Sónia Vasconcelos, Celfocus: Novos desafios, o mesmo objectivo: encontrar as pessoas certas

Human Resources
24 de Janeiro 2024 | 10:10
Sónia Vasconcelos, Celfocus: Novos desafios, o mesmo objectivo: encontrar as pessoas certas

O mundo é cada vez mais global e competitivo, em permanente evolução, com muitas oportunidades, mas também incerteza, e, neste contexto, há novos – «e bons» – desafios para a Gestão de Pessoas. Mas o objectivo não se alterou, e é esse que Sónia Vasconcelos persegue: «encontrar as pessoas certas e criar as condições para que ponham em prática todo o seu potencial, num ambiente saudável e estimulante».

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Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

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Sónia Vasconcelos assumiu a liderança da área de Pessoas da Celfocus no início do ano passado. E o que lhe pediram foi para contribuir para tornar a empresa um óptimo lugar para trabalhar, crescer e concretizar o potencial das pessoas, cultivando ao mesmo tempo as competências necessárias e os comportamentos desejados, e, acima de tudo, que «compreendesse a estratégia e as necessidades do negócio de forma a promover respostas e soluções adequadas». É isso que tem feito, com base numa estratégia assente em três pilares: política de compensação justa; ambiente de trabalho saudável, inovador e estimulante; e cultura de aprendizagem e crescimento. Já estava no Grupo Novabase, na equipa de People, quando assumiu a direcção de Pessoas na Celfocus, empresa do grupo.

 

Que desafios acrescidos isso veio trazer?
Desde 2014, quando integrei a equipa de People, que assumo responsabilidades em processos de Gestão de Pessoas transversais a todas as empresas do grupo. Entretanto, a Celfocus concebeu e geriu autonomamente os seus processos de recrutamento e de formação, os quais, no início de 2023, integrámos numa área única de Pessoas, que aceitei liderar.

Os principais desafios do último ano resultam naturalmente da integração destes processos e equipas, mas acima de tudo de uma nova estrutura organizacional de suporte à estratégia de negócio delineada, estrutura essa que implicou alterações significativas em diversos processos, nomeadamente o de alocação das pessoas aos projectos e nas responsabilidades no acompanhamento, desenvolvimento e crescimento do nosso talento.

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O que lhe foi pedido?
Que contribuísse para que a Celfocus fosse um óptimo lugar para trabalhar, crescer e concretizar potencial, através da liderança da área de Pessoas; que promovesse experiências que desenvolvessem potencial, estimulassem o crescimento e cultivassem as competências necessárias e os comportamentos desejados; que integrasse equipas e processos num ecossistema de princípios e práticas de gestão e liderança de Pessoas; e, acima de tudo, que compreendesse a estratégia e as necessidades do negócio de forma a promover respostas e soluções adequadas.

Tudo isto, tendo sempre em consideração o contexto em que nos inserimos que nos obriga a manter foco no valor aportado e a encontrar soluções ágeis e adaptativas.

 

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Quais são para si, hoje, os grandes temas de Gestão de Pessoas? Tem havido uma evolução significativa nos últimos anos?
Num mundo cada vez mais global e competitivo, repleto de oportunidades, mas também com muita incerteza, sem dúvida que os novos modelos de trabalho, mais flexíveis no espaço e no tempo, e mais suportados na inteligência artificial (IA), e a crescente diversidade das equipas, trazem novos e bons desafios aos usuais processos de Gestão de Pessoas.

O objectivo mantém-se, num contexto em permanente evolução. Queremos encontrar as pessoas certas e criar as condições para que ponham em prática o seu potencial, se desenvolvam e cresçam num ambiente saudável, inovador e estimulante.

 

São também os grandes temas para a Celfocus? Que prioridades definiu?
Sim, são os actuais grandes temas de contexto, que devem ser considerados no desenvolvimento do ecossistema de Gestão de Pessoas.

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Arrancámos 2023 com uma nova estrutura organizacional, que pretende promover a aprendizagem e o desenvolvimento de competências chave, construir equipas mais consistentes e balanceadas em termos de conhecimento, experiência e autonomia, e facilitar a mobilidade interna. Decorrente desta reorganização, que impactou a generalidade das pessoas, concentrámos o nosso foco na adaptação de processos e demos passos significativos na definição dos objectivos estratégicos da Gestão de Pessoas na Celfocus, tendo por base a estratégia definida.

