Falta de enfermeiros leva a mais de 6.500 pedidos de escusa de responsabilidade

Mais de 6.500 enfermeiros pediram escusa de responsabilidade principalmente por falta de profissionais para garantir a segurança dos cuidados prestados, número que quintuplicou desde Novembro de 2021 (1.300 declarações entregues), revelou a Ordem dos Enfermeiros (OE).

 

«Em causa está a degradação dos serviços, sobretudo devido à falta de enfermeiros, o que leva ao incumprimento das dotações seguras, pondo em causa a qualidade e segurança dos cuidados prestados», refere a Ordem, que já recebeu 6.541 pedidos de escusa de responsabilidade, mais 974 face a Junho (5.567), quando divulgou os últimos dados.

«Só na zona Centro, os pedidos de escusa ascendem a 4.500, sobretudo, devido às situações que se vivem em Leiria e nas Caldas da Rainha», sublinha. Entre as declarações que chegaram à OE, a maioria corresponde a profissionais do Hospital de Leiria (3.484), do Centro Hospitalar do Oeste (constituído pelas unidades hospitalares de Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras) – Caldas da Rainha (561) e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (338).

A região Sul, com um total de 1.726 declarações de escusa, é a segunda zona do país mais afectada, com o Hospital do Algarve a encabeçar o número (197), seguido do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que integra o Hospital Santa Maria (195) e o Hospital Pulido Valente. O Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) e o Hospital de Setúbal também têm «um grande número de escusas apresentadas por enfermeiros», com 174 e 137, respectivamente.

Na região Norte, 132 profissionais apresentaram esta declaração, a maioria no Hospital Santa Maria Maior (47), em Barcelos, no Hospital São João (33), no Porto, no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (21) e no Hospital de Braga (19).

Nos Açores, 128 enfermeiros recorreram a esta declaração, enquanto na Madeira foram 37.

Esta declaração foi disponibilizada pela OE em Janeiro de 2021, em plena crise pandémica, para acautelar eventuais acções disciplinares, civis ou mesmo criminais dos doentes a seu cargo. Citando estudos internacionais, a Ordem refere que «por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro a mortalidade sobe 7% nos hospitais».

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