Flash Talk: Que papel assumem hoje os Data Scientists em Portugal?

Os mais recentes dados do Guia do Mercado Laboral da Hays Portugal, relativos a 2020, dão conta de que os profissionais ligados à área de tecnologias de informação (TI) continuam a estar entre os mais procurados e os salários nesta área com previsões de subida.

Em entrevista à Human Resources, João Paulo Oliveira, co-fundador da BiLD Analytics, uma spin-off da NOVA IMS, que desenvolve modelos preditivos que ajudam as empresas a atingir os seus objetivos, fala-nos do contributo do business analytics para as empresas em Portugal.

 

Como avalia a evolução do papel dos Data Scientists no mercado nacional?
A área de data science em Portugal, tal como no resto do mundo, tem tido um crescimento
bastante acentuado quando comparada com outras áreas de atividade. Isso deve-se essencialmente ao ritmo elevadíssimo a que a geração de dados hoje acontece, sendo assim essencial extrair valor desses mesmo dados, alguns deles críticos para decisões estratégicas das empresas. Naturalmente, o resultado é um aumento significativo da procura destes perfis.

 

Para que áreas são mais requisitados atualmente?
A área de data não é independente das restantes áreas das tecnologias da informação, mas sim complementar. Nesse sentido, acaba também por ser influenciada pelo estágio da infraestrutura de dados de cada empresa, estando esta normalmente numa fase ainda inicial de desenvolvimento. Devido a isso, hoje em dia a área mais procurada de data science ainda é data engineering, que não é mais do que o desenvolvimento e implementação da infraestrutura de dados necessária para que depois as análises e os modelos de machine learning/artificial intelligence possam correr sem dificuldades.

 

Como se pode atrair e reter talento nesta área?
Esse é, efectivamente, um dos maiores desafios desta indústria. Na BiLD Analytics, acreditamos que o mesmo só é possível se garantirmos que criamos todas as condições para que os nossos colaboradores possam ser dos melhores do mundo na subárea de data science em que cada um, individualmente, está a apostar. Ao sermos uma empresa exclusivamente dedicada a analytics, sabemos, melhor que ninguém, que necessidades são essas e para nós os resultados não podiam, até agora, ser melhores.

 

Que feedback tem tido do tecido empresarial em Portugal face ao à importância do
business analytics?
O tecido empresarial português tem tido uma reacção extremamente positiva a esta nova
forma de criar de valor para os negócios. Essencialmente, já se começa a sentir no dia-a-dia que os empresários têm consciência de que a implementação de analytics de forma
transversal nas empresas não é um “nice to have”, mas um “must have”, sob pena de o
fosso para a concorrência que o faz ser demasiado grande. Cada vez mais os empresários
portugueses entendem que sem medir, não é possível decidir.

 

Quais as principais vantagens que aporta às empresas?
A grande vantagem consiste no facto de este conjunto de tecnologias e modelos estatísticos não terem um fim em si mesmos, mas constituírem algo que aumenta o valor e ajuda a optimizar os processos já existentes. Assim sendo, desde o CEO ao operário fabril, desde a cadeia de supply chain até aos departamentos de vendas, produto, compras, RH, entre outros, todos poderão beneficiar de informação privilegiada relacionada com as suas áreas de atuação, que de outra forma não conseguiriam. Prova disso é a vantagem competitiva que as maiores empresas mundiais conquistaram devido à estratégia transversal de analytics que implementaram.

 

Que diferença pode fazer em matéria de gestão de Recursos Humanos?
Também para a gestão de pessoas, esta área pode fazer toda a diferença. Por um lado, permite automatizar algumas tarefas repetitivas e pouco estimulantes para a maioria das pessoas, permitindo, por isso, que se foquem nas tarefas mais interessantes e desafiantes, e consequentemente, contribuir para o aumento da felicidade no trabalho. Por outro lado, também tem potencial para gerar informação extremamente relevante para quem tem a responsabilidade de gerir equipas grandes, nomeadamente estimar se um trabalhador está com trabalho acima da sua capacidade ou calcular a probabilidade de um colaborador querer abandonar a empresa. No fundo, oferece informação privilegiada para o decisor também na gestão de pessoas.

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