Para 90% dos profissionais, é este o sector mais atractivo para trabalhar em Portugal

O sector de IT mantém-se como o mais atractivo para trabalhar em Portugal, sendo a primeira escolha para 87% dos profissionais inquiridos. No entanto, este elevado interesse não se traduz, necessariamente, num mercado equilibrado. As conclusões são do Estudo Global HR IT Trends – Portugal, desenvolvido pela Qibit, marca da Gi Group Holding especializada no mercado tecnológico.

 

O estudo que reúne a perspectiva de mais de 300 profissionais e 60 empresas, revela que quase 40% das empresas continuam a enfrentar dificuldades na contratação de profissionais com competências digitais avançadas, evidenciando um desfasamento persistente entre a procura e a oferta de talento num setor em rápida transformação.

Apesar da forte aposta em áreas como Inteligência Artificial, Big Data, Cloud Computing, Cibersegurança e 5G, a análise da Qibit mostra que a evolução tecnológica está a acontecer a um ritmo superior ao desenvolvimento das competências disponíveis no mercado. A crescente adopção de soluções baseadas em Inteligência Artificial, em particular, está a acelerar a transformação dos perfis procurados, aumentando a pressão sobre especialistas altamente qualificados.

As conclusões do estudo indicam ainda que, embora o salário continue a ser um factor relevante, os profissionais de IT valorizam cada vez mais flexibilidade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, projectos desafiantes e oportunidades de aprendizagem contínua. O modelo de trabalho híbrido afirma-se como predominante no sector, enquanto o trabalho remoto surge como decisivo para a atracção de perfis mais especializados.

Outro dos principais constrangimentos identificados prende-se com os processos de recrutamento. Processos longos e pouco claros continuam a levar à perda de candidatos, frequentemente captados por propostas mais ágeis e competitivas, num mercado marcado por elevada concorrência entre empregadores.

Ao nível da retenção, os profissionais de IT apresentam níveis de satisfação superiores aos de outros sectores, mas apontam como principais fontes de stress a carga de trabalho, as mudanças organizacionais e a falta de percursos de carreira bem definidos, reforçando a necessidade de estratégias de gestão centradas no bem-estar, na transparência e no desenvolvimento profissional.

No que diz respeito às competências críticas para o futuro do sector, o estudo vai além das competências técnicas e destaca uma crescente valorização das soft skills, como pensamento analítico, adaptabilidade, aprendizagem contínua e colaboração.

A análise evidencia ainda que a diversidade e a inclusão continuam a ser desafios estruturais no sector tecnológico em Portugal, particularmente no acesso das mulheres a cargos de liderança, sublinhando a importância de políticas activas e sustentadas.

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