Igualdade nos salários e nas licenças parentais como prioridade

Margarida Lopes
25 de Setembro 2019 | 10:10
Igualdade nos salários e nas licenças parentais como prioridade

A Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) celebrou 40 anos de actividade no passado dia 20 de Setembro. As quatro décadas de progresso pela igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho foram assinaladas num seminário comemorativo, que teve como mote “o futuro com igualdade”. A questão salarial e as licenças parentais estiveram em destaque.

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O seminário contou com as intervenções do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, de anteriores presidentes da CITE, Maria do Céu da Cunha Rêgo e Catarina Marcelino, e com uma mesa redonda sobre perspectivas para o futuro com igualdade, na qual participam representantes de todos os parceiros sociais, do Conselho Económico e Social (CES) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva começou por destacar o período de mudanças em matéria de igualdade, que se seguiu a seguir à criação da CITE, em 1979, com a alteração da Constituição da República em 1976, e com o surgimento da ideia, de que o trabalho é uma ferramenta de igualdade.

«Em matéria de igualdade, o nosso país destaca-se pela positiva e pela negativa em diferentes aspectos. Há dois aspectos que têm indicadores positivos, Portugal é dos países que tem uma taxa de emprego feminina mais elevada e é dos países que tem boas respostas sociais ao apoio na infância, instrumento fundamental das políticas conciliação» explicou o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Ressalvou no entanto que «isso não quer dizer que possamos descansar pelos indicadores positivos que temos, porque apesar da nossa taxa de emprego feminina ser elevada e estar acima da média europeia, continua a haver uma grande diferença salarial entre homens e mulheres, apesar de grande parte das mulheres terem um nível de qualificação superior aos homens, sendo este um dos desafios mais relevantes, a par da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal. A desigualdade salarial, a conciliação e o assédio são provavelmente as três dimensões fundamentais que têm de continuar a ser trabalhadas no futuro».

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Na opinião de José António Vieira da Silva, a legislação é outra das dimensões que deve ser trabalhada. Quando há desigualdades muito grandes, a lei deve agir e a CITE tem um papel importante no cumprimento e divulgação da lei.

O ministro vai mais longe e considera que a igualdade entre mulheres e homens tem de ser assumida «como um objectivo, e não basta estar na lei».

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Já a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, destacou que «o combate à igualdade no trabalho, que é missão da CITE, só se consegue através do trabalho concertado entre o Governo, administração pública, central e local parceiros sociais, sector empresarial e sociedade civil».

Mais: «O caminho das empresas públicas e privadas no aumento da representação feminina nas lideranças, na sequência da lei de 2017. Sendo que hoje as empresas privadas, estão apenas a 1% de atingir o limiar mínimo obrigatório, que é de 33,3%. As empresas do sector do Estado já o ultrapassaram, apresentando hoje uma percentagem de 35% e as empresas locais estão a 2,3 pontos percentuais do limiar estabelecido na lei.»

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade relembrou ainda que, entre 2012 e 2017, verificou-se uma tendência de redução da diferença entre os salários de homens e mulheres. Este processo ganhou uma nova dinâmica, na sequência da lei remuneratória, que avalia objectivamente as funções que cada pessoa desempenha. Um trabalho que a CITE tem vindo a apoiar.

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Houve também um aumento da participação dos homens no gozo das licenças de parentais, atingindo as taxas mais altas de sempre em 2018, com  77,2 % dos homens a gozarem a licença obrigatória e 70,6% a gozarem a licença facultativa, e quase 40% a partilhar a licença.

Outro dos pontos destacados por Rosa Monteiro, foi a forma como as empresas de hoje reconhecem a importância de contrariar a segregação sexual das profissões. Segregação essa, que faz com que as mulheres estejam sub-representadas em diversas áreas. No caso das Tecnologias de informação e comunicação (TIC), apenas 17% são estudantes desta área e apenas 14% trabalham nela.

A este propósito, 20 empresas estão envolvidas no projecto “Engenheiras por um dia”, que juntamente com escolas, universidades, autarquias e sociedade civil, desenvolvem acções, visitas de estudo e campanha com o intuito de motivar as estudantes ainda antes de entrarem no ensino superior a seguirem as áreas das engenharias e das TIC.

Maria do Céu da Cunha Rêgo, presidente da CITE, entre 1997 e 2001, defendeu os conceitos de maternidade e paternidade e considera que apesar de termos licenças partilhadas desde 2007, «enquanto as mulheres gozarem nem que seja mais uma semana de licença, não vai haver concorrência leal no trabalho».

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Por sua vez, Catarina Marcelino, presidente da CITE em 2009, lembrou que, quando foi presidente, «houve a alteração das licenças de maternidade e paternidade e mudou a forma como olhamos para elas, mas, em 2019, olhando para trás, e apesar das transformações, ainda não houve uma mudança estrutural. Temos que investir na educação para a cidadania, nas escolas e no mercado do trabalho», enfatizou.

A antiga presidente da CITE terminou com um desafio lançado aos parceiros sociais, ministro do Trabalho, Assembleia da República: ter o apoio na concertação social para a igualdade e que este tema seja prioritário.

Na mesa redonda, sobre “Perspectivas para o futuro com igualdade”, também ficou clara a importância dos parceiros sociais caminharem paralelamente com a CITE na procura de soluções conjuntas em termos de igualdade e não discriminação, promovendo a conciliação da vida profissional, familiar e pessoal, a igualdade salarial e contribuindo para a consciencialização do papel da mulher no local de trabalho.

Foi também destacado o impacto que a igualdade entre mulheres e homens no trabalho tem na produtividade das empresas e no potencial de quem trabalha e, que por isso, os agentes do trabalho devem fazer um esforço comum para a atingir.

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