Sector espacial pode criar quase 30 mil novos postos de trabalho em Portugal

Portugal tem uma oportunidade estratégica para se posicionar como o hub atlântico da Europa em competências espaciais soberanas e interdomínio até 2040, podendo gerar mais de 40 mil milhões de euros de impacto acumulado no PIB. O país pode criar 27 mil novos postos de trabalho (directos e indirectos), seis mil dos quais altamente qualificados, construindo-se uma economia espacial anual de cerca de dois mil milhões de euros.

As conclusões constam do estudo “Portugal no Espaço – 2040”, elaborado pela Boston Consulting Group (BCG) para a New Space Alliances, no qual se propõe um roadmap concreto para transformar o sector espacial nacional num motor de crescimento económico, soberania estratégica, inovação e liderança tecnológica.

O relatório estratégico foi destacado em Bruxelas, na 18.ª European Space Conference, por Alessio Bonucci, director associado da BCG, um dos oradores do painel “Definir prioridades para a Investigação e Inovação Espacial no próximo ciclo de financiamento”, juntamente com Manuel Heitor, que liderou o Grupo de Peritos para a avaliação intercalar do Horizonte Europa, entre outros representantes da DG DEFIS da Comissão Europeia, da EDA – Agência Europeia de Defesa, da ESA – Agência Espacial Europeia, bem como as entidades espaciais representantes da Suíça e da Eslováquia.

De acordo com dados oficiais, em 2023 o sector espacial português gerava 121 milhões de euros em receitas, representando apenas 0,03% do PIB nacional. Segundo o estudo, com a mobilização adequada de recursos públicos e privados, este valor poderá multiplicar-se por 17 vezes até 2040, atingindo 0,5% do PIB, colocando o espaço como uma área estratégica para o país.

«Esta janela de oportunidade estreita surge num contexto geopolítico atualmente em transformação, justificando-se assim a necessidade urgente de uma estratégia espacial portuguesa integrada – defesa, civil e comercial», explicoua Alessio Bonucci, director associado da BCG que apresentou o estudo em Bruxelas.

Fortemente impulsionado pelo Estado, sobretudo nas fases iniciais devido à elevada intensidade de capital, ciclos longos de retorno e relevância estratégica, o estudo da BCG estima que, até 2040, o investimento continuará a ser maioritariamente público, mas com uma participação cada vez mais crescente de capital privado.

Um exemplo claro da mobilização eficaz de fundos europeus é a Constelação do Atlântico, em Portugal, desenvolvida no âmbito do PRR.

«A constelação já se encontra operacional e continuará a expandir-se, nomeadamente para capacidades de Vigilância e Reconhecimento Inteligentes (ISR), com recurso a inteligência artificial (IA), bem como para novas capacidades de fabrico de satélites, que devem ser ainda mais valorizadas», afirma Manuel Heitos.

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