Randstad: “Super brand”? A chave está na autenticidade

A Randstad Portugal assume a ambição de ser a empresa mais especializada e equitativa do mundo e acredita que líderes genuínos são essenciais para a definição de um propósito.

 

Com o propósito de se tornar a empresa de talento mais especializada e equitativa do mundo, a Randstad Portugal pretende juntar a excelência da especialização, ao equilíbrio humano e social. Só assim, defende Mariana Canto e Castro, Human Resources Director & Head of Legal da Randstad Portugal, será possível «criar num objectivo comum, transversal e circular em toda a empresa». Gera-se, na visão da responsável, «um sentimento de união e coesão entre as equipas que, para além de objectivos comerciais, targets financeiros e métricas de negócio, se sentem unidas e ligadas por conceitos que transmitem algo superior».

Além disso, «o propósito pode motivar e manter os trabalhadores unidos», evidenciando, desta forma, um enorme sentimento de pertença. Porém, a executiva também deixa a ressalva de que «as lideranças têm o dever de explicar o propósito, de forma clara, a todos os membros da sua equipa, passando uma mensagem sincera, baseada em factos e sustentada em resultados».

Posteriormente, «as chefias também devem verificar se o propósito está a ser cumprido, se a mensagem transmitida é totalmente percebida ou se o seu conteúdo não apresenta qualquer necessidade de esclarecimento». Diariamente, e independentemente da área de trabalho – seja comercial, gestão de pessoas ou recrutamento –, é essencial que, em caso de dúvida, os colaboradores recorram aos cinco pilares que são os valores da Randstad: «Conhecer; servir com excelência; confiar nas relações; procurar a perfeição; e promover todos os interesses.»

UM PROPÓSITO, CINCO PILARES

Mais do que simples buzzwords, estes pilares foram criados para incorporar um conceito e materializar o propósito da Randstad Portugal. «Queremos mesmo que representem aquilo que são os pilares de orientação para os nossos consultores tomarem as melhores decisões», explica a directora. A empresa está preocupada em transmitir, de forma clara e reiterada, os seus valores. «“o Know” é a expressão utilizada para referir que a empresa é especialista num determinado segmento de actividade.

A organização também defende a designação «To Trust», que representa a confiança de que é capaz de «oferecer um bom serviço», ao mesmo tempo em que está segura da «autenticidade da abordagem realizada». Segue-se a ideia do «To Serve», que não é mais do que a ambição da Randstad Portugal em prestar sempre um «serviço de qualidade», seja referente a um cliente ou a um colaborador.

Na lista de valores-chave da empresa, destaque ainda para a expressão: «Striving for perfection». Mariana Canto e Castro realça que a organização pretende entregar sempre «uma versão melhor do que a anterior, mantendo a mesma a humildade e transparência de reconhecer os erros, enquanto aposta fortemente nas áreas de melhoria». Finalmente, surge o último princípio-chave: «Simultaneously Providing for All Interests», cujo objectivo da empresa passa por garantir a satisfação transversal de todos os envolvidos nas relações profissionais.

Ainda sobre este assunto, a directora de Recursos Humanos realça que «tão difícil como criar um propósito é conseguir ajudar os outros a criar e a mantê-lo ao longo do tempo». Nesse sentido, afirma que a Randstad Portugal possui uma área de consultoria dedicada a estas temáticas, que trabalha em conjunto com os objectivos dos seus clientes.

Ainda que «em traços gerais, a definição de qualquer propósito acaba por estar ligada, de forma intrínseca, a temas de impacto social», e por isso, «toda a área de social impact se encontra habilitada e dotada de consultores especializados nestas matérias capazes de responder a qualquer necessidade dos nossos clientes».

No que respeita à manutenção do propósito dos clientes, a executiva refere o seguinte: «quando uma empresa contrata os nossos serviços nesta área, esse acompanhamento faz parte de um pacote, uma estrutura de deliverables que acordámos com o cliente». Logo, sendo essa a intenção dos clientes, é desenhado, posteriormente, um programa de implementação para garantir o sucesso do programa delineado pela Randstad Portugal.

SOCIEDADE E COLABORADORES

Trabalhando a Randstad Portugal com e para pessoas, Mariana Canto e Castro sublinha que os colaboradores têm uma voz activa na definição do propósito. «É um processo muito orgânico, com origem na casa mãe, na Holanda, e que se vai sendo construído com base na participação, nas sugestões e no envolvimento de todos», reforça.

Já sobre a forma como os colaboradores vivem este propósito, Mariana Canto e Castro destaca a existência de um «estudo de clima organizacional que, desde 2018, lançamos com uma periodicidade quinzenal, onde avaliamos esse engagement com a empresa e propósito. A taxa de satisfação varia entre os 8,1 e os 8,5 (numa escala de 0 a 10), o que nos coloca muito bem no universo Randstad, onde o benchmark é de 8,0».

O inquérito fornece a possibilidade de se responder de forma quantitativa, permitindo que os colaboradores deixem notas, comentários ou questões. Desta forma, «a empresa consegue perceber até que ponto existe uma compreensão, vivência e engagement do propósito corporativo ». Além disso, permite também encontrar outras medidas de gestão de Recursos Humanos, seja através de reclamações, sugestões ou ideias.

