dar resposta?

Considerando que o trabalho desenvolvido tem revelado ser de grande utilidade para os jovens, o CNE está a pensar continuar a desenvolver actividades semelhantes. Queremos chegar ainda mais às empresas portuguesas, sensibilizando-as para a importância de um CV claro, facilitando depois a entrevista de trabalho. A uniformização deste documento permite ao empregador/ recrutador captar os conhecimentos e competências de uma forma mais facilitada e mais rápida, visto já saber onde se encontra a informação que procura. O que acontece em formatos livres é que nem sempre os CV vão ao encontro das necessidades dos empregadores.

Queremos também trabalhar em conjunto com outras iniciativas europeias, nomeadamente a rede Euroguidance, Eurodesk, Naric, ESCO, reunindo toda a informação que possa facilitar a candidatura a uma oportunidade de emprego.

Por fim, mas não menos importante, há ainda um público a que estamos muito atentos – os jovens “nem-nem”, ou seja, os jovens que não trabalham nem estudam.

 

Este artigo foi publicado na edição de Junho da Human Resources.

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