Ser ou não ser intraempreendedor? Sim. E eis porquê

Human Resources
2 de Fevereiro 2022 | 11:20

A questão não é nova, mas o momento actual dá-lhe relevância e um incentivo extra para que o tema possa florescer.

 

Por Rita Oliveira Pelica, chief Energy officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Bem-vindos ao mundo do intraempreendedorismo, também conhecido por empreendedorismo corporativo. Porque é tempo de se trazer este tema para a agenda. Pretende-se que este seja um espaço informativo, de clarificação e de inspiração para todos aqueles que trabalham em organizações (num sentido lato, não só em empresas) e que querem ser agentes de mudança. Os tempos convidam à agilidade institucional, à capacidade de resolução criativa de problemas, maximizando-se os recursos disponíveis (nalgumas circunstâncias já nos seus mínimos viáveis). Não podemos travar a mudança, mas podemos fazer parte dela, de forma deliberada.

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Intraempreendedores são todos aqueles que empreendem dentro de uma organização, nas suas áreas de intervenção, independentemente do seu posto de trabalho. Ser intraempreendedor não é uma função, nem um título. É uma atitude individual, uma forma de estar, que implica acção. Detectando oportunidades de melhoria, derrubando barreiras e ultrapassando obstáculos. Enfim, podia ser a história de mais um dia no escritório. Tendemos a assumir que empreender/inovar é uma responsabilidade exclusiva da gestão, mas são vários os exemplos de boas ideias geradas por colaboradores “mais operacionais”. Só assim se consegue que o todo (organizacional) seja maior do que a soma das partes (individual). Com inclusão.

O intraempreendedorismo é, acima, de tudo, uma estratégia organizacional – que pressupõe a promoção de uma cultura de inovação, constantemente alimentada e sinergizada. E o tema é tão importante que, pela primeira vez, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2019/ 2020) apresenta o “índice de actividade empreendedora dos colaboradores” (EEA – Entrepreneurial Employee Activity): menos de 1% em 16 das 50 economias analisadas e entre 5% a 8% em 15 economias, maioritariamente na Europa. Portugal apresenta um índice de 4%, o que indicia o potencial de crescimento que pode ocorrer, face ao sentido de urgência que existe nas organizações.

Intraempreendedor, no conceito cunhado por Gifford Pinchot III (1978), é aquele que assume a responsabilidade de criar inovação dentro de uma organização, sendo um empreendedor “dentro de casa”, visando um benefício mútuo. Ou seja, não só a organização beneficia com esta cultura empreendedora (por exemplo com o desenvolvimento de novos produtos, serviços e áreas de negócio, ou mesmo na retenção de talento), mas os próprios colaboradores – no seu desenvolvimento de competências, nos seus níveis de motivação e autonomia e, consequentemente, na sua intenção de permanência na organização.

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Há diferenças entre ser-se empreendedor e intraempreendedor, mas há espaço para estas duas formas de estar no mercado de trabalho. A (in)dependência é um dos pontos-chave. O intraempreendedor age em nome de uma organização (e daquele que é o seu propósito) e está inserido numa estrutura, pelo que perde em autonomia para o “puro” empreendedor. No entanto, tem o conforto e a segurança no que diz respeito à captação de recursos/financiamento – aqui a preocupação é mais a de “vender as ideias” internamente, junto dos stakeholders, para conseguir as verbas para os projectos que pretende levar a cabo. Quanto ao risco, é também menos arriscado “empreender por conta de outrem”, pois, em última instância, há uma responsabilização institucional e não apenas do próprio. Há escolhas que se fazem.

Neste espaço, a nossa escolha é aprofundar as várias etapas da jornada do intraempreendedor. Não é um caminho fácil, mas pode ser muito gratificante. Partem connosco nesta aventura?

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