Randstad: A importância da flexibilidade

Human Resources
13 de Abril 2020 | 13:05
Randstad: A importância da flexibilidade

A flexibilidade é fundamental para a competitividade das empresas e também cada vez mais procurada pelos profissionais. Daí a crescente importância do trabalho temporário enquanto resposta às necessidades actuais.

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Tendo em conta a mudança dos contextos empresariais, dos modelos de negócio e dos perfis dos candidatos, o trabalho temporário terá, ele próprio, de se adaptar. Na opinião de Vítor Peliteiro, director de Staffing da Randstad Portugal, neste contexto, a flexibilidade vai desempenhar um papel importante cada vez mais importante.

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O trabalho temporário parece adquirir uma importância cada vez maior no contexto do mercado de trabalho europeu. De que forma analisam este crescimento?
A flexibilidade dos negócios, mas também a procura por essa flexibilidade pelos trabalhadores, leva a que este modelo de contratação ganhe importância e seja uma boa resposta às necessidades actuais. Embora os últimos anos tenham sido de crescimento moderado, o actual panorama do Covid-19 terá, com certeza, impacto negativo nesta actividade.

 

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Que papel desempenham no actual mercado de trabalho as formas alternativas de emprego?
A população activa portuguesa tem como principal critério de decisão de emprego o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Esta conciliação é possível através de modelos de trabalho flexíveis, seja através de trabalho temporário, seja muitas vezes como freelancers. O crescimento da chamada gig economy é também um reflexo disso mesmo e não podemos tentar parar esta tendência e continuar a confundir flexibilidade com precariedade. Ao mesmo tempo, esta flexibilidade também é fundamental para a competitividade das empresas, seja por sazonalidade, seja até para testes de inovação e lançamento de produtos.

 

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Quais são hoje as questões que se colocam em torno do trabalho temporário? Ainda existe algum “estigma”?
Um dos principais problemas é precisamente a confusão entre flexibilidade e precariedade. Apesar de hoje haver um maior esclarecimento e debate sobre o tema e a própria legislação laboral proteger cada vez mais estes trabalhadores, continuamos a sentir alguma desinformação, quer da parte de clientes quer de candidatos, embora neste último caso, e em particular nas gerações mais jovens, seja cada vez menos encarado de forma negativa.

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Qual o vosso posicionamento neste sector?
O posicionamento da Randstad alia as necessidades temporárias das organizações com as dos candidatos/talentos, garantindo sempre o cumprimento da lei. A evolução natural, quer das várias formas de contratação, quer do próprio posicionamento das novas gerações face ao mercado de trabalho, proporciona uma integração muito mais positiva do trabalho temporário.

 

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E, neste início de década, o que acredita que vos diferencia?
Para além das nossas pessoas, que consideramos sempre o nosso maior factor diferenciador, a Randstad tem apostado globalmente na inovação tecnológica, que nos permite, por um lado, introduzir valor na nossa oferta de serviços, mas, por outro, facilitar o dia-a-dia dos nossos consultores de forma a terem mais tempo para aquilo em que fazem efectivamente a diferença, na relação com clientes, candidatos e colaboradores.

Hoje conseguimos, através da nossa “Digital Factory”, desenvolver ferramentas que concretizam este objectivo de equilíbrio entre o tech e o touch, como é o caso do Youplan. O Youplan  é uma ferramenta que permite aos nossos clientes gerir escalas, planear turnos, propor horas extra, introduzir avaliações, registos de horas e ainda comunicar de forma imediata com os seus colaboradores. Esta ferramenta já nos permitiu implementar operações com grande complexibilidade na gestão de horários, que de outra forma seria muito difícil a sua concretização,  ao mesmo tempo que acelera a colocação de trabalhadores.

 

De que forma se estrutura actualmente a vossa oferta?
A nossa área de trabalho temporário tem duas soluções diferentes: o recrutamento e selecção com a gestão administrativa e de pessoas ou apenas a gestão contratual. Um dos factores que nos diferencia é a especialização em alguns sectores onde os perfis são muito especiaizados. Consoante as necessidades e o volume, temos também modelos de serviço mais customizados no que diz respeito a acompanhamento da operação, analytics ou tecnologia. A nossa solução Inhouse permite aos nossos clientes um acompanhamento contínuo nas suas instalações, contribuindo para o incremento da produtividade dos recursos humanos e ainda a redução de custos.

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Qual a importância da especialização nas empresas de trabalho temporário?
Com a diminuição sustentada da taxa de desemprego, os níveis de esforço do recrutamento tem aumentado de forma muito significativa nos últimos anos. Neste contexto, a especialização permite um maior foco um maior foco nos processos das respectivas áreas, garantindo maior eficácia no processo de recrutamento, uma maior adequação à função solicitada, assim como a melhoria do network necessário à identificação das melhores pessoas.

 

Há hoje maior procura por parte das empresas? Em que sectores, principalmente?
A procura é muito dependente da conjuntura económica, mas se identificarmos os principais sectores do trabalho temporário são: indústria, tecnologias de informação, vendas e comercial, serviços de apoio ao cliente, restauração e turismo.

 

O que leva as empresas a optar pelo trabalho temporário?
As organizações procuram cada vez mais modelos alternativos de contratação, com maior produtividade e flexibilidade. As empresas necessitam de modelos diferenciadores e diferenciados, que passam pelos modelos de contratação, de gestão e até de análise qualificados. O trabalho temporário responde a todas estas necessidades.