 

Quais os pilares dessa estratégia e qual a sua importância no negócio?
Há três pilares fundamentais: política de compensação justa; ambiente de trabalho saudável, inovador e estimulante; e cultura de aprendizagem e crescimento. São pilares que nutrem as necessidades de cada um de nós enquanto profissionais, para que nos sintamos valorizados, reconhecidos e estimulados a sermos a nossa melhor versão, a darmos o nosso melhor.

Sendo a nossa ambição sermos reconhecidos como uma empresa europeia de serviços profissionais que se diferencia por ajudar os seus clientes a extrair mais valor a partir dos seus dados, alinhamos continuamente estes três pilares com a estratégia. Por exemplo, reforçámos a formação e os programas de certificação em tecnologias cloud, data & analytics; criámos conteúdos para facilitar a integração multicultural; alargámos as bandas salariais para maior alinhamento com o mercado e diferenciação por tecnologia; reactivámos o programa Celfocus Academy para integração de pessoas sem experiência profissional anterior; criámos orçamento dedicado para programas de D&I (Diversidade e Inclusão) e ESG (Environmental, Social, and Corporate Governance).

 

Quais os principais desafios na gestão das vossas cerca de duas mil pessoas?
No nosso sector de actividade, o trabalho organiza-se por projectos, e esses projectos têm equipas e pessoas em diferentes geografias, com origens e culturas diversas, em múltiplos fusos horários. Criar e manter uma cultura de colaboração e feedback, de aprendizagem contínua e focada no desenvolvimento e crescimento das nossas pessoas, é o maior desafio.

 

E como o conseguem?
Ouvindo e evoluindo continuamente o nosso ecossistema de gestão e liderança de Pessoas, o que significa obter e integrar feedback de todos os nossos stakeholders, em todos os princípios, práticas e processos.

Em 2023, desenvolvemos um programa de suporte às pessoas que aceitaram novas missões, ao qual chamámos Mastering Leadership Journey; reinventámos o programa de onboarding Celfocus Academy; reformulámos a plataforma de suporte ao feedback e avaliação de desempenho, o NOVA; implementámos novos surveys de auscultação da nossa comunidade sobre saúde e bem-estar e clima organizacional; disponibilizámos novos learning paths, nomeadamente na vertente de cloud, data & analytics, no cerne da nossa estratégia; e implementámos o Upliift, solução fundamental para uma eficaz gestão de competências e workforce planning.

 

Continuamos num contexto de escassez de profissionais?
Sim, temos um contexto de escassez de profissionais em algumas áreas de conhecimento tecnológico, nomeadamente nas tecnologias emergentes e naquelas que se vão tornando mais raras, mas que ainda suportam processos de elevada criticidade nos nossos clientes.

 

Como dão resposta a essa escassez?
Tivemos de diversificar as fontes de recrutamento e adoptar programas de upskilling e reskilling. Em 2023, integrámos uma turma completa do Programa Upskill, programa que visa a requalificação de pessoas nas várias áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação. A nossa training school, o Learnin, é outro veículo crucial no desenvolvimento das competências de que precisamos.

 

Que competências são essas?
Perante a escassez de profissionais em determinadas áreas tecnológicas, a capacidade e a vontade de aprender, a flexibilidade, a adaptabilidade e a disponibilidade para abraçar novos desafios são competências essenciais.

Para além do conhecimento e experiência em tecnologias emergentes ou raras, o qual é naturalmente escasso, notamos alguma inércia para deslocações e viagens. O espírito de aventura e de explorar novas experiências é também muito valorizado em fase de recrutamento.

 

E as pessoas, o que procuram nas empresas? O que mais vos perguntam ou “pedem”, quando estão a recrutar?
Procuram um salário justo, modelos de trabalho flexíveis, ambientes saudáveis e estimulantes, e oportunidades de aprendizagem e crescimento. Por ambientes saudáveis, entendo ambientes construtivos, de colaboração e entreajuda, onde se respeitam e integram diferenças e se cultivam princípios de desenvolvimento sustentável.

 

Têm actuamente um modelo híbrido flexível. Se as pessoas não tiverem a vivência “do escritório”, o que diferencia as empresas?
Acredito que a cultura não tem limites físicos e é que é adaptável. Com intenção, de forma pensada e deliberada, é possível manter a cultura desejada num modelo de trabalho híbrido. Exige abertura de espírito, criatividade e compromisso.

