Formação: a força para as empresas em momento de crise

Human Resources
12 de Maio 2023 | 11:00
Formação: a força para as empresas em momento de crise

Situações extremas exigem medidas extremas. Quando é preciso cortar custos nas organizações, a aprendizagem e o desenvolvimento são, tradicionalmente, das primeiras áreas visadas, mas estas decisões não podem estar mais erradas.

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Por Pedro Monteiro, Sales manager da GoodHabitz

 

Então em tempos de crise vamos deixar de investir numa das áreas mais importantes para a produtividade e lucro da empresa? Isso só vai servir para agravar o problema. Há outras formas de diminuir custos sem deixar de investir em formação. Por exemplo, diminuir o tempo de formação em sala, investindo mais na formação digital.

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Para compreender melhor este tema, é preciso perceber bem o impacto que a formação tem nas organizações e pensar nas razões que justificam o contínuo investimento nas pessoas dentro de uma empresa, através da aprendizagem corporativa.

Para começar, quanto maior for o investimento feito nesta área, maior será a probabilidade de a empresa ver resultados. Cerca de 42% das organizações vê um aumento nos seus lucros após investir na formação. Segundo o mesmo estudo realizado pela IBM, cada euro investido na formação online resulta em 30€ de produtividade. A aprendizagem digital em algumas situações, e nomeadamente neste contexto, ainda pode ser mais eficaz, porque os colaboradores conseguem desempenhar as suas tarefas mais rapidamente e aplicar as suas novas competências imediatamente, sem que tenham de sair do seu posto de trabalho durante muito tempo. Este lucro deriva de diversos indicadores.

A aprendizagem e desenvolvimento promoverão um aumento do engagement (já considerado um KPI de negócio nos EUA), envolvimento e motivação dos colaboradores no trabalho que é (e deve ser) uma das bases da estratégia de RH das organizações de hoje. Segundo a AON, colaboradores empenhados acrescentam mais valor às organizações e têm maior probabilidade de permanecerem na empresa, falarem de forma positiva sobre o seu trabalho e esforçarem-se para alcançarem o sucesso, o que leva a uma maior produtividade e menor rotatividade. Outros indicadores que são sempre impactados com a formação e um maior engagement são a satisfação do cliente e, consequentemente, o aumento de vendas.

Este é ainda um investimento do presente, mas também para o futuro, uma vez que as gerações mais jovens encaram cada vez mais o desenvolvimento pessoal como uma prioridade. Quando têm de decidir sobre um potencial empregador, 53% (estudo Goodhabitz) põem a “formação e desenvolvimento” no topo da sua lista de factores decisivos. Isto significa que as organizações que oferecem programas de aprendizagem e desenvolvimento têm uma maior probabilidade de atrair jovens talentosos e ambiciosos, e de os reter. À medida que a área de people analytics vai evoluindo, podemos falar com mais certezas sobre a relação (e correlações se quisermos) inequívoca entre a formação e o seu impacto em indicadores de negócio.

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No outro dia falava com uma directora de Recursos Humanos de uma empresa brasileira, que comentava como conseguia as verbas de que precisava para a formação junto da sua administração, e deu-me um exemplo muito claro. Trata-se de uma empresa no sector hospitalar que tem uma escola profissional, que permite aos alunos integrarem a empresa quando acabam o curso. Eles compararam a taxa de rotatividade de alunos da escola com os outros colaboradores que não tinham passado por essa formação e a diferença era muito grande, e claro, isso reflecte-se numa diferença enorme em termos de retorno financeiro.

Penso que esta área de people analytics é sem dúvida uma área em que os gestores de formação devem apostar para saberem apresentar os resultados do seu trabalho, e assim justificar o investimento na formação. No que respeita ao investimento em formação, há que ter ainda em conta pessoas neurodivergentes – com dislexia ou autismo, por exemplo – que representam uma fatia importante da nossa população activa. Para incluir este talento nas estratégias organizacionais e assegurar um ambiente de aprendizagem seguro e acessível a todos, as organizações têm de ver a aprendizagem e desenvolvimento como algo que é mesmo necessário e não opcional. Prova disso é o estudo da SAP que conclui que as equipas com colegas neurodivergentes criam produtos mais inovadores e têm mais competências de gestão e empatia. Estas equipas conseguem ser ainda 30% mais produtivas. Ao incluírem pessoas neurodivergentes, as empresas criam ambientes de aprendizagem mais inovadores, inclusivos e compreensivos, que englobam um maior espectro das experiências e perspectivas humanas. Por último, não só traz uma maior diversidade de competências, como pode também permite inverter a actual escassez de mão-de-obra.

Por outro lado, os tempos de crise levam sempre a mudanças significativas, sejam elas económicas, sociais ou de saúde. Assistimos a isso há algum tempo. As empresas têm feito um esforço para se adaptar ao contexto atual de forma a manterem-se competitivas. Ora, os colaboradores mais bem qualificados são aqueles que se conseguem adaptar mais facilmente a novos contextos e objectivos. Além de que a formação é também uma forma de os colaboradores se manterem positivos e motivados durante um período de crise. Esta promove uma sensação de realização e propósito, e claro, há formações específicas de bem-estar, que foi uma das áreas em que tivemos mais procura desde o início da pandemia.

Por tudo isto, em altura de crise é importante agir em vez de reagir. A economia europeia enfrenta actualmente um momento menos pujante, contudo, este período será seguido por um momento de crescimento, para o qual as organizações têm já de estar preparadas. Se a prioridade em tempo de crise for desinvestir na aprendizagem e desenvolvimento, provavelmente ficarão para trás quando a economia voltar em força e não terão uma boa capacidade de resposta em contexto de crise. A formação e o desenvolvimento deve ser algo contínuo, nunca pode parar! Isto é mais verdade do que nunca no contexto atual de mudança constante.

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A aprendizagem e desenvolvimento permitirão não só manter vantagem competitiva no momento actual – caso as empresas tenham a coragem de agir e investir nesta – como ganhar vantagem competitiva para o futuro – colhendo os frutos que plantaram antes.

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