Sociedade 5.0: a mudança que aí vem

É altura de as empresas mostrarem que a sua constante preocupação com a responsabilidade social e a sustentabilidade começa na sua própria casa, com os seus trabalhadores.

Por José Manuel Costa, presidente da GCI

 

Virar o mundo a nosso favor e reposicionar o que criámos em nosso próprio beneficio. Pode parecer uma promessa vã, mas é exactamente o que a “Sociedade 5.0” preconiza. É o futuro, que começa agora e promete revolucionar a sociedade tal como a conhecemos, e melhorar a nossa forma de estar e de viver em comunidade, na nossa vida pessoal e profissional.

Sociedade 5.0 é o conceito que sucede a Indústria 4.0. Uma revolução silenciosa, que parte do Japão para o mundo, mas que é muito mais transformadora do que a primeira, por uma razão simples, é que esta mudança promete revolucionar a sociedade por um bem maior, a humanidade. Ou seja, enquanto a Indústria 4.0 se centra, essencialmente, no fabrico, a Sociedade 5.0 procura posicionar o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica.

A chamada quarta revolução industrial, foi a maior revolução tecnológica de sempre. O termo Indústria 4.0 teve origem num projecto estratégico de alta tecnologia do Governo Alemão, que pretendia promover a informatização da manufactura ,e foi usado pela primeira vez em 2012, na Feira de Hannover. Foi, e é, uma evolução dos sistemas produtivos industriais que garante benefícios como a redução de custos, de energia, o aumento da segurança e da qualidade, e a melhoria da eficiência dos processos. A Sociedade 5.0 coloca tudo isso ao serviço do homem. Ou seja, é aproveitar tudo o que o homem criou com a Indústria 4.0 para melhorar a sua qualidade de vida.

A nova era da Sociedade 5.0 passa pela compreensão de que tudo no futuro estará conectado e que a sociedade terá que ser adaptável. E o Japão quer dar passos largos e rápidos nesse sentido para estar preparado antes de todos os outros, com planos concretos para uma profunda integração da tecnologia, onde se inclui a inteligência artificial, a robótica, o big data, os camiões autónomos ou as entregas com drones. Mas a verdade é que a Sociedade 5.0 pressupõe muito mais do que isso: a base desta revolução é aproveitar a tecnologia para fazer frente a um dos grandes dilemas no Japão: o envelhecimento da população.

O Japão quer ser o percursor deste movimento por um motivo simples: precisa desesperadamente de população. É a terceira maior economia do mundo, mas é também o país onde o envelhecimento é mais alarmante, com 27% da sua população com mais de 65 anos. Mas não é único nesta luta. A ele já se começa a querer juntar também a Alemanha e seguramente que atrás desta irá a restante Europa.

A ideia de Sociedade 5.0 vai além da busca por maior produtividade e eficiência dos processos, com o auxílio de redes de internet, sensores e microchips. Aqui, os sistemas inteligentes não são considerados “inimigos” do ser humano, mas, sim, “verdadeiros aliados” para resolver problemas como: envelhecimento da população, limitação de energia eléctrica, desastres naturais, segurança e desigualdade social.

Yoko Ishikura, consultora independente do Fórum Económico Mundial, alerta para esta revolução tecnológica e garante que a iniciativa “Sociedade 5.0” pretende «posicionar o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica». A consultora, que desempenha funções de directora não-executiva no Shiseido Group e na Nissin Foods Holding, e também membro do Global Future Council, esteve no Porto para participar na conferência GPA “Cidadania e o Futuro da Sustentabilidade”, e abordou precisamente este tema, sobre o qual tem dado palestras um pouco por todo o globo.

Embora a preconização da Indústria 4.0, e vários estudos que acompanham o seu desenvolvimento, indiquem que metade dos empregos actuais correm risco de desaparecer devido à revolução tecnológica, Yoko Ishikura acredita que, graças à Sociedade 5.0 a maioria das tarefas actuais vão sofrer, apenas, alterações. Mas temos de nos mentalizar para uma nova realidade. É essencial começarmo-nos a preparar para diferentes formas de trabalho do que aquelas que actualmente conhecemos. Chegou a altura dos filmes futuristas passarem a ser uma realidade e de colocar os avanços que conseguimos na tecnologia com a Indústria 4.0 ao serviço da sociedade. Este será um benefício inigualável para pessoas e instituições, e para as sociedades que implementarem este conceito.

É a altura de as empresas mostrarem que a sua constante preocupação com a responsabilidade social e a sustentabilidade começa na sua própria casa e com os seus trabalhadores. Esta é a época de conhecer, estudar e perceber quais os desafios que as grandes e pequenas empresas têm hoje na atracção, gestão e retenção do talento, sobretudo na gestão e coexistência das novas gerações com as anteriores.

O Japão será seguramente um caso a seguir de perto, embora, como sabemos, os resultados demográficos não possam ser visíveis no imediato.  Mas vale a pena tentar seguir este exemplo, sobretudo em países como o nosso, onde existem problemas demográficos e de população envelhecida preocupantes. A Sociedade 5.0 é a mudança que aí vem. Há que estar preparado para ela.

 

 

 

 

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