
Por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de sete jovens no mercado de trabalho
A Randstad Research apresentou um relatório dedicado ao talento sénior (55 a 64 anos) e ao seu papel no mercado de trabalho português, que mostra que por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de sete jovens no mercado de trabalho.
A taxa de renovação geracional, que compara o número de jovens (10–19 anos) com o de adultos entre os 55 e 64 anos, mostra um desequilíbrio estrutural da força de trabalho.
Portugal apresenta a quarta pior taxa da UE (68%), o que significa que, no futuro próximo, o país não terá substituição natural para as saídas por reforma, existindo apenas sete jovens para cada 10 profissionais prestes a deixar o mercado de trabalho.
Este défice estrutural de talento acentua o desafio demográfico e obriga Portugal a depender de forma crítica do prolongamento da vida ativa dos seus profissionais seniores, bem como da imigração de jovens trabalhadores, para evitar uma contração da sua força de trabalho.
O estudo analisa a evolução demográfica e laboral deste grupo etário, destacando o peso crescente dos profissionais seniores e o impacto estrutural que terão na economia nacional nas próximas décadas.
A estrutura demográfica portuguesa revela uma tendência clara de envelhecimento. Em 2024, 38% da população nacional tinha mais de 55 anos, e as projecções indicam que, até 2050, esse valor subirá para 46%, o equivalente a quase metade dos habitantes do país. No mesmo período, a população com menos de 30 anos deverá diminuir em mais de 600 mil pessoas, passando a representar apenas um quarto do total nacional.
No contexto europeu, Portugal destaca-se como uma das sociedades mais envelhecidas. Com 38,1% da população com mais de 55 anos, ocupa o segundo lugar na União Europeia, apenas atrás da Itália, e acima da média comunitária (35,5%). Mesmo em 2050, com a descida para o quarto lugar, o país continuará bem acima da média europeia (45,9% vs 41,6%), permanecendo entre as nações onde o desafio demográfico será mais premente.
O grupo sénior duplicará, assim, em relação ao grupo dos mais jovens, invertendo o perfil demográfico do país. Esta realidade tem um impacto no mercado de trabalho. Os profissionais com mais de 55 anos já representam uma parcela substancial dos profissionais activos, e a sua importância deve continuar a crescer dada a evolução do emprego e o contexto demográfico.
O estudo revela que os profissionais seniores representam hoje 19,6% da população ativa, o valor mais alto de sempre. Em 2024, 1,07 milhões de pessoas com mais de 55 anos estavam activas, o que significa que uma em cada cinco pessoas no mercado de trabalho pertence a esta faixa etária.
A população empregada nesta faixa etária também alcançou um máximo histórico, com 19,8% do total de empregados, mais 6,2 pontos percentuais do que há uma década. Em termos absolutos, o número de trabalhadores seniores quase duplicou em dez anos.
A composição por género é equilibrada (50,4% mulheres e 49,6% homens), reflectindo o peso crescente da longevidade feminina no emprego.
Apesar dos progressos, os profissionais seniores enfrentam barreiras mais elevadas à reintegração laboral. Em 2024, havia 63.500 desempregados com mais de 55 anos, menos do que em 2014, mas com um peso crescente no total de desempregados (de 14,2% para 18,1%).
A situação é particularmente crítica no desemprego de longa duração: 28,8% dos desempregados há mais de um ano têm mais de 55 anos, o valor mais alto entre todos os grupos etários.
«Portugal enfrenta o envelhecimento populacional como o seu maior dilema de sustentabilidade social e financeira, com a pressão sobre a Segurança Social e a Saúde a atingir níveis críticos. Contudo, a solução não reside apenas em cortes ou reformas restritivas, reside sobretudo na activação estratégica de uma economia orientada às actividades, produtos e serviços que devem ser desenvolvidos para satisfazer as necessidades e potenciar o consumo destes profissionais, refere Érica Pereira, directora da área de Professional Talent Solutions da Randstad. «O talento sénior deve ser visto como um contributo de receita e inovação. Ao promover o emprego sénior, o consumo activo e a longevidade saudável, estamos a alargar a base contributiva e a reduzir a dependência, transformando a demografia numa alavanca para a equidade intergeracional», acrescenta.