A questão não é nova, mas o momento actual dá-lhe relevância e um incentivo extra para que o tema possa florescer.
Por Rita Oliveira Pelica, chief Energy officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs
Bem-vindos ao mundo do intraempreendedorismo, também conhecido por empreendedorismo corporativo. Porque é tempo de se trazer este tema para a agenda. Pretende-se que este seja um espaço informativo, de clarificação e de inspiração para todos aqueles que trabalham em organizações (num sentido lato, não só em empresas) e que querem ser agentes de mudança. Os tempos convidam à agilidade institucional, à capacidade de resolução criativa de problemas, maximizando-se os recursos disponíveis (nalgumas circunstâncias já nos seus mínimos viáveis). Não podemos travar a mudança, mas podemos fazer parte dela, de forma deliberada.
Intraempreendedores são todos aqueles que empreendem dentro de uma organização, nas suas áreas de intervenção, independentemente do seu posto de trabalho. Ser intraempreendedor não é uma função, nem um título. É uma atitude individual, uma forma de estar, que implica acção. Detectando oportunidades de melhoria, derrubando barreiras e ultrapassando obstáculos. Enfim, podia ser a história de mais um dia no escritório. Tendemos a assumir que empreender/inovar é uma responsabilidade exclusiva da gestão, mas são vários os exemplos de boas ideias geradas por colaboradores “mais operacionais”. Só assim se consegue que o todo (organizacional) seja maior do que a soma das partes (individual). Com inclusão.
O intraempreendedorismo é, acima, de tudo, uma estratégia organizacional – que pressupõe a promoção de uma cultura de inovação, constantemente alimentada e sinergizada. E o tema é tão importante que, pela primeira vez, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2019/ 2020) apresenta o “índice de actividade empreendedora dos colaboradores” (EEA – Entrepreneurial Employee Activity): menos de 1% em 16 das 50 economias analisadas e entre 5% a 8% em 15 economias, maioritariamente na Europa. Portugal apresenta um índice de 4%, o que indicia o potencial de crescimento que pode ocorrer, face ao sentido de urgência que existe nas organizações.
Intraempreendedor, no conceito cunhado por Gifford Pinchot III (1978), é aquele que assume a responsabilidade de criar inovação dentro de uma organização, sendo um empreendedor “dentro de casa”, visando um benefício mútuo. Ou seja, não só a organização beneficia com esta cultura empreendedora (por exemplo com o desenvolvimento de novos produtos, serviços e áreas de negócio, ou mesmo na retenção de talento), mas os próprios colaboradores – no seu desenvolvimento de competências, nos seus níveis de motivação e autonomia e, consequentemente, na sua intenção de permanência na organização.
Há diferenças entre ser-se empreendedor e intraempreendedor, mas há espaço para estas duas formas de estar no mercado de trabalho. A (in)dependência é um dos pontos-chave. O intraempreendedor age em nome de uma organização (e daquele que é o seu propósito) e está inserido numa estrutura, pelo que perde em autonomia para o “puro” empreendedor. No entanto, tem o conforto e a segurança no que diz respeito à captação de recursos/financiamento – aqui a preocupação é mais a de “vender as ideias” internamente, junto dos stakeholders, para conseguir as verbas para os projectos que pretende levar a cabo. Quanto ao risco, é também menos arriscado “empreender por conta de outrem”, pois, em última instância, há uma responsabilização institucional e não apenas do próprio. Há escolhas que se fazem.
Neste espaço, a nossa escolha é aprofundar as várias etapas da jornada do intraempreendedor. Não é um caminho fácil, mas pode ser muito gratificante. Partem connosco nesta aventura?














