Trabalho híbrido – existe o modelo “certo”?

Human Resources
6 de Julho 2022 | 21:00

A pandemia veio, indubitavelmente, provar que o trabalho remoto é efectivamente possível, clarificando que o trabalho é uma actividade, e não um “espaço” ou “local”, e que os níveis de produtividade não estão diretamente associados às horas passadas no escritório.

Por Marta Alves, Project Manager de Design & Build da Cushman & Wakefield Portugal

A pandemia veio, indubitavelmente, provar que o trabalho remoto é efectivamente possível, clarificando que o trabalho é uma actividade, e não um “espaço” ou “local”, e que os níveis de produtividade não estão directamente associados às horas passadas no escritório.

O fenómeno pandémico proporcionou algum tempo para pensar, ou repensar, prioridades, assim como trouxe um maior conhecimento sobre as (novas) formas de trabalhar, ainda pouco conhecidas por muitos, o que permitiu ver as coisas de outra perspectiva.

Com acesso a esta nova informação, a flexibilidade, possibilidade de escolha e autonomia começaram a ganhar mais importância no quotidiano. O tema da saúde mental, o bem-estar, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ganharam maior relevância, e os benefícios proporcionados pela flexibilidade do trabalho híbrido tornaram-se algo muito valorizado, e do qual as pessoas não querem abrir mão. A vontade de ter um maior controlo sobre onde, como e com quem passamos o nosso tempo é uma realidade, e de acordo com vários estudos, os colaboradores com possibilidade de escolha e controlo sobre onde trabalham, têm um melhor desempenho. Estas novas circunstâncias devem ser alvo de reflexão e análise por parte das organizações, quando planeiam as suas políticas futuras de trabalho.

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Assistimos também, em alguns casos, ao fenómeno da resistência no regresso ao escritório. A pandemia e os confinamentos conduziram-nos involuntariamente a uma vida mais isolada, e com o passar do tempo, o hábito ou a rotina de sociabilizar pode ter ficado adormecido(a). No entanto, é importante referir que a socialização é uma necessidade do ser humano, que nos integra num contexto, que garante referências e feedback em relação ao que nos rodeia, e que viabiliza também a aprendizagem. A nossa conexão com os outros melhora a nossa sensação de bem-estar, autoestima e dá-nos um sentimento de propósito. Segundo estudos realizados podemos observar que a saúde mental e o bem-estar são potenciados em colaboradores que vão ao escritório com frequência. Assim, e uma vez que as pessoas têm todas tempos diferentes de adaptação, é importante que sejam acompanhadas no processo de reintegração, para que se sintam seguras e apoiadas nesse percurso.

Desta forma, os colaboradores procuram agora o escritório como um suporte à aprendizagem, ligação à cultura e identidade da organização, e conexão com os colegas. Com base neste pressuposto, o escritório deverá então ser um espaço que promove a interação social, colaboração, bem-estar físico e emocional, proporcionando assim momentos de valor.

Perante toda esta conjuntura de cenários, é importante que as expectativas da liderança e dos colaboradores estejam alinhadas relativamente à visão do futuro, ao significado do escritório, e ao modelo de trabalho híbrido a adoptar. Encontrar uma plataforma de entendimento comum será um princípio base para evitar algumas lacunas que possam ter impacto na performance da organização.

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Resumindo, não existe uma fórmula certa, ou mágica, para todas as empresas. Cada organização deverá procurar construir o seu próprio modelo híbrido, reconhecendo que estamos em modo

“test, learn and adapt” e que poderá ser necessário fazer ajustes no futuro e, por isso, é importante que exista essa margem.

Este caminho pode ter início, por exemplo, na reflexão sobre duas questões:

1ª Qual a nossa situação presente?

2ª Qual a nossa visão para o futuro da nossa organização?

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A partir daí criam-se as condições para explorar os vários caminhos até ao objectivo.

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