 

O que acredita diferenciar a Celfocus enquanto local para trabalhar?
As respostas aos surveys dizem que os nossos pontos fortes são essencialmente o ambiente de trabalho, nomeadamente no suporte e promoção da diversidade, equidade e inclusão; na abertura e segurança para a partilha honesta de diferentes pontos de vista; na experiência de bem-estar e worklife balance; e o facto de a Celfocus ser uma empresa de sucesso, flexível, capaz de se adaptar a mudanças de contexto e proporcionar possibilidades de crescimento e desenvolvimento.

 

Tem sido mais difícil atrair ou fidelizar pessoas? O turnover tem aumentado?
Em 2023, o turnover de pessoas baixou significativamente. Acreditamos no impacto positivo do nosso ecossistema de gestão e liderança de Pessoas, mas sabemos que o principal motivo é externo, decorrente do contexto económico. O maior desafio mantém-se no engagement das pessoas mais jovens, com dois a três anos de Celfocus, pois são muito atractivas num mercado extremamente competitivo e querem experienciar novas vivências. Muitas regressam, o que é gratificante e nos incentiva a continuar a apostar na experiência das nossas pessoas em todo o seu ciclo de vida na Celfocus.

 

O contexto é desafiante e o papel das lideranças será fundamental. É um tema que têm trabalhado?
Acreditamos que a mestria da liderança se desenvolve com intenção e deliberadamente. Para dar resposta a este desafio, criámos em 2023 um novo programa de desenvolvimento dos nossos líderes, o Mastering Leadership Journey, uma jornada que se inicia com um assessment 360º, seguido por sessões de coaching, workshops e círculos de reflexão.

Um factor diferenciador deste programa são as one-on-one conversations entre o participante e a pessoa que o lidera, com o objectivo de clarificar os objectivos da sua missão e função, e respectivos desafios e oportunidades.

 

A inteligência artificial, nomeadamente generativa, já está a impactar a vossa Gestão de Pessoas?
Criámos um grupo de trabalho para investigar e testar formas de utilizarmos a inteligência artificial generativa, com o objectivo de acrescentarmos mais valor ao que entregamos, enquanto área de Pessoas. E isto pode acontecer numa mensagem de email mais clara e apelativa, numa síntese de uma reunião, na preparação de um assessment de conhecimento no final de uma acção de formação, na análise de dados e recolha de insights obtidos via surveys, na melhoria no acesso a informação pelas nossas pessoas, através de chatbots… Algumas destas possibilidades já estão a ser usadas no nosso dia-a-dia, outras estão em fase de desenvolvimento e teste.

 

Qual acredita que será o grande desafio para os gestores de Pessoas em 2024?
Acredito que as empresas precisam de pessoas com uma vasta gama de competências interdisciplinares, polivalentes e criativas, com agilidade de pensamento e de aprendizagem, como forma de dar resposta à competitividade do mercado, à dispersão tecnológica e à potencialidade da inteligência artificial.

Para tal, precisam de recrutar com base nestes pressupostos, de planos de formação eficazes, de ferramentas que estimulem a produtividade em modelos de trabalho necessariamente mais flexíveis, e de lideranças preparadas para aceitar e integrar maior diversidade, incerteza e ambiguidade, e motivadas para contribuir activamente para o desenvolvimento e crescimento das nossas pessoas e do nosso negócio, de forma sustentada.

 

Que tendências perspectiva para o mundo do trabalho? Daqui a 10 anos, como vamos estar a trabalhar?
Acredito que tudo aquilo que a inteligência artificial possa fazer por nós, o vá estar a fazer em pouco tempo, porque vai ser menos sujeita a imponderáveis que possam pôr em causa a qualidade do seu trabalho. Vai ser mais eficaz, mais eficiente e mais produtiva.

Nós, seres humanos, vamos continuar a evoluir para nos adaptarmos a esta nova realidade, plena de oportunidades, ameaças e desafios. Teremos um sistema límbico ainda mais ao serviço da humanidade, através da criatividade, da capacidade de inovar, de estabelecermos relações e interacções humanas, de sentirmos e nos emocionarmos. Capacidades e competências essenciais às actividades em que a empatia, a ética e a consciência ambiental e social sejam críticas e diferenciadoras. Continuaremos a desafiar a nossa capacidade intelectual para encontrar equilíbrios entre a evolução da inteligência artificial e a resposta a actividades mais elementares que continuarão a ser necessárias. E manteremos activas e em alerta as funções cruciais de resposta aos perigos, para assegurarmos a evolução sustentável dos ecossistemas e da nossa espécie.

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 157) da Human Resources, nas bancas.

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