Mais de 60% dos profissionais prefere ter uma mudança de carreira vertical (em vez de transições laterais)

Um novo estudo conduzido pela Michael Page revela que a maioria dos profissionais privilegia a progressão vertical na carreira, associada à assunção de maiores responsabilidades e à evolução nas funções, em detrimento de movimentos laterais. De acordo com os dados, 62% dos inquiridos manifestam preferência por uma mudança vertical, valorizando promoções internas e a ascensão na hierarquia, enquanto apenas 26% atribuem maior importância a transições laterais.

Baseado numa amostra de mais de 6800 candidatos a emprego em toda a Europa Continental, incluindo Portugal, o estudo analisou objectivos profissionais, níveis de responsabilidade, expectativas de progressão, mobilidade interna e mudanças de função ou de sector, entre outros elementos centrais para a gestão de talento.

Entre as principais conclusões do estudo, destaca-se que os candidatos com menos de 49 anos e profissionais em funções de direcção revelam maior propensão para privilegiar a progressão vertical. Sectores como engenharia e jurídico destacam-se pela preferência por promoções e ascensão hierárquica, enquanto os profissionais de vendas e marketing tendem a valorizar mais movimentos horizontais.

Para 70% dos profissionais em Portugal, assumir funções de maior responsabilidade está directamente associado a um aumento da satisfação profissional. Metade dos inquiridos (50%) destaca igualmente a valorização salarial como um factor determinante. Adicionalmente, 54% acreditam que esse nível acrescido de responsabilidade lhes permite influenciar de forma mais positiva as decisões da empresa.

Apesar de muitos candidatos considerarem estar preparados para assumir funções de maior responsabilidade, a falta de suporte organizacional continua a ser um obstáculo significativo. A maioria dos profissionais de diferentes gerações (Boomers, Geração X e Millennials) acredita deter as competências necessárias para evoluir para funções de maior exigência e responsabilidade. Ainda assim, 17% referem necessitar de apoio ou formação adicional, sobretudo os profissionais mais jovens e aqueles que não desempenham funções de gestão.

Mesmo sentindo-se capazes, mais de metade (54%) considera que não existem reais possibilidades de crescimento dentro da sua empresa, uma percepção particularmente expressiva entre cargos de direcção. Adicionalmente, 26% afirmam que não existem políticas de mobilidade interna, reforçando a distância entre a ambição dos profissionais e as práticas das organizações.

A satisfação no trabalho supera o salário: os candidatos associam o crescimento vertical ao desenvolvimento na carreira e a novos desafios, mais do que a aumentos salariais. Dois em cada cinco candidatos referem um impacto positivo no salário associado a um aumento de responsabilidades, sendo essa percepção ainda mais relevante para candidatos entre 30 e 49 anos e que não exercem cargos de gestão. No entanto, em Portugal, cerca de metade dos candidatos refere que consideraria uma mudança de função dentro do mesmo nível por motivos financeiros.

O estudo indica que 54% dos inquiridos consideram que o crescimento na carreira tem impacto positivo nesse equilíbrio, reforçando que a progressão profissional nem sempre afeta o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Em Portugal, 44% dos profissionais acreditam que ter mais responsabilidades teria um impacto positivo no seu equilíbrio pessoal e 46% dizem que não haveria impacto, confirmando a percepção de que o crescimento profissional não tem de comprometer o bem-estar pessoal.

A maioria (62%) acredita que três a cinco anos na mesma função é o período mais adequado para procurar uma evolução, embora profissionais mais velhos prefiram períodos mais longos, enquanto os jovens tendem a permanecer de um a dois anos.

No caso dos candidatos portugueses, 31% refere manter-se um a dois anos na mesma função antes de procurar uma mudança, quer seja vertical como horizontal.

As conclusões do mais recente estudo ‘Candidate Pulse – Vertical vs Horizontal Career Change’ Change’ reforçam que a progressão vertical continua a ser percepcionada como o caminho mais direto para o sucesso profissional. Contudo, a evolução horizontal assume um papel relevante ao permitir ao profissional diversificar competências em diferentes áreas ou sectores, mesmo sem assumir funções de liderança

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