 

E os trabalhadores, que motivos levam os candidatos a escolher esta opção?
As novas gerações já não procuram empregos douradouros ou planos de carreira, têm uma ideologia disruptiva sobre o emprego, procuram experiências e ligações às organizações, onde a curva de aprendizagem tem que ser rápida e diferenciadora. É neste contexto que o trabalho temporário responde a estas necessidades, proporcionando as experiências que procuram, quer pela duração contratual, diversificação de funções ou modelos funcionais. Para outros candidatos, o trabalho temporário responde a necessidades financeiras imediatas e temporárias, ou, ainda, são a oportunidade de entrar quer no mercado de trabalho, quer particularmente nas empresas que elegem como “alvo”.

 

Em que áreas é a procura das empresas superior à oferta de candidatos?
As áreas onde a procura é maior são a do imobiliário, farmacêutica, biotecnologia, educação e formação, consultoria, restauração, hotelaria e tecnologias de informação.

 

Como uma das mais experientes empresas a actuar neste sector, que mudanças identifica a Randstad ao nível dos perfis dos candidatos?
As novas gerações estão hoje muito motivadas para trabalharem numa lógica de projecto. Querem projectos que lhes garantam a possibilidade de aprender coisas novas e de participarem num propósito comum, que lhes proporcione uma motivação complementar à necessidade de terem apenas um trabalho, para daí retirarem o respectivo retorno financeiro.

 

Partilhe connosco algumas das boas práticas levadas a efeito na Randstad?
O lado humano do trabalho não é apenas uma tendência, a curto prazo estima-se que será factor diferenciador de qualquer estrutura, com consequências directas na marca e ganhos financeiros. Nesse sentido, a Randstad está a implementar o projecto “Customer Delight”, que mede, de forma contínua, a experiência de candidatos, colaboradores e clientes, através da monitorização de dados em tempo real. Pretende transformar a experiência da atracção e retenção de talento.

Numa sociedade globalizada, garantir competitividade não se resume a dispor de um determinado produto ou serviço, trata-se cada vez mais da orientação para o cliente e candidatos, da qualidade da experiência, níveis de satisfação e engagement que proporcionamos.

 

Comparativamente com o mercado europeu, como analisam o mercado nacional do trabalho temporário?
Portugal continua a ter uma percentagem baixa de contratos de trabalho temporário, sendo que, na Europa, é nos Países Baixos que vemos a maior expressão deste tipo de contratos e a taxa de penetração não ultrapassa os 3,5%. O que assistimos em Portugal é a uma confusão entre os contratos a termo que, por duração, são temporários, e os contratos de trabalho temporário enquanto figura jurídica, que têm um regime próprio e que apenas são prestados por empresas de trabalho temporário. Este facto leva a que, perante os dados revelados pelo Eurostat em que um em cada cinco portugueses é temporário, se associe ao vínculo de trabalho temporário, o que não é verdade. Ao mesmo tempo, a lei prevê várias diferenças de regime entre estes tipos contratuais, sendo precisa nos motivos que levam à contratação com vínculo de trabalho temporário e obrigando à equiparação salarial do trabalhador temporário aos funcionários com a mesma função na casa do cliente.

Assim, acreditamos que é fundamental que haja maior informação para que o trabalho temporário não seja diabolizado, mas sim usado enquanto ferramenta de flexibilidade para as empresas e candidatos.

 

De que forma perspectivam o trabalho temporário com a entrada das novas gerações no mercado de trabalho?
De forma resumida, e até simplista, há uma tendência para relacionar alguns aspectos como o worklife balance, a necessidade constante de mudança e novas experiências, com estas gerações. Neste contexto, há uma tendência aparente, para que estas novas gerações potenciem e priveligiem o trabalho temporário, uma vez que facilitará e responderá a muitas das suas prioridades. Para além desta tendência, existe ainda a necessidade constante de experenciarem novas funções, de promoção de novos networks, facilitará a adopção destas gerações ao trabalho temporário. Acreditamos, por isso, que não serão os únicos, mas os principais promotores do trabalho temporário.

 

Qual o papel a desempenhar pelo trabalho temporário numa organização que se quer cada vez mais agile? Há espaço para ele ou não?
Claro que sim. Diria que um dos objectivos do trabalho temporário é precisamente tornar as organizações mais agile, mais flexíveis e mais adaptadas a um mercado que cada vez mais é global. As empresas precisam cada vez mais de ferramentas que lhes permitam adaptar a sua força de trabalho às variações de encomendas, às incertezas de mercado, a epidemias que interferem na economia, entre outros.

 

Que futuro perspectivam para o sector?
Julgo que nos próximos anos assistiremos a uma mudança de paradigma na forma como identificamos o talento e na forma como o nosso modelo de serviço é oferecido. Teremos que ter um papel muito mais proactivo na identificação, na qualificação e na recolocação das pessoas que connosco trabalham. Iremos, certamente, ao encontro de modelos de serviço que nos permitam trabalhar mais os nossos candidatos e colaboradores no sentido de lhes proporcionar uma gestão de carreira em vez do modelo actual, cuja necessidade é criada pelos nossos clientes.

Ou seja, passaremos a ser nós a gerir a carreira das pessoas e a encontrar nos nossos clientes as melhores opções de trabalho em vez de esperarmos que sejam os nossos clientes a pedir candidatos para que o posto de trabalho em aberto seja ocupado.

 

Que objectivos se propõem alcançar durante 2020 relativamente ao trabalho temporário?
Temos como objectivo primordial proporcionar maior valor aos nossos clientes, candidatos e colaboradores. Através da nossa aposta estratégica na tecnologia, acrescentaremos valor aos produtos que apresentamos aos nossos clientes, proporcionaremos uma experiência muito mais personalizada aos nossos candidatos durante toda a jornada com a Randstad, assim como nos permitirá proporcionar aos nossos colaboradores internos um maior worklife balance e
uma melhor experiência laboral.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Trabalho Temporário”, publicado na edição de Março da Human Resources.

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