De acordo com a perspectiva da responsável, «as empresas devem ficar preocupadas quando os melhores trabalhadores ficam em silêncio. O silêncio e o conformismo nunca mudaram nada pelo que ter a possibilidade de acompanhar esta vivência, que afinal é um conceito, demonstra- nos, um pouco, que também é uma propriedade dos trabalhadores».

Em relação à forma como a Randstad Portugal comunica o seu propósito, a organização tem apostado num sistema estruturado de comunicação interna. «Não queremos que seja meramente um canal unilateral de informação e sem qualquer certeza ou garantia de que a mensagem é percepcionada pelos receptores», justifica.

Além de uma Intranet, a empresa também aposta em newsletters, podcasts, townhalls e momentos de comunicação – online, presencial e misto – em toda a empresa. Esta iniciativa realiza-se em duas vertentes distintas: a da actividade comercial e a das notícias dirigidas aos trabalhadores, seja na sua versão individual, como público-alvo, seja como trabalhadores que se querem se manter informados e actualizados.

Já no que diz respeito ao impacto na sociedade, a executiva defende que o core business da actividade é, em si, uma acção social. Desta forma, a empresa consegue «fomentar emprego, potenciar a economia e mitigar a dependência de subsídios, libertando, desse modo, verbas do Estado que podem ser afectas a outras finalidades ou situações de maior carência».

Para a responsável, a Randstad Portugal «estimula a independência e o bem- -estar dos colaboradores e das pessoas, contribuindo para a paz social, auto-estima e crescimento social». Além disso, a empresa aponta também para um programa de recrutamento inclusivo que visa a empregabilidade dos segmentos populacionais, que são, por diversas ocasiões, excluídos do mainstream de recrutamento », como os candidatos seniores, migrantes, portadores de deficiência física ou mental.

Com 83 nacionalidades representadas em todos os sectores de actividade, a organização possui 80% de colaboradores do sexo feminino. Até ao nível de cargos de direccção intermédia, a Randstad Portugal tem uma representatividade de género de 50%, além de «possuir paridade salarial entre todas as funções da estrutura central». Além disso, existem também programas de voluntariado corporativo para a empregabilidade, que são realizados em escolas, universidades, politécnicos, associações ou outras instituições.

Posto isto, Mariana Canto e Castro refuta a designação de «empresa perfeita» e afirma o seguinte: «seremos os primeiros a dizer, em honestidade, que não, não somos de todo perfeitos. Temos inúmeras áreas de melhoria na empresa. Procuramos é constantemente ser melhores face ao dia anterior, rectificar erros e evitar reincidências».

MANTER E FORTALECER O PROPÓSITO

Ao recordar o propósito de ser «a empresa de talento mais especializada e equitativa do mundo», a directora de Recursos Humanos defende que é essencial primar pela excelência e estabelecer uma base comum de posicionamento. «É a nossa obrigação, enquanto empresa, ajudar e apoiar os nossos trabalhadores e clientes a encontrarem esse balancing point», enfatiza.

Adicionalmente, a empresa aposta na autenticidade como forma de gestão. «Um líder autêntico, genuíno e íntegro pode não ser sempre um líder “fofo”, mas pode ser alguém que, pela sua transparência, representa um porto de abrigo, uma luz na escuridão e uma enorme vontade de fazer mais e melhor».

Para isso, a Randstad Portugal opta por recrutar talentos com perfis que combinem com os seus valores. Contudo, não pode deixar de existir uma aposta significativa da empresa em formação sobre cultura organizacional – além de um programa de onboarding muito direccionado. Paralelamente, a organização acredita que é essencial promover encontros de equipa para fomentar um espírito de equipa e possibilidades de partilha de cultura corporativa.

Já em relação à forma como trabalha para criar e manter «marcas superiores e reconhecíveis», a Randstad Portugal «aposta na aprendizagem e faz um benchmark de boas práticas de mercado, replicando e adaptando-as à realidade local». A nível internacional, foi reconhecida, pelo quarto ano consecutivo, como uma empresa certificada Top Employer, após ter apresentado «um sistema de gestão de acordo com os melhores parâmetros internacionais».

Mais recentemente, também venceu a distinção do prémio cinco estrelas, que é um «sistema de avaliação de produtos, serviços e marcas com presença massificada em território nacional». Além disso, a empresa também faz parte do fórum iGen, onde assumiu o compromisso de «evidenciar a sua cultura organizacional de responsabilidade social, incorporando, nas suas estratégias e nos seus modelos de gestão, o princípio da igualdade entre homens e mulheres no trabalho e no emprego».

A responsável lembra também que a Randstad Portugal é fundadora do Inclusive Community Fórum, da Universidade Nova-SBE, que ajudou a crar «um ecossistema de empresas e entidades focadas na empregabilidade de pessoas portadoras de deficiência». No ano passado, a empresa foi distinguida pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) com o prémio Marca Inclusiva.

Por último, a nível internacional, a empresa é também subscritora do Global Compact Act da Organização das Nações Unidas (ONU), sem esquecer que já está cotada, há nove anos consecutivos, no índice Dow Jones de sustentabilidade. «Somos uma “superior brand” e podemos melhorar. Somos uma marca reconhecível, mas queremos ser mais ainda. Pelas razões certas, queremos que falem de nós, que nos (re)conheçam, que saibam quem somos e o que fazemos», conclui a directora de Recursos Humanos da Randstad Portugal.

 

Este artigo faz parte do Especial “Propósito Organizacional” publicado na edição de Fevereiro (n.º 158) da Human Resources.

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