Sustentabilidade e Recursos Humanos: Reciclagem é a ponta do iceberg

Human Resources
25 de Junho 2024 | 10:30

Por: Fátima Machado, directora de RH do Grupo Egor

Antigamente, a preocupação ambiental no trabalho era pouco mais do que garantir um ponto de reciclagem e, se possível, utilizar com regularidade os transportes públicos. Hoje, trata-se de um universo completamente diferente, a sustentabilidade é um valor que está presente em todas as facetas do nosso quotidiano, e os Recursos Humanos (RH) não se devem resguardar na repetição de práticas antiquadas, correndo o risco de comprometer a sobrevivência da própria empresa. Os profissionais de RH podem promover práticas sustentáveis, recrutar profissionais capacitados para esta nova realidade, garantir o bem-estar dos funcionários e contribuir para um futuro ambientalmente consciente.

A verdade é que as práticas de sustentabilidade deixaram de ser uma mera escolha de percurso: a Lei Europeia do Clima da União Europeia, por exemplo, sugere e exige uma série de procedimentos dentro dos governos e empresas, como a Neutralidade Carbónica 2050, a expansão de energias renováveis, a mobilidade sustentável, a economia circular, entre outras medidas que impactam directamente as empresas portuguesas e a vida dos seus colaboradores.

Assim, um primeiro passo é garantir que existem procedimentos internos para implementar iniciativas sustentáveis, que podem partir tanto de RH, como de algum funcionário ou parceiro. Contudo, é o departamento de RH que deve liderar este esforço interno e promover práticas sustentáveis, que podem inclusive ser integradas na responsabilidade social corporativa.

Apesar das boas intenções, não basta sugerir um conjunto de boas práticas se não as conseguimos aplicar. E aqui entra novamente em acção a área de Recursos Humanos, em particular o recrutamento. Há uma série de novas profissões com enfoque na sustentabilidade empresarial: o coordenador de Sustentabilidade, responsável máximo pela implementação das iniciativas e por garantir que as metas propostas são cumpridas; especialistas em energias renováveis; analistas de alterações climáticas; cientistas e engenheiros especializados em práticas sustentáveis; ou consultores externos, que analisam o estado actual do negócio, e aconselham quais as alterações que estão ao alcance da empresa.

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As práticas sustentáveis são relevantes tanto interna como externamente. Hoje, as empresas multinacionais partilham com regularidade relatórios de sustentabilidade, onde definem metas e objectivos concretos, como a neutralidade carbónica – relatórios que são, cada vez mais, fundamentais para os diversos stakeholders e escrutinados pela imprensa. Estes relatórios comprovam factualmente o compromisso das empresas com um futuro sustentável, um valor que pode ser determinante quando um candidato selecciona qual a empresa para a qual vai trabalhar, ou quando um cliente decide onde comprar determinado produto, sobretudo para esta nova geração particularmente preocupada com a questão climática, e onde observamos também o aumento de fenómenos clínicos como a eco-ansiedade.

Por fim, não nos devemos esquecer de que o bem-estar dos colaboradores deve estar incluído nas práticas sustentáveis. Equilibrar o trabalho e a vida privada, sem um pisar no terreno do outro, é cada vez mais desafiante, e devemos preocupar-nos em capacitar os nossos colaboradores para alcançar uma harmonia work–life balance – isto também é sustentabilidade.

A meta de sustentabilidade dos profissionais de Recursos Humanos deve ser liderar a adopção de práticas sustentáveis, quer seja através do recrutamento, gestão e organização interna, ou formação, com a transmissão de valores que, no final de contas, não só agradam aos colaboradores, público e stakeholders, como garantem um futuro sustentável para a própria empresa.

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